No mesmo ano, o line-up passaria por modificações. Steve Martin deixaria a banda por motivos de divergência com os demais membros, em questão, às suas influências fortes de jazz. Geof, que era baterista em sua antiga banda, Space Meat, assume o posto, enquanto Jonh Jennings integra a banda como guitarrista. No período entre 1971 e 1972, a banda mudaria de nome algumas vezes, e até adotar Pentagram, chamaram-se Virgin Death, Macabre e Wicked Angel.
A formação não duraria muito. Com a saída de Jonh Jennings, que buscava por uma sonoridade mais pesada que a proposta pelo restante da banda, Vincent McAllister assume então as guitarras e Greg Wayne o baixo. Com esta formação lançariam os singles Be Forewarned / Lazy Lady, pela Intermedia Productions e Hurricane / Earth Flight e a primeira demo, pela Boffo Socko. Nos trabalhos, os riffs sombrios e lúgubres de McAllister ganham destaque, atribuindo às guitarras o ponto alto das composições.
Pentagram (1985) - Joe Hasselvander,Victor Griffin, Bobby Liebling, Martin Swaney
Em 1974, Randy Palmer, companheiro de Bobby e Geof na Bedemon, integra o line-up como guitarrista, trazendo consigo algumas de suas composições e contribuindo para a formação de uma identidade musical que faria do Pentagram a banda pioneira do Proto-Doom. Em outubro de 1974, lançaram o single Under My Thumb / When the Screams Come, pela Gemini e quase um ano depois, lançariam sua segunda demo, desta vez de forma independente. Em 1975, Palmer deixa a banda, devido aos seus problemas com drogas e às divergências musicais. No mesmo ano, Bobby deixa a banda, levando consigo os direitos autorais pelo nome Pentagram. O Pentagram entra num hiatus que duraria cerca de seis meses, tendo fim com o retorno de Bobby e a adição de Martin Iverson como guitarrista. No verão de 1976, entram em estúdio para agravação da demo Underground Sound, porém logo a banda passa por uma nova cisão, com Liebling desfalcando o line-up antes mesmo do fim das gravações.
O Pentagram passaria a ser Bobby Liebling (vocais), Randy Palmer (guitarras), Jonh Ossea (bateria). A formação não durou muito tempo, e logo, o Pentagram se resumia novamente à Bobby Liebling. No fim do ano de 1978, a banda retoma atividades com Liebling nos vocais, Richard Kueht e Paul Trowbridge nas guitarras, Martin Swaney no baixo e Joe Hasselvander na bateria. Com esta formação, a banda lança mais um single, Livin' in a Ram's Head / When the Screams Come pela High Voltage. Um ano depois, devido às divergências entre os membros, o Pentagram se dissolve uma vez mais. A banda encerra a década de 70 sem nenhum full lenght lançado.
O Pentagram retorna no começo da década de 80, com membros egressos da Death Row, com Victor Grifin na guitarra, Joe Hasselvander na bateria, Martin Swaney no baixo e Bobby nos vocais. Com uma sonoridade já amadurecida, influenciada pelo Proto-Doom já executado na época por bandas como The Obsessed, Trouble e Saint Vitus, lançam em 1985, seu primeiro álbum, Relentless. Diferentemente do Black Sabbath, o Pentagram, buscava em sua sonoridade a calcificação de um estilo que viria a ser o que hoje conhecemos como Doom Metal, valendo-se de suas influências e ideologias pessoais, consagrando-se como a banda precursora da vertente e uma das pioneiras do subgênero.
Pentagram/Relentless (1985)
Após mais de uma década como uma banda underground, o Pentagram lança em Fevereiro de 1985 seu primeiro full lenght, de forma independente, com uma longa experiência na bagagem e uma proposta musical bem definida: Doom Metal. Relentless (originalmente chamado Pentagram, posteriormente renomeado em 1993, quando relançado pela Peaceville) é basicamente uma compilação de parte do material composto pela banda nos últimos doze anos que antecederam seu lançamento. Fortemente influenciado pelos primeiros álbuns do Black Sabbath, embora não de forma imitativa, o Pentagram executa um som soturno e angustiante, carregado de cinismo nos versos vocalizados por Bobby Liebling, pesado e cadenciado, baseado em acordes menores, através dos riffs bem construídos de Victor Griffin, expressando constantemente um ideal de mal-estar, freqüentemente distorcidos por meio de um fuzzbox. Enquanto o Black Sabbath fazia uma reformulação de sua música, o Pentagram surgia com um som “retrô”, como uma alternativa aqueles que não haviam abandonado o espírito da década de 70.
As influências do Hard Rock, Rock&roll, R&B e música psicodélica foram amadurecidas para compor a sonoridade precisa do Pentagram. Os vocais de Liebling, inevitavelmente comparáveis aos de Ozzy Osbourne do Black Sabbath e a Dickie Peterson do Blue Cheer, mostram-se elementares para a criação de um clima sombrio, concentrando-se no estabelecimento de boas melodias vocais nas canções. Diferente do que se via em bandas contemporâneas suas, o Pentagram aposta num som embora cadenciado, com um andamento mais rápido. O peso conferido às guitarras é graças à afinação grave utilizada, variando entre meio tom e um tom e meio abaixo do padrão. Os solos de guitarra não são freqüentes, porém, quando ocorrem, mostram um feeling arrastado e melódico. Baixo e bateria mostram interação, na maioria das vezes na função de preencher a música, não apresentando passagens de grande destaque com freqüência.
O play tem início com “Death Row”, faixa que contém todos os elementos que fizeram do Pentagram uma referência para o Doom Metal. Composta em 1981, quando a formação do Pentagram integrava a Death Row, traz riffs pesados e repetitivos e um solo melódico, influenciados pelo trabalho de Tony Iommi, porém num andamento mais acelerado, em semelhança ao que vemos em N.I..B., do debut do Sabbath, porém, em “Death Row” há um baixo com simples função de marcação, assim como a bateria, sem grandes momentos ao longo da música. A letra trata de alguém às vésperas da morte, com vocais seguindo a linha mais tradicional do Heavy Metal.
Original da demo de mesmo nome, lançada em 1982 , “All Your Sins” possuí um riff pesado e sombrio, repetido seguidas vezes, ressaltado pelos versos atormentados de Bobby Liebling, prenunciando um fim apocalíptico, mostrando já certa versatilidade em relação à faixa anterior, soando agora de forma mais arrastada. A música chega ao fim com uma virada de bateria um pouco mais longa e versátil, num dos seus poucos momentos marcantes no debut.
“Sign Of The Wolf” começa pesada, na execução do bordão afinado meio tom abaixo do padrão, com power chords abafados, acentuando o andamento cadenciado da composição, também original da demo All Your Sins, de 1982. As influências do Hard Rock, Stoner e Heavy Metal tradicional se fazem presentes para dar origem a uma canção elementar ao Doom Metal Tradicional, numa fórmula semelhante à proposta por bandas como Candlemass e Saint Vitus.
A arrastada “The Ghoul”, de 1982, dá seguimento ao play, com linhas vocais cruas e opressivas, com uma letra sombria, sedimentada pelos riffs soturnos de Victor Griffin. “Relentless”, mostra um Pentagram fortemente influenciado pelo Black Sabbath de 1971, com Master Of Reality, num trabalho vocal excelente de Bobby Liebling, inegavelmente comparado aos do Madman, com backings vocals bem encaixados e drives característicos. A composição se destacapor uma levada mais acelerada nas guitarras, com peso e versatilidade e a típica profusão de riffs condenados, contemporâneos a bandas como The Obsessed, Trouble e Saint Vitus.
“Run My Course” é bem marcada pela bateria, no uso constante da caixa no começo da música, e do prato de ataque em sua continuidade, com viradas nas transições dos versos e o uso do hi-hat para a condução da música em passagens mais cadenciadas. Victor Griffin toca riffs pesados e repetitivos, sem muitas variações, chegando ao fim com um solo calcado no blues e uma passagem reforçada pela execução de notas mortas no contra tempo. “Sinister”, resultante da primeira jam session da Death Row, em 1981, inicia com um andamento cadenciado, comum às bandas de Death/Doom da década de 90. Os vocais mais uma vez fortemente influenciados por Ozzy Osbourne, abordam uma temática relativa ao ocultismo. A bateria novamente mostra-se mais dinâmica ao longo da música, com um trabalho interessante na utilização dos pratos e o uso do “cow bell” antecedendo o solo de Griffin.
“The Deist” soa estática em relação ao restante do álbum, com riffs repetidos por vezes seguidas, vocais bem lineares e uma bateria marcada. “You Lost, I’m Free” traz influências evidentes do blues, com uma ambientação, riffs e um solo nostálgico à década de 70, onde mais uma vez vemos características do debut do Sabbath. “Dying World” começa rápida na guitarra, marcada pela bateria sem muita ênfase, enquanto Griffin executa alguns de seus melhores riffs. Uma das melhores composições do álbum no tocante às guitarras, com um solo memorável e passagens geniais, porém, o baixo é quase inaudível, não contribuindo muito ao longo da faixa e as linhas de bateria chegam a ser maçantemente repetitivas, não acompanhado a dinâmica estabelecida pelos riffs de guitarra. A música aborda uma vez mais a temática de um mundo em declínio e de fim evidente. “20 Buck Spin”, ressaltando uma vez mais as influências setentistas fecha o debut do Pentagram.
Relentless soa cru, e realmente é, e embora as comparações com a época clássica do Black Sabbath sejam invitáveis, o álbum possuí também muitos elementos em comum com o Black Sabbath Vol. 4. embora noutra roupagem. Um play elementar para o Doom Metal.
Ficha Técnica
Full-length, Independente
Lançado em Fevereiro de 1985
Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Victor Griffin - Guitarras
Martin Swaney - Baixo
Joe Hasselvander – Bateria
1. Death Row - 04:14
2. All Your Sins - 04:38
3. Sign of the Wolf (Pentagram) - 03:10
4. The Ghoul - 05:14
5.Relentless - 03:50
6. Run My Course - 02:46
7. Sinister - 04:33
8. The Deist - 03:48
9. You're Lost I'm Free - 02:18
10. Dying World - 04:00
11. 20 Buck Spin - 04:20
*A ordem que consta no set list é a do álbum Relenteless, lançado em 1993 pela Peaceville.

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