quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pentagram - Parte III

Review Your Choices (1999)




Cinco anos após Be Forewarned, seguido do lançamento de duas demos e uma compilação não autorizada pelo frontman, um novo Pentagram mostra ao mundo Review Your Choices. A formação dos três álbuns anteriores manteve-se até 1996, desfazendo-se com a saída de Swaney e Griffin, reduzindo o Pentagram a um duo, com Liebling nos vocais e Hasselvender como multi - instrumentista. No fim da década de 90 o Pentagram mantém sua sonoridade setentista. A produção do álbum vem em retrocesso em comparação aos registros anteriores, mostrando-se turva e surpreendentemente underground. A bateria soa por vezes distante, amortecida e sobrepujada, decepcionante em comparação ao progresso que os trabalhos no instrumento demonstraram no álbum anterior, assim como o baixo, que parece inaudível em comparação às guitarras e aos vocais de Liebling, que assumem um timbre notoriamente diferente do que lhe era característico. O peso ainda está presente, porém, a atmosfera marcante que fez do Pentagram uma lenda, parece destituída neste álbum, cedendo lugar a composições mais vibrantes. Assim como nos discos anteriores, Review Your Choices possuí versões re-registradas de faixas antigas, mas estas parecem ter “perdido” algo após duas décadas.


Apesar de manterem a fórmula de riffs repetitivos, cadenciados e repletos de peso, a ausência da genialidade de Victor Griffin faz com que uma impressão estranha seja sentida ao longo de Review Your Choices, principalmente em seus solos. Não de todo mal, mas a discrepância entre as linhas de guitarra deste álbum em comparação aos anteriores e a estranhíssima imposição tomada pelo timbre de Liebling é gritante, e embora em total entrega, os vocais soam estranhos e fazem pensar que este Pentagram não é aquele que costumava ser. A impressão que este álbum traz é a de um trabalho cru, despretensioso de forma proposital, quase que um projeto, porém uma tentativa de retorno às origens e ao Proto-Doom, ocasionalmente também Stoner e com toques psicodélicos. Review Your Choices traz um som pesado e nebuloso, sem dúvidas, único na discografia da banda.


O álbum abre com a boa “Burning Rays”, que ganha uma versão de estúdio após duas décadas engavetada, soando estridente e poderosa em sua nova versão. “Change Of Heart” é uma composição de riffs esmagadores, previamente registrada na música “The Whore”, presente numa das demos da Death Row, lançada em 1983, incorporando também as letras de “Earth Flight”, que integrava o repertório da banda na década de setenta. “Living in a Ram's Head”, resultante do vinil de 1979, soa opressiva, numa das mais nítidas entonações de Liebling no play e uma ótima performance instrumental de Hasselvander.

“Gorgon Slave”, com claras influências do Black Sabbath traz bons momentos em seus riffs soturnos e cadenciados e os vocais distorcidos e nebulosos de Liebling, resgatando uma atmosfera melancólica de certo modo perdida neste play. A composição explode numa passagem rápida que mesmo em sua produção desajustada incita momentos nostálgicos com pedais duplos e um solo mesmo que contido, de certa forma.

“Review Your Choices” é mais um dos bons momentos do álbum, cadenciada dos riffs ao solo, mostra influências de jazz e blues e muito do debut do Black Sabbath. “The Diver” tem início numa levada de guitarra mais rápida, com boas passagens e riffs pretensiosamente melódicos em contraste a uma base mais pesada estabelecida pela guitarra e um baixo oprimido. “The Bees” é uma das faixas onde presenciamos uma entrega total de Liebling à sua função, em vocais carregados, expressando ódio e indignação em seu timbre. “I Am Vegeance”, pesada e arrastada, caracteriza-se por mais uma inspirada performance de Liebling, impregnada da mesma raiva que permeia o play, num breve escapismo atmosférico, anterior ao seu desfecho.

“Forever My Queen” mostra que mesmo um clássico consolidado resiste às dificuldades de uma produção descuidada, mantendo em parte sua essência. Embora parte da atmosfera original da composição tenha se perdido, os riffs e o solo conservaram muito de sua fórmula inicial. Os novos arranjos na bateria enriqueceram a composição, assim como a nova imposição de Liebling. “Mow You Down” começa pesada, com um riff que lembra muito “Relenteless” e um direcionamento que remete aos trabalhos posteriores ao debut, mais enérgica e vibrante. “Downhill Slope” tem um andamento mais lento e passagens soturnas, simulando vozes de timbres sombrios e com guitarras atmosféricas. Nesta faixa em especial, os vocais de Liebling parecem retomar a força e o timbre de Day Of Reckoning e Be Forewarned, numa de suas mais inspiradas performances no álbum.

A épica “Megalania” é um dos grandes momentos do play, mas uma vez trazendo á tona a influência do Black Sabbath sobre a banda. O álbum chega ao fim com “Gilla?”, de forma inusitada... Digamos.

A performance débil de Liebling, de voz deteriorada, é compensada por sua dedicação frenética em tornar o álbum dotado de uma ira surpreendente e a dedicação de Hasselvander em executar todos os instrumentos conferem ao disco seus momentos de brilho, embora prejudicados pela produção precária. Review Your Choices pode soar de certa forma até mesmo “grotesco” para alguns, ou mesmo como o pior disco da carreira do Pentagram. Porém, sua audição é indispensável aos fãs da banda, embora transitável aos que desconhecem a época áurea, mas ainda assim, inegavelmente soa como um álbum maldito e angustiante, imperfeito talvez, porém não “comum” na discografia de uma experiente banda que incessantemente tenta se reconstruir apoiada em seu passado.

Ficha Técnica

Full-length, Black Window
Lançado em 19 de Julho de 1999

Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Joe Hasselvander- Todos os instrumentos


1. Burning Rays - 02:35

2. Change of Heart - 05:28

3. Living in a Ram's Head - 02:37

4. Gorgon's Slave - 06:35

5. Review Your Choices - 03:21

6. The Diver - 02:53

7. The Bees - 02:28

8. I am Vengeance - 05:24

9. Forever My Queen - 02:38

10. Mow You Down - 03:12

11. Downhill Slope - 03:58

12. Megalania - 07:08

13. Gilla? - 00:49



Sub-Basement (2001)




Pouco mais de dois anos depois do lançamento de Review Your Choices, Liebling e Hasselvander lançam sua segunda empreitada como um duo. O álbum tem uma produção indiscutivelmente melhor que seu antecessor, porém aposta numa nova roupagem da mesma fórmula de Review Your Choices. A sonoridade é mais clara e objetiva, conservando o peso e os elementos condenados que fizeram do Pentagram uma grande banda. As guitarras retomam a manutenção de uma atmosfera maldita e sombria, porém numa abrangência de timbres não retida apenas aos efeitos do fuzz box e em notória evolução mediante o que foi visto no álbum anterior. O baixo está mais audível, porém, sem grandes momentos de destaque, num geral acrescentando plenitude ao som e enfatizando as partes de maior peso. A bateria volta a mostrar grandes empregos e execução impecável. O instrumental soa frenético e vibrante num geral e atmosférico nas músicas mais cadenciadas, mostrando um Pentagram mais semelhante ao que costumava ser antes de Review Your Choices e um desempenho superior de Hasselvander. Os vocais de Liebling não soam como anteriormente, mas seu timbre continua característico e agora, mas do que nunca, dotado de uma identidade sua, já não permitindo comparações intermitentes com Ozzy ou Dickie Peterson. Seu desempenho é deveras melhor que em Review Your Choices, mostrando um vocalista experiente e em busca de sua forma plena.


O álbum, como é de praxe do Pentagram, traz antigas composições rearranjadas e faixas inéditas, numa variedade notável e que contribui para que o álbum seja dinâmico em todos os seus momentos. Assim como em seu predecessor, as antigas faixas soam como novas, com arranjos mais adequados á sonoridade contemporânea ao momento da banda. A sonoridade setentista ainda está presente, porém em escala bem menor. Joe e Bobby parecem adotar uma visão mais contemporânea sobre o direcionamento de Sub-Basement, ajustando-se talvez a um meio de tornar a banda não tão underground após quase três décadas em atividade. Um fato curioso é a data de lançamento do play, 25 de Dezembro.

O álbum começa com a veloz “Blood Lust”, em riffs pesados e sinistros com trabalhos de backing vocals bem encaixados e um refrão grudento onde o título da faixa é gritado. A composição traz as típicas guitarras em dual, recurso utilizado por Victor Griffin em Day Of Reckoning e Be Forewarned, construindo um ótimo solo, contrastando ainda com uma terceira guitarra que repete o riff principal da música. Com uma bateria marcada e dinâmica nas passagens, um baixo que calcifica o peso e como não poderia deixar de ser, o vocal de Liebling, evidentemente diferente de sua impostação vocal no play anterior, ainda soando desdenhoso como em Review Your Choices, numa letra que expressa ódio e de certa forma, superação, seguindo temática e ambientação assimiláveis ao mesmo. “Buzzsaw” tem um começo não muito digerível com sons estranhos até a entrada do riff principal. As passagens vocais soam débeis, tanto no timbre de Liebling, quanto aos demais arranjos vocais. A composição segue de forma semelhante à anterior, tendo como destaques as guitarras e a bateria.

seguindo uma temrma, superaçvo Review Your Choicesaçra uma potbem encaixados e um refrA clássica “Drive Me To The Grave”, presente em material da Death Row e Bedemon ganha uma nova versão, com uma breve introdução na bateria e um rápido andamento, que lembram a época de Day Of Reckoning, resgatando os excelentes trabalhos de bateria de Hasselvander, que no álbum anterior acabaram sendo deixadas de lado. Com riffs pesados e repetitivos e os versos sombrios cantados por Liebling, “Drive Me To The Grave” é sem dúvidas um dos grandes momentos do play.

A atmosférica “Sub-Intro” traz o badalar de sinos, sons de correntes numa tempestade e barulhos insólitos. Uma composição tensa e ruidosa, com uma guitarra distorcida ao fundo, conferindo uma ambientação sombria e maldita, prenunciando a esmagadora “Sub-Basement”. Com guitarras cadenciadas e pesadas, de timbre distorcido e caracteristicamente soturno e sussurros tenebrosos em sua continuidade, estabelece uma sensação de condenação e fim, característica marcante dos álbuns anteriores à Review Your Choices e fundamental na sonoridade do Pentagram.

“Go In Circles” é uma canção pesada e arrastada, com vocais agonizantes de Liebling e passagens mais rápidas no refrão, que resgatam o espírito Proto-Doom da década de 70. “Mad Dog” quebra uma continuidade de composições cadenciadas para um andamento mais veloz, com riffs e alavancadas memoráveis, com elementos do Hard Rock e Stoner das décadas de 60 e 70, trazendo à tona mais uma das marcas registradas da banda, a sonoridade setentista.

“After The Last”, cadenciada no começo e com riffs pesados e marcados, ambienta uma atmosfera opressiva, seguindo por frases mais rápidas e melódicas na guitarra, ganhando força do meio para o fim, resgatando em parte a sonoridade do Black Sabbath. A letra parece descrever o percurso de Liebling no Pentagram, harmonizando em trechos estratégicos os títulos do material lançado da década de 70 até o momento, soando ao meu ver como nítidas intenções de reaver tudo que a banda havia sido em sua clássica formação, e em particular, seu problema com as drogas.

“Tidal Wave” começa com o som de ondas do mar, partindo para riffs marcados e com peso, em mais uma performance inspirada de Liebling nos vocais, atribuindo determinação e força aos seus versos, em mais uma composição puramente condenada. “Out Of Luck” soa desdenhosa e má no começo, passando por riffs com mais do Hard Rock e do Stoner das décadas de 60 e 70, com um solo melódico com influências atípicas a época áurea da banda, porém, facilmente assimilável á sonoridade de Review Your Choices. O vocal de Liebling mostra-se mais uma vez de fundamental importância para a identidade da banda, num trecho quase à capela que conduz a um final selado, tal qual o do homem que definha, aguardando seu momento final.

“Target”, original da década de setenta, traz a principio uma sonoridade singular à época, porém mudando de andamento para trechos mais rápidos e pesados, marcados pelo pedal duplo da bateria, acompanhada de uma base com guitarras abafadas e pelo baixo, numa levada mais voltada ao metal, enquanto notas mais agudas são executadas por outra guitarra, atribuindo um clima frenético e enérgico, fechando de forma grandiosa mais um excelente trabalho da banda americana.

Sub-Basement mantém os elementos Doom e é indiscutivelmente o mais pesado álbum da banda, com riffs memoráveis, uma bateria tão brilhante quanto em Be Forewarned, vocais dementes e uma atmosfera profunda, que oscila ora entre o melancólico e lúgubre ao vibrante e destrutivo. Em minha opinião o melhor registro após a cisão da formação clássica do Pentagram, mais pesado e soturno que seus antecessores, portador de verdadeira escuridão e condenação, mais uma vez fortificando a influência que é o Pentagram para bandas de Doom Metal e Stoner.

Ficha Técnica

Full-length, Black Window
Lançado em 25 de Dezembro de 2001

Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Joe Hasselvander - Todos os instrumentos

1. Bloodlust - 2:30
2. Buzzsaw - 2:29
3. Drive Me to the Grave - 4:30
4. Sub-Intro - 4:00
5. Sub-Basement - 6:00
6. Go in Circles (Reachin' for an End) - 5:16
7. Mad Dog - 2:17
8. After the Last - 3:43
9. Tidal Wave - 4:40
10. Out of Luck - 3:54
11. Target - 5:10

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