sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Pagan Altar - Parte II

The Lords Of Hypocrisy (2004)


Em 2004, o Pagan Altar volta à atividade para regravar antigos registros datados do começo de sua carreira, originais do período entre 1978 a 1983, parte integrante de um inacabado segundo álbum. O segundo registro da banda sintetiza de forma sutil a essência do Pagan Altar, e mesmo composto por músicas antigas, mantém seu aspecto intenso e original. Devido às muitas dívidas, a banda acabou perdendo a posse do Pagan Studios e por muitas outras complicações, Lords Of Hypocrisy chegou a ser uma incógnita para banda, além do fato de ter que regravar as antigas composições sem desliga-las de sua essência original. O álbum foi registrado no apartamento de Terry Jones, e o longo período de inatividade e frustração vivido pelo Pagan Altar trouxe a banda uma nova musicalidade, mais trabalhada, incluindo vocais femininos e arranjos de teclado, enriquecendo o álbum, com elementos presentes do Heavy Metal da década de setenta e também da NWOBHM.

Durante os anos de inatividade, o Pagan Altar sofreu várias mudanças em seu line up, estabilizando-se com os irmãos Terry e Alan Jones (respectivamente vocalista e guitarrista), Mark Elliot na bateria e Trevor Portch no baixo. Com o lançamento oficial de seu debut em 1998, pela Oracle Records, o Pagan Altar presenciou um lento ascender de sua chama primordial, além do tão esperado reconhecimento após anos no cenário underground, muitos rumores e especulações surgiam em relações a expectativas sobre o lançamento de um novo álbum e se a cultuada atmosfera sepulcral de Volume I também marcaria o lançamento. Lords Of Hypocrisy consolidou o brilhantismo inquestionável do Pagan Altar. A sonoridade crua e a produção cuidadosamente trabalhada para parecer “despretensiosa” manteram a década de setenta viva e predominante no play, mostrando ao mundo um som tão condenado e maldito, quase inatingível para muitas bandas após os anos noventa, que mesmo com tantos recursos e aparatos tecnológicos não conseguem assimilar a essência do Doom Metal como fizeram os Pagan Altar. Os riffs condenados assimilados aos elementos da música celta e a ambientação própria de sua musicalidade engrandecem este álbum de uma maneira incrível, fazendo da banda uma entidade alheia às comparações (salvo obviamente ao Black Sabbath).

Os vocais característicos de Terry Jones parecem imutáveis mesmo com o passar das décadas, mostrando-se únicos e graças a produção mais cuidadosa, audíveis e límpidos num geral. Seus versos de lamentação contribuem para a originalidade do som produzido pelo Pagan Altar. Em linhas vocais impressionantes, mais uma vez presentes em trabalho de total dedicação e empenho, Terry Jones consegue uma singularidade equivalente à própria unicidade do Pagan Altar, ambientando as composições de acordo com o que a música tem a dizer, ora desolado e soturno e por vezes inflamado e tomado por um ódio vil.

Em Volume I era possível notar a relação intrínseca entre os irmãos Jones, tanto na condução e composição do Pagan Altar quanto à relação de harmonia intensa entre vocal e guitarras. Em Lords Of Hypocrisy esta característica mostra-se ainda mais forte, e as guitarras de Alan mostram-se tão efetivas e eficazes que se entrelaçam à melodia das composições de forma tão marcante quanto o próprio vocal. O guitarrista mostra, assim como em Volume I, grande influência de Jimmy Page, com um direcionamento fortemente ligado à musica celta e também consideravelmente mais cru, tão preciso e efetivo quanto o próprio Pagan Altar, sem excessos ou passagens de pouca consistência, investindo nas composições exatamente o que elas necessitam, longe de quaisquer firulas ou meios de auto-projeção.

Embora a bateria tenha ficado por conta de Mark Elliot, vemos neste álbum, assim como em Volume I, um trabalho excepcional entre baixo e bateria, assim como era entre Portch e Mizhari, alternando de forma precisa nas passagens e conferindo ás músicas a estrutura que exigem. Apesar da produção da “cozinha da banda” não ter recebido tanta atenção em comparação ás guitarras e vocais e mesmo o fato de Elliot parecer bem mais contido em relação à Mizhari, a tal harmonia entre baixo e bateria atua como a base ideal para as linhas de guitarra, notavelmente neste álbum valendo-se do recurso de dual e acrescentando às suas melodias melancolia e originalidade.

Uma característica à parte, os vocais limpos executados por Val Watson em conjunto aos sintetizadores de timbres místicos de Jack Carter, Louise Walter e Dean Alexander e os ambientados violões acústicos de Alan Jones, fazem de Lords Of Hypocrisy uma viagem de cunho indagador e rebelado. Em uma breve análise, vemos mais uma vez o Pagan Altar num direcionamento que mescla os elementos mais sombrios do Black Sabbath clássico, com certa influência de Led Zeppelin e alguns elementos próprios da NWOBHM. A foto na capa, registrada por Martin Hanford, mostra as ruínas de uma igreja situada em Kent, que fica à caminho de Plucley, aldeia inglesa com fama de ser mal assombrada. A arte da capa expressa o definhar de uma era de hipocrisia, que deixou como herança dor, morte e sofrimento.

“Lords Of Hypocrisy” começa com uma breve introdução, com um órgão pujante e opressor, em contraste aos vocais femininos de Valerie Watson, em versos cantados em latin, antecedendo os riffs de Alan, provando que o tempo parou em 1983 e nada mudou em decréscimo ao som da banda da década de oitenta para 2004. Sua letra expressa a mesma solidez e determinação de seus riffs, condenando práticas hipócritas dos homens da fé de forma opressora, prendendo o ouvinte em sua ambientação e preparando-o para a obra prima que é Lords Of Hypocrisy como um todo.

“Satan’s Henchmen” é uma composição que resgata da década de setenta os elementos que fundamentaram o Heavy Metal Tradicional. Em seus pouco mais de três minutos, mostra um andamento superior às demais composições do álbum, mantendo o peso e energia típica, porém num posicionamento mais direto. A musica tem um início acústico, calcificado pelos belos vocais de Valerie Watson, que vão desaparecendo em fade out para dar lugar aos riffs e solos de Alan. Talvez nesta composição seja mais evidente o déficit em dinamismo da banda causado pela troca de baterista, quando relembramos de forma nostálgica as progressões e viradas e Mizhari, embora Elliot consiga conferir exatamente o que a música pede, mas num todo, ainda parece faltar algo.

“Sentinels Of Hate” relembra os fundamentos de Volume I, com todas as características que fizeram do Pagan Altar uma banda majestosa. Seus riffs poderosos e solos de guitarra contribuem para a criação de uma ambiência épica e sombria, reforçada pelos vocais soturnos de Terry, acompanhados do badalar fúnebre de sinos em um fundo etéreo criado pelos sintetizadores. Uma composição épica, que arrasta o ouvinte para a escuridão e com seu peso esmagador expressa a sepulcral sensação maldita e condenada de Volume I. As frases de guitarra são notoriamente o destaque da composição, unificando melodia e uma ambiência melancólica, com certa influência de Black Sabbath, perfeitamente ajustadas aos duetos entre Terry e Valerie nos versos ao longo da composição.

“Armageddon” sintetiza bem a sonoridade do Pagan Altar, com seus versos líricos potentes, riffs enérgicos e alterações precisas de andamento, que pela ambientação gerada passam quase que despercebidas, soando com naturalidade e eficácia. Nesta composição a banda mostra sua capacidade em compor canções de grande duração e que ainda assim prendem o ouvinte de tal forma que não o permite alternar o foco de sua atenção por cansaço ou monotonia. Os duetos entre Terry e Valerie mais uma vez enriquecem a composição, assim como os solos melancólicos e arrastados de Alan e uma profusão de riffs épicos seguidos de forma desenfreada, sempre preservando a atmosfera da composição. Os sintetizadores são responsáveis por verdadeiras viagens a um cenário de destino selado, que obviamente não poder ser outro além do fim, seja como fundo sonoro às guitarras, ao baixo, ou aos vocais hipnóticos de Valerie Watson. A música chega ao fim numa breve passagem acústica em versos narrados por Terry, encerrando de forma magistral esta verdadeira epopéia dramática.

“The Interlude” inicia uma trilogia musical dentro do álbum, abrindo a seqüência de músicas de forma calma e reflexiva, após o baque magistral de “Armageddon”. Atmosférica e em boa parte de sua continuidade acústica, apresenta um trabalho vocal excepcional, mais uma vez resultante da união entre a doce voz de Valerie e o anasalado timbre de Terry, enquanto sintetizadores mantêm uma atmosfera mística e densa. Uma composição marcante, remetendo ao vazio do espírito evocado em alguns momentos de Volume I.

“The Aftermath” mostra muitas das características do debut, dando continuidade à ligação lírica iniciada em “The Interlude”, com uma pegada mais Hard Rock e com certa influência do Black Sabbath de Master Of Reality. Seus riffs pesados e arrastados, sobrepostos por frases melódicas de guitarra conferem a atmosfera opressora e também reflexiva de sua letra visionária e pujante.

“The Masquerader” fecha a trilogia, conferindo uma quebra ao ritmo frenético de “The Aftermath”, com um aspecto mais melódico e cadenciado, com ótimos versos líricos de Terry, acompanhados por frases de guitarra perfeitamente encaixadas, colocando a música num contesto mais calmo em relação às demais faixas do álbum, reflexiva ao seu modo, expressando o quão incertos e dissimulados podem ser os seres humanos. Diferentemente de “The Interlude”, possuí guitarras com certo peso e levadas de bateria que atribuem maior energia e mudanças precisas de andamento. Mais uma vez, os vocais de Valerie são essencialmente bem posicionados, enriquecendo o trabalho do Pagan Altar a níveis transcendentais.

“The Devil Came Down to Brockley” tem certa influencia de música celta e obviamente da música folclórica inglesa, com dedilhados acústicos e uma percussão marcada, quebrando um pouco a atmosfera densa do play.

“March Of The Dead” é o brilhante epílogo de um álbum permeado de clássicos. A composição começa com um distante e crescente rufar de tambores, anunciando o início da marcha, numa ambientação hipnótica conferida pelos sintetizadores, que logo é tomada de assalto pelos riffs densos e cadenciados executado por Alan Jones, os vocalizes etéreos de Valerie e os versos viajantes de Terry. Opressora e dotada da mesma ambiência inflamada que permeia o álbum, é uma faixa mais cadenciada e melódica, que define muito bem a natureza do Pagan Altar e do álbum em si. A música fecha o álbum com um longo e marcante solo, abrilhantado pelas vocalizações de Valerie.

Lords Of Hypocrisy é um álbum vencedor, não apenas por seus méritos musicais, mas por conseguir com louvor ressuscitar uma banda seminal, esquecida e injustiçada em sua época, que não contou com qualquer dinheiro, contrato ou registro oficial em seus primeiros anos de carreira, trazendo à tona canções com mais de duas décadas de existência, que impulsionaram muitas das futuras bandas de Doom Metal a construir sua identidade musical.

Ficha Técnica

Full-lenght, Oracle Records
Novembro, 2004

Line up
Terry Jones - Vocais
Alan Jones - Guitarras e Backing vocals
Trevor Portch - Baixo
Mark Elliot - Bateria

*Valerie Watson - Vocais e Backing vocals
*Jack Carter - Sintetizadores
* Louise Walter - Sintetizadores
*Dean Alexander - Sintetizadores

01. The Lords of Hypocrisy - 05:36
02. Satan's Henchmen- 03:09
03. Sentinels of Hate - 07:12
04. Armageddon - 10:40
05. The Interlude - 04:12
06. The Aftermath - 05:54
07. The Masquerade- 06:52
08. The Devil Came Down to Brockley - 01:10
09. March of the Dead - 05:29

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Pagan Altar - Parte I

Fundada em 1978, em Brockley, Inglaterra, o Pagan Altar foi uma banda que assim como o Witchfinder General, optou por um direcionamento diferente mediante à aparentemente promissora NWOBHM. Os irmãos Alan e Terry Jones, respectivamente guitarrista e vocalista, foram os idealizadoras da banda, após passarem pos vários outros projetos, dos quais o mais notável chamou-se Hydra. Para completar o line up, ingressaram na banda o Trevor Portch, assumindo o baixo, após o ter visto a banda tocar numa casa de shows em Eirith, chamada 2001, no ano de 1981, tendo respondido no ano seguinte a um anúncio da banda, que dizia precisar de um baixista e John Mizrahi na bateria. A princípio, a banda se chamaria apenas Pagan, mas logo mudou para Pagan Altar, por evocar com maior eficácias às pretensões da banda. Antecedendo um line up sólido, passaram pela banda também o guitarrista Les Moody, os bateristas Ivor Harper e Toby, e os baixistas Glenn Robinson e Greg.

Os irmãos Jones encarregaram-se de compor e escrever todas as músicas do Pagan Altar, buscando inspiração em cemitérios, em particular por sua ambientação lúgubre, e com uma sonoridade avessa aos aspectos predominantes de sua época, (assim como o Witchfinder General, optaram por um direcionamento mais setentista) com um diferencial em associar em suas canções uma harmonização precisa entre vocais e guitarras, mudanças sutis de andamento que soavam como progressões naturais nas músicas, calcificando sempre suas composições em partes bem definidas, com influências claras do Blues Rock e inegavelmente do Black Sabbath e do Hard Rock da década de setenta.

Pagan Altar (1982) - Alan Jones, Trevor Portch, Terry Jones, John Mizrahi

Assim como o Black Sabbath foi visto como banda satânica por seu direcionamento lírico, o mesmo aconteceu com o Pagan Altar, porém sua temática mostrou-se ainda mais abrangente, em relação principalmente às suas performáticas apresentações. Após alguns shows no começo da década de oitenta, a banda lança a demo Pagan Altar com formato K7, em 1982, de forma independente, já que em seus primeiros anos de existência, nenhum selo ou gravadora demonstrou interesse por suas composições. Do começo da década de oitenta são provenientes vários registros contidos em lançamentos posteriores, gravados no estúdio da banda, conhecido como Pagan Studios.

As dificuldades de financeiras foram cruciais para a primeira cisão da banda, já que o cenário local não tinha olhos para a sonoridade do Pagan Altar, assim como a mídia também não os favorecia, e com o tempo a banda passou por um ciclo vicioso de apresentar-se nos mesmos clubes de pequeno porte em que começaram, e assim como muitas das bandas da NWOBHM, o Pagan Altar passou por um duro período de dificuldades, caindo na obscuridade após ter conquistado seu modesto espaço. Jonh Mizhari havia deixado o Pagan Altar no começo de 1983, e alguns outros bateristas integraram o line up, porém nenhum deles chegou a ajustar-se, então Alan Jones decidiu desligar-se da banda, investindo em outros projetos, como a XYZ, retornando apenas dois anos depois, em 1987, já com uma percepção musical mais amadurecida e tendências criativas que se relacionavam muito com o aspecto cultural celta, chegando a integrar o line up de algumas bandas, dentre elas, Iceni e Malac Cross. Trevor Portch também integrou outros projetos no mesmo período, sendo o The Goon Squad o mais promissor. A banda entraria num longo período de hibernação, em mais de duas décadas de inatividade.

Volume I (1982)

Originalmente gravado em 1982, em formato DEMO sob o título Pagan Altar, Volume I foi oficialmente lançado pela Oracle Promotions, mostrando ao mundo a sonoridade condenada e original do Pagan Altar. Volume I expressava de forma inerente o misticismo contido em sua sonoridade. Registrado numa grande casa vitoriana com fama de ser assombrada por uma jovem garota irlandesa, num terreno de rumores malditos, onde diziam ter sido palco da execução de bruxas e hereges. Segundo membros da banda, episódios inexplicáveis aconteciam com freqüência alarmante durante o processo de gravação. Uma casa assombrada que servia como residência para uma banda chamada Pagan Altar, que se deslocava aos concertos numa van com um caixão em seu teto, foram motivos mais que suficientes para julgar o grupo como adoradores do diabo. Toda esta ambientação maldita forneceu à banda inspiração para conceber o debut. O play foi registrado em 1982, porém foi lançado apenas em 1998, e ainda assim, Volume I possuí uma vibe indiscutivelmente setentista e retro, marca do trabalho de algumas outras bandas consolidadas do Doom Metal Tradicional.

Volume I é um registro único, singular e original, diferente de tudo que foi produzido naquela época. Em sua temática de ocultismo e feitiçaria, Terry Jones incorpora em sua performance um espírito rebelde e inflamado de oposição, com versos líricos poderosos, alternando em lamentos soturnos, bem executados em seu timbre anasalado, fazendo de seu vocal algo sombrio e inelutável. As guitarras constroem o clima do debut, arrastando-se em riffs diretos e eficazes, como solos baseados na escala pentatônica. Baixo e bateria casam de forma harmoniosa, conferindo fundações sólidas à interação perfeita entre as linhas vocais e guitarras, atribuindo plenitude ao som da banda e uma ambientação opressiva e poderosa. O álbum cria com sua musicalidade um vórtice de ambiências, que vão desde passagens contrastantes em saudosismo ao vazio espiritual. Volume I é um registro único, singular e original, diferente de tudo que foi produzido naquela época. Com uma parte lírica dedicada ao paganismo e ao ocultismo, sua musicalidade reúne todas as influências condenadas do Black Sabbath em seus primeiros álbuns e algo de Led Zeppelin.

“Pagan Altar” têm início em versos lúgubres vociferados por Terry Jones em invocação à Samael. A composição estabelece uma atmosfera maldita, com seus riffs arrastados em conjunto à frases mais agudas na guitarra. As influências de Black Sabbath são óbvias e retomam toda uma tendência que foi exaustivamente seguida na década de setenta. Destaque para as guitarras com fortes marcas do Blues, progressões cadenciadas de bateria e os versos líricos inflamados de Terry.

“In The Wake Of Armadeus” é uma das poucas composições do disco dotadas de um andamento mais enérgico, com riffs fundamentalmente malditos, de início que lembra bastante a faixa “Electric Funeral”, do segundo álbum do Black Sabbath. Toda a composição em sim evoca saudosamente a época áurea do quarteto de Birminghan, porém do refrão em diante tomando um direcionamento visivelmente característico à Volume I, com versos líricos poderosos e passagens com mais influências do Blues.

“Judgement Of The Dead” começa com uma introdução memorável com teclado e baixo, as guitarras entram em seguida, calcificando o aspecto maldito da música. Com seus riffs lúgubres arrasta-se em relação direta às linhas vocais de Terry Jones. Com ótimas linhas de guitarra, as bases e solos se complementam perfeitamente, destacando o brilhantismo de Alan Jones. Nesta faixa mais uma vez Terry Jones mostra sua marca, executando seus versos como um espectro que se lamenta na pós-vida. Um dos pontos altos do álbum e um clássico absoluto do Doom Metal, chegando ao fim após mais de sete minutos de pura influência setentista, com mais um excelente solo calcado na escala pentatônica e os versos malditos de Terry em fade out.

“Black Mass” começa densamente ambientada, numa narração soturna de Terry Jones e em seu seguimento evoca tudo de mais sombrio que uma vez o Black Sabbath originou. Com seus riffs melódicos e arrastados, a faixa cresce em seguimento à impostação magnífica de seu front man, prenunciando o apocalíptico retorno de Satã. “Night Rider” evoca uma vez mais os elementos do paganismo e já a principio revelando as fortes influências da década de setenta, de ícones como Black Sabbath e Led Zeppelin.

A introdução “Acoustics”, que originalmente deveria chamar-se “Cry Of The Banshee”, apresenta traços de composições do Led Zepellin, com um direcionamento celta, ambientando o espírito pagão e revelando futuros horizontes que seriam seguidos por Alan Jones. “Reincarnation” fecha o debut do Pagan Altar com uma introdução intensa e viajante, mostrando a perfeita harmonia instrumental da banda, onde cada elemento parece complementar o outro para, conferindo solidez à faixa. “Reincarnation” incorpora também elementos do Hard Rock da década de setenta associados aos elementos mais pesados do Black Sabbath e do Led Zeppelin em seus primeiros trabalhos. As guitarras, mais uma vez apresentando marcas do Blues, parcialmente ignorado pela maioria das bandas da NWOBHM, consolida o Pagan Altar como uma banda à frente de sua época, apesar de retomar elementos de quase duas décadas atrás, construindo uma sonoridade original e old school, que viria a ser contemplada muito tempo depois. “Reincarnation” é mais um dos muitos clássicos provenientes de Volume I, um álbum essencial para a história do Doom Metal.

Ficha Técnica

Full-lenght, Oracle Records
Fevereiro, 1998

Line up

Terry Jones - Vocais
Alan Jones - Guitarras e Backing vocals
Trevor Portch - Baixo
John Mizrahi - Bateria

01. Pagan Altar - 07:20
02. In The Wake Of Armadeus - 04:11
03. Judgement Of The Dead - 07:46
04. The Black Mass - 05:18
05. Night Rider - 04:07
06. Acoustics - 01:33
07. Reincarnation - 08:44

*As informações da Ficha Técnica seguem as contidas no álbum Volume I, de 1998, e não à Demo de 1982.