Day Of Reckoning (1987)
Após uma década de espera para o lançamento de seu debut, o Pentagram não tarda em seu segundo registro. Embora não tão enérgico quanto Pentagram/Relentless, Day Of Reckoning tem uma produção mais cuidadosa e resultados mais concisos, de maior enfoque e organização que seu antecessor, em composições de maior impacto e tendências atmosféricas.
Até então, Master Of Reality possuía de forma exclusiva o mérito de grande referência para o Doom Metal e o Stoner Rock, porém em Day Of Reckoning, o Pentagram conseguiria unir elementos de ambos os estilos, com melodias de guitarra cadenciadas e com um peso esmagador, alternando entre andamentos lentos e tempos mais rápidos, de timbres sombrios e viajantes, repetindo a utilização do fuzzbox, assim como no play anterior e um uso constante de harmonização, evidenciando intervalos de oitava. O baixo mostra-se mais presente neste álbum em comparação ao anterior, complementando riffs e acentuado em passagens mais lentas. A bateria está bem mais interativa e não tão retida apenas
a função de marcação como em Pentagram/Relentless, com várias passagens de destaque. Os vocais de Liebling soam de forma mais opressiva e sinistra, comprovando que o play não é uma “parte dois” do debut, mais sim um refinamento de sua fórmula musical.
A rápida “Day of Reckoning” inicia o álbum, trazendo elementos comuns ao debut da banda, com influências do Hard Rock. Na primeira faixa já é possível notar o distanciamento do timbre de Liebling com o de Ozzy, na tentativa de marcar o play com uma identidade vocal que não se mostrava tanto em Pentagram/Relentless. Destaque para as linhas de guitarra de Victor Griffin, com riffs pesados, frases com intervalos harmônicos e fechand
o com um solo que evidencia traços comuns ao Heavy Metal.
Arrastada e melancólica, “Evil Seed”, original de 1982, dá seguimento ao álbum, numa abordagem a um estado de demência e insanidade. Os vocais de Liebling contribuem para um clima de angústia e agonia, numa entrega inculta, abertamente adequada, esboçando versos líricos. Novamente, Victor Griffin oitava as notas que execut
a, num solo que mais uma vez resgata a sonoridade da década de setenta. “Broken Vows”, apresenta uma atmosfera lúgubre, em referência a uma existência de lamentos, com seus riffs pesarosos e os vocais de Bobby Liebling, que em sua performance executa um vocal imponente, que se apaga aos poucos, até atingir o silêncio. A marcação da bateria é contrastante ao timbre sufocante desenvolvido por Victor Griffin.
“When The Screams Come”, vem em seguida, de andamento arrastado, caracterizada pelas viradas de bateria marcando as passagens entre compassos, versos pausados de Liebling e frases melódicas na guitarra, chegando a uma passagem mais rápida e retornando ao riff principal. “Burning Saviour” mostra uma combinação de passagens acústicas fúnebres com riffs pesados e arrastados, no ápice da influência do Black Sabbath sobre Victor Griffin, com as criações mais soturnas de Tony Iommi. Com utilização da alavanca, Victor con
segue criar timbres que em outras épocas seriam concebidos por um sintetizador, em variância ao aspecto “cru” presente no álbum. Nos versos seguintes, temos um trabalho de intervalos genial entre as guitarras, e com bases na escala pentatônica, um solo memorável, valendo-se do uso de pedal Wah wah. Os vocais de Liebling, bem encaixados com backing vocals, soam sombrios. Uma composição épica, de mais de nove minutos que de forma versátil se reconstrói ao longo de suas progressões.
“Madman” trás as influências de década de setenta à tona uma vez mais, com guitarras melódicas acentuadas e as características que fizeram de Pentagram/Relentless um álbum fundamental pra o Doom Metal, chegando a lembrar em certas passagens a clássica “Sign Of The Wolf”. Cadenciada e com passagens pesadas, “Wartime” fecha o álbum, com linhas de baixo bem trabalhadas durante os versos líricos de Liebling e o solo de Griffin, desencadeando uma passagem mais rápida, tendo como desfecho o som de uma explosão, resultante de um mundo imerso no caos em conseqüência da guerra.
Em Day Of Reckoning, vemos um Pentagram amadurecido, tentando livrar-se da influência onipresente do Black Sabbath, para a composição de uma identidade musical. Como um clássico absoluto, é um álbum coeso, um dos trabalhos seminais da banda, que assimila muito de Black Sabbath Vol. 4. e de Saint Vitus, evidenciando ainda a época vindoura onde o Pentagram dormente seria renovado pela Death Row.
Ficha Técnica
Full-length, Napalm
Lançado em Junho de 1987
Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Victor Griffin - Guitarras
Martin Swaney - Baixo
Joe Hasselvander – Bateria
1. Day of Reckoning - 02:43
2. Evil Seed - 04:39
3. Broken Vows- 04:38
4. When The Screams Come - 03:43
5. Burning Savior - 09:08
6. Madman - 04:18
7. Wartime - 05:22
Be Forewarned (1994)
Uma espera de sete anos chega ao fim em 1994, com o lançamento de Be Forewarned, um álbum clássico, digno de elevada contemplação, no ápice do Doom Metal, produzido pela banda americana. A produção do álbum se diferencia claramente da de seus predecessores, a começar pela bateria, onde temos um trabalho fenomenal de Joe Hasselvander, chegando a ser discrepante em comparação aos plays anteriores, com passagens e acentuações brilhantes durante os riffs e um trabalho de percussão até então inédito nos registros da banda e a freqüente recorrência do pedal duplo, talvez por influência de seu trabalho no Raven e à NWOBHM, soando de forma arrojada e sofisticada. Bobby Liebling mantém sua linha vocal característica, embora sua extensão vocal, após mais de duas décadas de drogas e excessos já não seja a mesma, e em contraponto, as comparações de seus vocais com os de Ozzy Osbourne e Dickie Peterson estão cada vez mais distantes. As guitarras, ponto máximo dos álbuns anteriores, mantém riffs pesarosos, aprimorados pela utilização de intervalos de oitava, como em Day Of Reckoning, e passagens mais freqüentes com violões e toques melódicos característicos da eterna fascinação de Victor Griffin pelo trabalho de Tony Iommi, com excelentes solos e frases. O baixo tem seus momentos de destaque, embora nunca dominante.
Desta vez o Pentagram aborda em suas letras uma temática coberta de mística e mortalidade, ainda mais atmosférico e soturno que o debut e Day Of Reckoning, e embora ainda assimile elementos dos trabalhos anteriores, as influências primordiais da banda vão se distanciando gradualmente para a formação de uma sonoridade coesa e única, de passagens acústicas ás cadenciadas pelo peso, um sentimento de desespero permeia este álbum. A variação entre as composições é impressionante, não permitindo ao disco soar de forma maçante ou monótona em momento algum, resultado da experiência adquirida por mais de vinte anos de luta num cenário underground.
Algumas das faixas do álbum datam ainda da década de 70, de parte do material praticamente esquecido da banda e composições da época em que constituíam a Death Row. As músicas, entretanto sofreram alterações em seus arranjos, adequando-se mais devidamente à sonoridade adotada pela banda em Be Forewarned.
“Live Free And Burn” abre o álbum. Indubitavelmente Pentagram, embora numa fórmula diferente, minimalista, com guitarras estridentes, pratos soando de forma distante e pedais duplos atordoantes e um baixo pesado. Características fora do comum para o que se via nos registros anteriores da banda. Como de costume, os vocais de Liebling soam agourentos e desesperados.
“Too Late” começa com em fade-in, com um riff cortante e crescente soando por trás de frases soturnas na guitarra, de forma cadenciada e pesada, acentuada pela repetição de notas do violão acústico e piano, em uma execução fantástica de Joe Hasselvender nos elementos de percussão e um muitíssimo bem construído solo de Victor Griffin. Nesta canção vemos elementos que notoriamente viriam a influenciar bandas como Cathedral.
“Ask No More” retoma nas linhas vocais muito da influência de Ozzy sobre Bobby Liebling. As passagens pesadas, justapostas por violões acústicos se fazem mais presentes que as inicialmente trabalhadas em Day Of Reckoning. Mais uma composição brilhante, onde os duals de Griffin na guitarra e as linhas de Joe Hasselvander, mostram a musicalidade precisa e coesa de Be Forewarned, que viria a influenciar a muitos na posteridade.
“The World Will Love Again” retrata um mundo apocalíptico, tomado por sentimentos sombrios e degenerados, em mais um trabalho excelente de Hasselvender em alterações de andamento memoráveis e marcações cortantes e dinâmicas. A música soa hipnótica com os riffs de Griffin. Uma composição original de 1983, advinda dos anos de Death Row. “Vampyre Love” mostra um Pentagram pleno em sua capacidade de se reinventar. Com riffs característicos, concebidos com tremolo, pesados e atmosféricos, remetendo a influencias de The Obssessed, soando ainda como o Pentagram da década de 70. Uma balada romântica de conceitos claramente sombrios, de forma amarga e excruciante, em mais uma performance genial de Hasselvander/Griffin e o timbre único de Liebling.
“Life Blood” tem início com riffs soturnos e arrastados, seguindo por versos cantados mais rápidos, harmonizando com os backing vocals graves e sepulcrais de Victor Griffin, atribuindo à canção um toque macabro, chegando ao fim em fade in após mais um memorável trabalho de Griffin nas guitarras. "Wolf's Blood” trás logo no princípio, muito da influência do Black Sabbath em Master Of Reality e Vol. 4. Cadenciada e marcada, assim como em algumas das faixas de Day Of Reckoning, resgata a sonoridade setentista. “Frustration” tem uma levada pesada e grooves, com riffs marcantes, retomando influências do Hard Rock e Stoner num clima setentista. A pesada “Bride of Evil” dá continuidade ao clássico Be Forewarned. Seus riffs pesados e alucinantes seguem de forma cadenciada e soturna, numa letra que mais uma vez evoca o misticismo sombrio que permeia o play, onde os vocais de Bobby Liebling soam ímpios. Escrita por Joe Hasselvander, ressalta a grande influência do Pentagram ao Stoner.
“Nightmare Gown” tem um andamento mais enérgico e um peso característico, em mais uma das performances memoráveis de Hasselvander no play e um vocal acelerado de Liebling, seguindo uma base sólida, onde guitarra e baixo executam frases simultâneas, calcificando o peso e a agressividade da composição, fundamentados pelo pedal duplo. Os slides e os solos de Griffin mostram um direcionamento mais contemporâneo, deixando um pouco de lado os traços da década de 70. A igualmente pesada “Petrified” dá continuidade ao álbum, com riffs cadenciados e um baixo mais estridente, numa composição hipnótica, onde o timbre de Liebling varia de passagens líricas à arrastadas e por vezes graves de entonações sombrias, numa atmosfera obscura e angustiante que remete à incapacidade e fragilidade humana diante do mal e de um destino imutável, em referencia à letra, escrita por Liebling e Hasselvander
A acústica “A Timeless Heart” é uma introdução melancólica para o petardo sonoro que viria à seguir. “Be Forewarned” é um épico ressuscitado do Doom Metal. Original da demo de 1972, a composição soa agora ainda mais sombria e macabra que sua predecessora. Remetendo uma vez mais á temática relativa ao vampirismo, “Be Forewarned” fecha o álbum de forma viajante, uma canção arrastada de início lúgubre, marcada por uma performance vocal inspirada de Bobby Liebling em pouco mais de sete minutos do melhor do Doom Metal. Com backing vocals em intervalos fora do comum, soando de forma estridente e solos atmosfericamente angustiantes de Griffin, Be Forewarned vai definhado, num epílogo magistral de uma verdadeira lenda do Doom Metal. Be Forewarned é indubitavelmente um álbum obrigatório para os amantes do Doom Metal Tradicional, sintetizando a obscuridade malévola, o peso e a vibração de seus registros anteriores em 13 obras-primas da banda estadunidense.
Ficha Técnica
Full-length, Peaceville
Lançado em Abril de 1994
Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Victor Griffin – Guitarras, Piano & Backing vocals em "Lifeblood"
Martin Swaney - Baixo
Joe Hasselvander – Bateria, Percussão
1. Live Free and Burn - 03:08
2. Too Late - 04:37
3. Ask No More - 04:07
4. The World Will Love Again - 05:13
5. Vampyre Love - 03:41
6. Life Blood - 07:02
7. Wolf's Blood - 04:26
8. Frustration - 03:36
9. Bride of Evil - 04:34
10. Nightmare Gown - 02:53
11. Petrified - 05:54
12. A Timeless Heart - 02:22
13. Be Forewarned - 07:14


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