segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Pentagram - Parte I

Em 1971, no condado de Arligton, Virgínia, EUA, surgia o embrião do Pentagram, formado inicialmente por Bobby Liebling (vocais), Geof O'Keefe (guitarras), Steve Martin (bateria) e Vincent McAllister (baixo), na pretensão de dar início a um projeto focado no Stoner e no Hard Rock de bandas emergentes na época, como Black Sabbath, UFO, Uriah Heep, Sir Lord Baltimore e Deep Purple.

No mesmo ano, o line-up passaria por modificações. Steve Martin deixaria a banda por motivos de divergência com os demais membros, em questão, às suas influências fortes de jazz. Geof, que era baterista em sua antiga banda, Space Meat, assume o posto, enquanto Jonh Jennings integra a banda como guitarrista. No período entre 1971 e 1972, a banda mudaria de nome algumas vezes, e até adotar Pentagram, chamaram-se Virgin Death, Macabre e Wicked Angel.

A formação não duraria muito. Com a saída de Jonh Jennings, que buscava por uma sonoridade mais pesada que a proposta pelo restante da banda, Vincent McAllister assume então as guitarras e Greg Wayne o baixo. Com esta formação lançariam os singles Be Forewarned / Lazy Lady, pela Intermedia Productions e Hurricane / Earth Flight e a primeira demo, pela Boffo Socko. Nos trabalhos, os riffs sombrios e lúgubres de McAllister ganham destaque, atribuindo às guitarras o ponto alto das composições.


Pentagram (1985) - Joe Hasselvander,Victor Griffin, Bobby Liebling, Martin Swaney


Em 1974, Randy Palmer, companheiro de Bobby e Geof na Bedemon, integra o line-up como guitarrista, trazendo consigo algumas de suas composições e contribuindo para a formação de uma identidade musical que faria do Pentagram a banda pioneira do Proto-Doom. Em outubro de 1974, lançaram o single Under My Thumb / When the Screams Come, pela Gemini e quase um ano depois, lançariam sua segunda demo, desta vez de forma independente. Em 1975, Palmer deixa a banda, devido aos seus problemas com drogas e às divergências musicais. No mesmo ano, Bobby deixa a banda, levando consigo os direitos autorais pelo nome Pentagram. O Pentagram entra num hiatus que duraria cerca de seis meses, tendo fim com o retorno de Bobby e a adição de Martin Iverson como guitarrista. No verão de 1976, entram em estúdio para agravação da demo Underground Sound, porém logo a banda passa por uma nova cisão, com Liebling desfalcando o line-up antes mesmo do fim das gravações.

O Pentagram passaria a ser Bobby Liebling (vocais), Randy Palmer (guitarras), Jonh Ossea (bateria). A formação não durou muito tempo, e logo, o Pentagram se resumia novamente à Bobby Liebling. No fim do ano de 1978, a banda retoma atividades com Liebling nos vocais, Richard Kueht e Paul Trowbridge nas guitarras, Martin Swaney no baixo e Joe Hasselvander na bateria. Com esta formação, a banda lança mais um single, Livin' in a Ram's Head / When the Screams Come pela High Voltage. Um ano depois, devido às divergências entre os membros, o Pentagram se dissolve uma vez mais. A banda encerra a década de 70 sem nenhum full lenght lançado.

O Pentagram retorna no começo da década de 80, com membros egressos da Death Row, com Victor Grifin na guitarra, Joe Hasselvander na bateria, Martin Swaney no baixo e Bobby nos vocais. Com uma sonoridade já amadurecida, influenciada pelo Proto-Doom já executado na época por bandas como The Obsessed, Trouble e Saint Vitus, lançam em 1985, seu primeiro álbum, Relentless. Diferentemente do Black Sabbath, o Pentagram, buscava em sua sonoridade a calcificação de um estilo que viria a ser o que hoje conhecemos como Doom Metal, valendo-se de suas influências e ideologias pessoais, consagrando-se como a banda precursora da vertente e uma das pioneiras do subgênero.


Pentagram/Relentless (1985)



Após mais de uma década como uma banda underground, o Pentagram lança em Fevereiro de 1985 seu primeiro full lenght, de forma independente, com uma longa experiência na bagagem e uma proposta musical bem definida: Doom Metal. Relentless (originalmente chamado Pentagram, posteriormente renomeado em 1993, quando relançado pela Peaceville) é basicamente uma compilação de parte do material composto pela banda nos últimos doze anos que antecederam seu lançamento. Fortemente influenciado pelos primeiros álbuns do Black Sabbath, embora não de forma imitativa, o Pentagram executa um som soturno e angustiante, carregado de cinismo nos versos vocalizados por Bobby Liebling, pesado e cadenciado, baseado em acordes menores, através dos riffs bem construídos de Victor Griffin, expressando constantemente um ideal de mal-estar, freqüentemente distorcidos por meio de um fuzzbox. Enquanto o Black Sabbath fazia uma reformulação de sua música, o Pentagram surgia com um som “retrô”, como uma alternativa aqueles que não haviam abandonado o espírito da década de 70.

As influências do Hard Rock, Rock&roll, R&B e música psicodélica foram amadurecidas para compor a sonoridade precisa do Pentagram. Os vocais de Liebling, inevitavelmente comparáveis aos de Ozzy Osbourne do Black Sabbath e a Dickie Peterson do Blue Cheer, mostram-se elementares para a criação de um clima sombrio, concentrando-se no estabelecimento de boas melodias vocais nas canções. Diferente do que se via em bandas contemporâneas suas, o Pentagram aposta num som embora cadenciado, com um andamento mais rápido. O peso conferido às guitarras é graças à afinação grave utilizada, variando entre meio tom e um tom e meio abaixo do padrão. Os solos de guitarra não são freqüentes, porém, quando ocorrem, mostram um feeling arrastado e melódico. Baixo e bateria mostram interação, na maioria das vezes na função de preencher a música, não apresentando passagens de grande destaque com freqüência.

O play tem início com “Death Row”, faixa que contém todos os elementos que fizeram do Pentagram uma referência para o Doom Metal. Composta em 1981, quando a formação do Pentagram integrava a Death Row, traz riffs pesados e repetitivos e um solo melódico, influenciados pelo trabalho de Tony Iommi, porém num andamento mais acelerado, em semelhança ao que vemos em N.I..B., do debut do Sabbath, porém, em “Death Row” há um baixo com simples função de marcação, assim como a bateria, sem grandes momentos ao longo da música. A letra trata de alguém às vésperas da morte, com vocais seguindo a linha mais tradicional do Heavy Metal.

Original da demo de mesmo nome, lançada em 1982 , “All Your Sins” possuí um riff pesado e sombrio, repetido seguidas vezes, ressaltado pelos versos atormentados de Bobby Liebling, prenunciando um fim apocalíptico, mostrando já certa versatilidade em relação à faixa anterior, soando agora de forma mais arrastada. A música chega ao fim com uma virada de bateria um pouco mais longa e versátil, num dos seus poucos momentos marcantes no debut.

“Sign Of The Wolf” começa pesada, na execução do bordão afinado meio tom abaixo do padrão, com power chords abafados, acentuando o andamento cadenciado da composição, também original da demo All Your Sins, de 1982. As influências do Hard Rock, Stoner e Heavy Metal tradicional se fazem presentes para dar origem a uma canção elementar ao Doom Metal Tradicional, numa fórmula semelhante à proposta por bandas como Candlemass e Saint Vitus.

A arrastada “The Ghoul”, de 1982, dá seguimento ao play, com linhas vocais cruas e opressivas, com uma letra sombria, sedimentada pelos riffs soturnos de Victor Griffin. “Relentless”, mostra um Pentagram fortemente influenciado pelo Black Sabbath de 1971, com Master Of Reality, num trabalho vocal excelente de Bobby Liebling, inegavelmente comparado aos do Madman, com backings vocals bem encaixados e drives característicos. A composição se destacapor uma levada mais acelerada nas guitarras, com peso e versatilidade e a típica profusão de riffs condenados, contemporâneos a bandas como The Obsessed, Trouble e Saint Vitus.

“Run My Course” é bem marcada pela bateria, no uso constante da caixa no começo da música, e do prato de ataque em sua continuidade, com viradas nas transições dos versos e o uso do hi-hat para a condução da música em passagens mais cadenciadas. Victor Griffin toca riffs pesados e repetitivos, sem muitas variações, chegando ao fim com um solo calcado no blues e uma passagem reforçada pela execução de notas mortas no contra tempo. “Sinister”, resultante da primeira jam session da Death Row, em 1981, inicia com um andamento cadenciado, comum às bandas de Death/Doom da década de 90. Os vocais mais uma vez fortemente influenciados por Ozzy Osbourne, abordam uma temática relativa ao ocultismo. A bateria novamente mostra-se mais dinâmica ao longo da música, com um trabalho interessante na utilização dos pratos e o uso do “cow bell” antecedendo o solo de Griffin.

“The Deist” soa estática em relação ao restante do álbum, com riffs repetidos por vezes seguidas, vocais bem lineares e uma bateria marcada. “You Lost, I’m Free” traz influências evidentes do blues, com uma ambientação, riffs e um solo nostálgico à década de 70, onde mais uma vez vemos características do debut do Sabbath. “Dying World” começa rápida na guitarra, marcada pela bateria sem muita ênfase, enquanto Griffin executa alguns de seus melhores riffs. Uma das melhores composições do álbum no tocante às guitarras, com um solo memorável e passagens geniais, porém, o baixo é quase inaudível, não contribuindo muito ao longo da faixa e as linhas de bateria chegam a ser maçantemente repetitivas, não acompanhado a dinâmica estabelecida pelos riffs de guitarra. A música aborda uma vez mais a temática de um mundo em declínio e de fim evidente. “20 Buck Spin”, ressaltando uma vez mais as influências setentistas fecha o debut do Pentagram.

Relentless soa cru, e realmente é, e embora as comparações com a época clássica do Black Sabbath sejam invitáveis, o álbum possuí também muitos elementos em comum com o Black Sabbath Vol. 4. embora noutra roupagem. Um play elementar para o Doom Metal.

Ficha Técnica

Full-length, Independente
Lançado em Fevereiro de 1985

Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Victor Griffin - Guitarras
Martin Swaney - Baixo
Joe Hasselvander – Bateria

1. Death Row - 04:14

2. All Your Sins - 04:38

3. Sign of the Wolf (Pentagram) - 03:10

4. The Ghoul - 05:14

5.Relentless - 03:50

6. Run My Course - 02:46

7. Sinister - 04:33

8. The Deist - 03:48

9. You're Lost I'm Free - 02:18

10. Dying World - 04:00

11. 20 Buck Spin - 04:20


*A ordem que consta no set list é a do álbum Relenteless, lançado em 1993 pela Peaceville.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Black Sabbath - Parte Final

Conclusões

Os álbuns que sucederam Master Of Reality mostram alterações relevantes à sonoridade da banda, a começar pela influência do rock progressivo em Vol.4 (1972) e consolidação desta nova visão de forma ainda mais nítida em Sabbath Bloody Sabbath (1973). Daí em diante o Black Sabbath passou a experimentar vários elementos que viessem a acrescentar em sua sonoridade, desviando-se cada vez mais de suas raízes, e deste modo não vejo como necessário incluir álbuns posteriores a 1971 nas resenhas.

Indiscutivelmente, o Black Sabbath, ao lado de bandas como Deep Purple, Led Zeppelin, UFO e Rainbow, criaram as bases para o Heavy Metal, atribuindo novos conceitos ao que se podia considerar como “música pesada”. Em minha visão pessoal, considero o Black Sabbath imprescindível para o surgimento do Doom Metal, porém, creio que considerá-los pais do Doom é algo questionável.

Nos álbuns resenhados, vemos que muito do que foi feito no período entre 1970 e 1971, foi assimilado por bandas dos mais diversos subgêneros, em especial o Proto-Doom e o Stoner, porém, assim como o Venom, com Black Metal (1982) e Bethlehem, com Dark Metal (1994), Black Sabbath (1970), foi um álbum visionário, que apresentou ao mundo novos referenciais.

Em 1982, o Venom trazia um debut que propunha o terror, uma música satânica, de criticas religiosas com posicionamento inquestionavelmente herético. Porém, tratando de sonoridade, o que o Venom mostrou em Welcome To Hell (1981), Black Metal (1982) e At War With Satan (1983), foi um Thrash Metal, ou com argumentos mais embasados, talvez até um rock&roll com uma temática ainda mais sombria e ímpia que o Black Sabbath. Black Metal (1982) proporcionou novas visões e tornou-se um marco da música pesada, porém, toda a polêmica gerada em torno do cenário norueguês no fim da década de 80 e início de 90, pôs em questionamento muito do que se acreditava ser “Black Metal”, em relação tanto à ideologias quanto sonoridade, estética e comportamento.

Por sua vez, o Bethlehem, em Dark Metal (1994) construía um som singular, ora tenso e soturno, ora esquizofrênico e brutal e por vezes suave, originando uma tendência que viria a ser seguida por bandas de sonoridade igualmente peculiar, fundamentando um dos rótulos mais confusos do metal.


Black Sabbath


Com “Hand Of Doom”, segundo muitos, o Black Sabbath daria nome a um estilo, porém, a tendência gerada pela banda ainda era limitada à definição de “Heavy Metal”. Black Sabbath (1971), Paranoid (1970) e Master Of Reality (1971) foram determinantes, de fato, porém a função de rotular, assim como nos casos citados anteriormente, se fez mais adequada. A meu ver, o Proto-Doom surge em 1971, com o Pentagram, valendo-se dos riffs pesados e frases repetitivas, harmonias sombrias, andamentos cadenciados e uma atmosfera melancólica, igualmente importante em termos conceituais, porém não tão “evidente” quanto o Black Sabbath. Ambas mostram diversas características em comum, apostando num som mais cadenciado, voltado para o bues e o rock&roll, mas que na época era tido simplesmente como Heavy Metal. O Pentagram foi a primeira banda a associar os elementos do Black Sabbath tidos como “Doom” de forma a originar conscientemente algo à parte. Todos os méritos ao quarteto de Birmingham, mas o título de “pais do Doom Metal” não lhes cabe de forma precisa.

Músicas recomendadas:

Black Sabbath, Paranoid, War Pigs, Hand Of Doom, Sweet Leaf, N.I.B., Children Of The Grave, Sleeping Village, The Wizard, After Forever.

Fontes:

Whiplash! Rock e Heavy Metal: whiplash.net

Enciclopaedia Metallum: The Metal Archives: metal-archives.com

Black Sabbath: Doom Let Loose - Martin Popoff

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Black Sabbath - Parte II

Paranoid (1970)



No dia exato da morte de Jimi Hendrix, o Black Sabbath lançava o sucessor de seu primeiro álbum. O mundo via surgir um disco determinante para o Rock e o Heavy Metal, uma compilação das mais brilhantes composições do quarteto inglês. A situação política da época, com o conflito entre os EUA e o Vietnã gerou toda uma movimentação por parte de uma juventude tomada por ideais de sentimento coletivo, que clamava pelo fim da guerra, indo às ruas em protesto, focada nas transformações da consciência, dos valores e do comportamento da sociedade, ideário típico do movimento conhecido como Contracultura. Neste contexto Paranoid é lançado. A gravação do álbum durou quatro dias e a produção novamente ficou por conta de Rodger Bain.

Assim como em Black Sabbath, Paranoid mantém um direcionamento soturno em suas composições, abordando temas relativos ao ocultismo e a influência das forças das trevas sobre o mundo em que vivemos, criando um clima constante de pesadelo e angústia. A banda mostrava-se bem politizada, num posicionamento de crítica ao governo e a guerra, dando seu ponto de vista sobre um assunto ao qual a maioria temia falar. O mundo via a Guerra do Vietnã como um assunto tabu e logo em sua primeira faixa, Paranoid rompe os parâmetros vigentes, atingindo diretamente na ferida.

"War Pigs" apresenta ainda fortes influências do jazz, com riffs antológicos de Iommi e uma marcação concisa nos tempos fortes, tal como as marchas militares, enquanto o som de uma sirene é ouvido ao fundo. Com mudanças de andamento constantes, a música vai de passagens cadenciadas ao caos sonoro, nos versos anti-belicistas vociferados por Ozzy e os solos de guitarra hipnóticos, de toques psicodélicos, chegando ao fim após quase oito minutos. Uma crítica direta à guerra e aos poderes políticos e militares por trás do conflito.

"Paranoid" vem com uma levada mais acelerada, um verdadeiro clássico do Heavy Metal, exercendo influência não apenas para as bandas do estilo, repercutindo também no cenário punk da época. Os vocais de Ozzy conferem à composição um clima de histeria, intrínseco à letra. Com riffs violentos de guitarra e linhas de bateria dinâmicas, apesar de sua simplicidade, sem dúvidas assim como as demais faixas do debut, muito acrescenta à posteridade. Guitarra e baixo executam exatamente as mesmas notas em boa parte da música, tornando-a ainda mais pesada, uma tendência comum às bandas atuais.

"Planet Caravan" é uma viagem musical, predominantemente acústica, de caráter experimental e carregada de influências do jazz, utiliza bongôs para um trabalho interessante de percussão. Os vocais arrastados e característicos de Ozzy, potencializados por um amplificador de teclado Leslie, criam uma atmosfera alucinógena. Com um solo de violão a composição chega ao fim, deixando uma sensação pós-apocalíptica, reforçada por sua letra fantasiosa.

A tranqüilidade gerada por "Planet Caravan" logo é rompida por um dos riffs mais pesados compostos por Tony Iommi. "Iron Man" inicia com a marcação de Ward no bumbo, a guitarra distorcida e um vocal sintetizado de Ozzy, numa atmosfera sombria, seguindo por riffs lendários. As linhas de bateria mostram o dinamismo de Ward, com viradas velozes e marcações cortantes nos tempos fortes, valendo-se do prato de ataque para acentuar o som. A faixa tem seu ápice após um intervalo fantástico, por volta dos três minutos, e então Iommi executa um de seus solos mais poderosos. Sem dúvidas, "Iron Man" foi a música mais pesada da década de 70 e um clássico inquestionável do Heavy Metal.

"Electric Funeral" gera um ambiente de condenação, recriando a sensação eminente do fim presente em algumas composições do debut da banda, de forma crua e opressiva, através dos vocais ameaçadores de Ozzy. Os riffs soturnos de Iommi, complementados pelo efeito do pedal Wah wah, seguem de forma arrastada, mudando de andamento adiante, com a execução de notas mais altas e retornando às passagens cadenciadas por fim. "Hand of Doom" começa com um andamento lento, rompido logo pelos refrões poderosos, numa temática de morte, dor, sofrimento e desilusão por meio do domínio total de substâncias entorpecentes. Os vocais expressivos de Ozzy, indo de versos calmos aos mais caóticos, e as linhas de baixo sombrias de Geezer, conduzindo a música após os riffs pesados de guitarra, conferem à composição uma ambientação tensa, característica determinante à muito do que a banda produziu no começo da década de setenta. Arrastada, pesada, sombria e para muitos considerada como influência inquestionável para a rotulação do Doom Metal como tal, "Hand of Doom" mostra um Sabbath dinâmico, alternando de forma eficiente entre a calmaria e a distorção, mantendo uma atmosfera condenada, que consagrou a banda por sua sonoridade única.

A instrumental "Rat Salad" vem em seguida, com destaque evidente para as progressões de Ward e os riffs crescentes de guitarra, ressaltando mais uma vez a influência do blues, que marca também "Jack the Stripper/Fairies Wear Boots", fechando o play "Jack the Stripper/Fairies Wear Boots", influência para bandas de Stoner, mantém as bases musicais vistas no primeiro álbum dos ingleses, de raízes calcadas no blues, jazz e rock&roll, com riffs únicos de Iommi, destacando também a atuação brilhante de Bill Ward.

Ficha Técnica

Full-length, Warner / Vertigo
Lançado em 18 de Setembro de 1970

Line-up:
Ozzy Osbourne - Vocais

Tony Iommi - Guitarras, Teclados
Terrance "Geezer" Butler - Baixo
Bill Ward - Bateria

Produzido por Rodger Bain para Tony Hall Enterprises

Lado 1

1. War Pigs/Luke's Wall – 7:57
2. Paranoid – 2:52
3. Planet Caravan – 4:32
4. Iron Man – 5:58

Lado 2

1. Electric Funeral – 4:52
2. Hand of Doom – 7:07
3. Rat Salad – 2:31
4. Jack the Stripper/Fairies Wear Boots – 6:15


Master Of Reality (1971)



Como uma banda significativamente diferente daquela que em Fevereiro de 1970 lançava seu debut, o Black Sabbath retorna aos estúdios no ano seguinte, desta vez no Record Plant, em Los Angeles, como uma banda consciente de sua proposta e a meta de fazer, até então, o que seria seu mais pesado álbum. Para tanto, o registro contaria com seus instrumentos harmônicos utilizando uma afinação um tom e meio abaixo da original. O processo de gravação durou seis dias e contou uma vez mais com a produção de Rodger Bain.

As influências dos trabalhos anteriores continuam presentes, porém Master Of Reality traz uma sonoridade simples e despojada, ainda mais pesada e cadenciada, um som direto, diverso e experimental, referência indubitável para bandas de Doom Metal e Stoner. Master Of Reality, mostra coesão do início ao fim, com riffs que vão do folk ao psicodélico, inconfundíveis em sua simplicidade. Neste álbum os solos de guitarra apresentam-se precisos e eficientes, embora não tão freqüentes quanto em Paranoid. Os vocais de Ozzy parecem ganhar mais força, variando constantemente. A sintonia entre Ward e Butler é magistral, as linhas de baixo ganham mais destaque neste álbum, enquanto a bateria mostra eficácia em quebradas de tempo e performances poderosas nas passagens. É importante salientar o uso de sintetizadores, não apenas no princípio e fim das músicas, mas também em seu desenvolvimento, característica inédita até então nas composições do Sabbath.

"Sweet Leaf" tem inicio com uma tossida, antecedendo um dos maiores riffs já criados por Iommi, original e pesado, seguindo com levadas de bateria marcando a primeira metade da música e viradas dinâmicas nas transições, acentuadas pelo uso do prato china. Ozzy mostra uma evolução evidente em sua performance vocal. Em apologia à maconha, a carga emocional presente em sua voz acentua a dependência da banda à droga naquela época. "Sweet Leaf" é sem dúvida uma referência para o Stoner, numa ambientação escuramente psicodélica e mística.

"After Forever" começa com um sintetizador funesto e modulado, remetendo ao blues e ao jazz em sua continuidade na guitarra, com uma introdução consideravelmente alheia aos padrões estabelecidos nos álbuns anteriores, um tanto alegre. Com um solo calcado no blues, levadas com toques de funk, e os típicos riffs pesados, Iommi confirma sua versatilidade. A letra manifesta uma posição cristã acusatória contra a hipocrisia do mundo em relação à religião, onde Ozzy mostra mais segurança nos vocais, com um tom questionador em seus versos. O baixo é essencialmente pesado nesta composição, conduzindo-a. O sintetizador se faz presente nas passagens que antecedem os versos e também no fim da composição, criando um plano de fundo atípico ao que se via anteriormente no Black Sabbath.

A instrumental "Embryo" com elementos de polka, música folclórica inglesa e composições medievais, atua como introdução para a revolucionária "Children Of The Grave", num fade in explossivo, de seguimento pesado, com riffs cavalgados, esbanjando originalidade. Os vocais de Ozzy mais uma vez se sobressaem, marcados por um feeling nos agudos de forma inspirada. Bateria e baixo mostram uma sintonia perfeita, criando a base ideal para os harmônicos de Iommi. Um break cadenciado, com a presença mais uma vez dos sintetizadores, retornando em seguida ao verso, em continuidade num solo memorável, terminando com sintetizadores executando bends soturnos. "Children Of The Grave" apresenta uma dinâmica muito associada às bandas de Stoner, sendo referência para o estilo.

"Orchid", outra faixa instrumental, remete à calmaria após o baque de sua antecessora. Uma curta passagem acústica com dedilhados bem executados e um fundo modulado, mais uma vez efetuado pelo sintetizador. "Lord Of This World" segue com riffs estáticos, atribuindo um andamento cadenciado à música. Durante os versos, o baixo e a guitarra mostram grande sintonia, garantindo peso à composição, seguindo num solo com guitarras intercaladas, esbanjando feeling, acompanhado de uma ótima base de Butler. Nesta faixa em especial, é possível notar o uso do "cowbell" acentuando a marcação na bateria. Assim como algumas outras composições do debut, "Lord Of This World" parece tentar redimir o Sabbath da imagem de "roqueiros satânicos" que lhes foi atribuída com os álbuns anteriores.

Em "Solitude", Ozzy mostra a variedade de seu timbre, numa composição viajante, com uma flauta desfalecida e um piano ao fundo, criando uma atmosfera nebulosa, insólita, com elementos fortes da música folk, idealizando um cenário intimista e profundo em presságio ao fim e ao desapego do mundo material.

Apocalíptica, prevendo o fim de um mundo imerso em valores tecnocratas e em total desprendimento aos conceitos tradicionais, "Into The Void" fecha o álbum, com passagens pesadas acentuadas pelo baixo e riffs cadenciados, onde bends, slides e vibratos conferem uma configuração macabra à música, marcada também por uma passagem mais rápida, com uma mudança de andamento característica ao que muitas bandas de Thrash Metal fariam posteriormente, chegando ao fim com um solo típico de Iommi.

Em definitivo, Master Of Reality trouxe ao mundo novos conceitos, sendo estes determinantes para os mais abrangentes gêneros do tlo desposteriormente, cenferem uma acentuaç e a guitara em sinta vez efetuado por sintetizadorrso, em continuidade num solo memetal, um clássico inquestionável e um feito de qualidade absoluta, para uma banda geradora de tendências, que num intervalo de pouco mais de dois anos, deu a luz a três dos maiores álbuns da história da música pesada.

Ficha Técnica

Full-length, Warner
Lançado em 1 de Julho de 1971

Line-up:
Ozzy Osbourne - Vocais
Tony Iommi – Guitarras, Teclados e Sintetizadores
Terrance "Geezer" Butler - Baixo
Bill Ward - Bateria

Produzido por Rodger Bain para Tony Hall Enterprises

1. Sweet Leaf – 05:05

2. After Forever – 05:26

3. Embryo – 00:28

4. Children of the Grave – 05:17

5. Orchid – 01:31

6. Lord of This World – 05:26

7. Solitude – 05:02

8. Into the Void – 06:12



sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Black Sabbath - Parte I

O Black Sabbath, formado em 1968 em Birmingham, Inglaterra, é considerado por muitos como a banda precursora de várias vertentes do metal, inclusive do Doom Metal, rótulado muitas vezes como pertencente ao subgênero Proto-Doom. Pioneiros em muito do que fizeram, Ozzy Osbourne (vocais), Tony Iommi (guitarras), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria), tomaram de assalto o cenário musical nos anos 70 e 80, com o peso de suas composições, suas letras sombrias, sua forma de tocar e por todo o misticismo que envolveu seus primeiros álbuns, inovadores, revolucionários e sem dúvida, muito influentes na história do rock.


Black Sabbath - Geezer Butler (baixo), Tony Iommi (guitarras), Bill Ward (bateria) e Ozzy Osbourne (vocais)


Muitos foram os projetos que antecederam o Black Sabbath, a contar The Rest, Music Machine, Mythology, Rare Breed, Polka Tulk Blues Band (posteriormente Polka Tulk) e Earth, num período de aproximadamente quatro anos (1966 a 1970). Com um som inicialmente calcado no rock&roll, jazz e num blues mais pesado, executavam covers de bandas como Jimmy Hendrix, Blue Cheer, Cream e The Beatles, buscando por uma sonoridade única que não tardaria a surgir, aliando suas influências ás guitarras distorcidas, com um peso nunca visto até então.

Criadores de tendência, Black Sabbath (1970), Paranoid (1970) e Master Of Reality (1971) trazem às bases da música pesada e elementos construtores que conceituam o que hoje conhecemos por Doom Metal.


Black Sabbath (1970)



Numa sexta-feira 13, em Fevereiro de 1970, o Black Sabbath lançava seu primeiro álbum, de título homônimo. O debut contém as características primordiais do estilo que posteriormente viria a ser conhecido como Heavy Metal. O álbum revolucionário trazia um peso absurdo para a época, com guitarras distorcidas e influências claras de blues, jazz e rock&roll.

Apostando numa atmosfera musical mais sombria e temas ocultistas, em grande parte por conta do fascínio de Geezer pelo sobrenatural e em contraponto a uma juventude que ansiava por modos de vida e de pensamentos alternativos aos rígidos padrões morais e éticos conservadores, o Black Sabbath conseguiu propiciar com este álbum uma das maiores revoluções musicais ocorridas na história do rock. O timbre "peculiar" de Ozzy originava linhas vocais selvagens e tomadas de desespero, remetendo a uma angústia extrema, que muito contribuía para o clima soturno que permeava o play. A sintonia entre Geezer e Ward somadas aos riffs inovadores de Iommi fizeram de Black Sabbath um álbum arrojado e original, um clássico, influência clara para muito do que foi produzido no rock/metal posteriormente.

O álbum foi gravado com uma mesa de som de quatro canais e produzido por Roger Bain, registrado em 12 horas e mixado em três dias pela quantia de 600 libras esterlinas. Acredita-se que já nesta época Iommi utilizava uma afinação mais grave para sua guitarra (C#), devido ao problema em seus dedos, que exigia com que ele tocasse com cordas mais frouxas que o convencional, gerando uma sonoridade mais pesada, de timbre característico. Esta mesma afinação tem sido adotada por muitas bandas de Doom, e a utilização de afinações mais graves tornou-se uma das características da vertente.

A introdução da clássica "Black Sabbath" tem início com o som de chuva e badaladas de sinos. A atmosfera tempestuosa mistura-se á guitarra distorcida de Iommi, originando um clima tenso e sombrio, intencionalmente trabalhado por meio do trítono, no intervalo entre G e C#, valendo-se de trilos e vibratos, calcificando o peso da música. A levada cadenciada e o vocal de Ozzy transmitem ao ouvinte uma sensação de angústia e tormento, reforçada por uma letra tenebrosa com desfecho apocalíptico. Com uma mudança de tempo na metade da música, que se torna rápida e ainda mais pesada, o Black Sabbath mostra um cenário de destruição total do mundo como conhecemos. Nesta primeira faixa, a banda anuncia a que veio, preparando o espectador para o que estaria adiante. "Black Sabbath" traz elementos determinantes para o Doom. O andamento lento, as passagens cadenciadas, o clima sombrio criado por tons menores e pesados, a constante angústia do interprete, uma idéia de fim eminente e ainda a longa duração da composição.

Os riffs pesados e a gaita marcante dão continuidade ao play com "The Wizard", apresentando elementos assimiláveis para o que viria a ser o Proto-Doom, com riffs pausados, marcados pelo peso, seguindo a linha do Hard Rock dos anos 60, influenciado pelo blues e combinando características do jazz, com toques psicodélicos e andamento ligeiramente maior.

"Behind The Wall Of Sleep", baseada na novela gótica de H.P. Lovecraft "Beyond the Wall of Sleep" (1919), traz uma profusão de riffs, gerando uma atmosfera musical surpreendente, com linhas de baixo bem construídas e uma das mais inspiradas performances vocais de Ozzy. O clássico "N.I.B." tem início com um solo de baixo magistral, seguido de mais dos riffs únicos de Iommi, que executa um de seus mais marcantes solos. Composição louvável, com destaque mais uma vez para a interpretação de Ozzy. A letra segue a proposta soturna do álbum, abordando um romance entre Satã e uma mulher humana.

"Evil Woman", cover da banda Crow, mostra um Hard Rock aos moldes sessentistas, seguida da acústica "Sleeping Village", que tem como introdução uma composição brilhante. Lúgubre e atmosférica, propicia uma sensação de angústia e a impressão de fim presente em "Black Sabbath" torna a vir à tona, originando um clima emocional forte e intimista, graças ao vocal de Ozzy e os dedilhados precisos de Iommi. "Sleeping Village", com suas passagens acústicas introspectivas, trouxe elementos determinantes para muitas bandas de Doom.

Na épica "Warning", o Black Sabbath esbanja competência com riffs precisos de Iommi e um trabalho excepcional de Butler e Ward, somados aos vocais inquietantes de Ozzy. Uma viagem musical, cover de Ansley Dunbar’s Retaliation. A versão americana conta com a faixa "Wicked World" no lugar de "Evil Woman", devido a problemas autorais. "Wicked World" é marcada pelos riffs de Iommi e ótimas viradas de Ward, além de um vocal inspirado de Ozzy. O play chega ao fim deixando traços óbvios do que se podia esperar de seu sucessor.

Ficha Técnica

Full-length, Warner / Vertigo
Lançado em 13 de Fevereiro de 1970

Line-up:
Ozzy Osbourne - Vocais,Gaita
Tony Iommi - Guitarras
Terrance "Geezer" Butler - Baixo
Bill Ward - Bateria

Produzido por Rodger Bain para Tony Hall Enterprises.
Arranjos de Tom Allom e Barry Sheffield.

Edição UK

Lado 1

1. Black Sabbath – 6:16
2. The Wizard – 4:24
3. Behind the Wall of Sleep – 3:38
4. N.I.B. – 6:06

Lado 2

1. Evil Woman (Don't Play Your Game With Me) (Dave Wagner, Dick Weigand, Larry Weigand – Crow) – 3:25
2. Sleeping Village – 3:46
3. Warning (Aynsley Dunbar, John Moorshead, Alex Dmochowski, Victor Hickling – Ansley Dunbar’s Retaliation ) – 10:32

*Wicked World – 4:47

*A introdução de "Behind the Wall of Sleep" se chama "Wasp"
**A introdução de "N.I.B." se chama "Bassically"
***A introdução de "Sleeping Village" se chama "Bit of Finger"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Proto-Doom

Não exatamente enquadrado como um subgênero do Doom Metal, devido a sua sonoridade em fase de construção, o Proto-Doom é um rótulo utilizado convencionalmente para classificar determinadas bandas que contribuíram para a formação do estilo, com uma musicalidade característica, original da década de setenta, que assimila andamentos cadenciados, ambientações sombrias e peso como principais elementos.

A calcificação da sonoridade das bandas precursoras do estilo se fundamenta a principio com o Hard Rock de meados para o final da década de sessenta, assim como o Rock Psicodélico, mais precisamente o Acid Rock, caracterizado por longos solos de guitarra e improvisações (por sua vez, trazidas do jazz e do blues). O Blue Cheer, formado no fim dos anos 60, trazia uma sonoridade calcada no Blues e no Rock&Roll, executando canções à frente de sua época, que resultavam em composições com um peso até então inédito, iniciando o que viria a ser o Heavy Metal. Na mesma época, a Black Widow, tocando um Rock Progressivo mesclado ao Hard Rock, trazia letras de abordagens místicas e ocultistas e também a temática satânica, além de suas performáticas apresentações, atraindo a atenção do público por seu posicionamento transgressor.


Blue Cheer,1968, Dickie Peterson(Baixo, vocais), Leigh Stephens(Guitarras), Paul Whaley(Bateria)


Em 1968, o Deep Purple incorporava elementos de Música clássica, Blues-Rock, Pop e Rock Progressivo e também inovava, com riffs simples, porém potentes e solos marcantes de guitarra. O Cream assimilava à sua música elementos também do jazz, principalmente em relação à bateria. A banda inglesa, assim como The Jimmy Hendrix Experience teve grande impacto na época, influenciando toda uma geração e além.

Em 1970, o debut homônimo do Black Sabbath tornaria o quarteto inglês um ícone da história do Rock, como precursores do Heavy Metal e banda seminal para o desenvolvimento do Doom Metal. Puramente uma banda de Proto-Metal, incorporavam elementos do Blues, Jazz, Rock&Roll, Hard Rock, Stoner e do Rock Psicodélico, originando uma sonoridade sombria, ambientada de forma lúgubre e cadenciada, com timbres de guitarra que soavam soturnos por seu peso, distorção e afinações graves. Suas letras abordavam temas de ocultismo e terror e canções como “Black Sabbath”, “Hand Of Doom” e “Sweet Leaf” tornaram-se clássicos para o Doom e Stoner. A genialidade de Tony Iommi, com seus riffs memoráveis foi influência para boa parte das bandas da época, assim como os vocais de timbre semelhante ao de Ozzy (e também Dickie Peterson, do Blue Cheer), comumente associados ao Proto-Doom.


Ozzy Osbourne, front man do Black Sabbath


Do som revolucionário do Black Sabbath, bandas como Pentagram, Bedemom, Death Row e Witchfinder General extraíram os elementos necessários para o início de trabalhos sobre uma nova concepção. Surgia então o Proto-Doom. A pioneira Pentagram trabalhou mediante a influência do Sabbath em uma sonoridade diferente e de propósito definido, porém o resultado final ainda mostrava-se preso aos parâmetros da época e ainda não era Doom, mas sim algo que viria a ser, efetuando-se a década de oitenta, com o lançamento do debut Pentagram/Relentless.

O subgênero, que embora tenha como grandes nomes as bandas das décadas de setenta e oitenta, é também executado por bandas mais novas, como Agnosis, Lyijykomppania, Northwinds, de sonoridade contemporânea, porém buscando a essência da década de setenta em timbres orgânicos e ambientação nostálgica, tendo influências em comum com as bandas de três décadas atrás.

Uma das discussões mais pertinentes à cerca das origens do estilo é a classificação do Black Sabbath. Alguns defendem que a banda criou o Doom Metal e consequentemente a rotulam como tal, mas eu particularmente discordo. O Proto-Doom é um rótulo auto-explicativo, onde o Proto deriva de protótipo, ou seja, o primeiro exemplar de algo do qual modelos posteriores tomarão bases. Esse é exatamente o caso do quarteto inglês, uma banda pioneira com sua musicalidade, porém aplicada ao Heavy Metal e estendida a este intento, não tendo como objetivo a formulação de um som baseado apenas em seus aspectos mais sombrios, o que viria a ser trabalhado exatamente pelo Pentagram.

Indubitavelmente comprovamos isso com composições como “Rat Salad”, “Evil Woman” ,“Fairies Wear Boots” e até mesmo “Paranoid”. A essência do Doom Metal foi extraída de músicas como “Black Sabbath”, “Hand Of Doom” e “Sleeping Village”, em análise, estéticamente discrepantes em relação às anteriormente citadas. Enquanto músicas como “Sweet Leaf” e “Children Of The Grave” influenciariam diretamente o Stoner, “Paranoid” pode ser assimilada com influência ao Speed Metal e “Symptom of the Universe” para o Death Metal. O leque de estilos influenciados pelo Black Sabbath é vasto e em cima de seus registros inicias as primeiras bandas de Proto-Doom construíram sua música. Acredito então que o mais adequado seria classificar a banda como Proto-Metal, pois mesmo depois de sua consolidação como Heavy Metal, Tony Iommi e seus companheiros nunca exerceram um trabalho direcionado ao Doom de forma direta, apenas concederam elementos que foram absorvidos de diferentes formas para a origem de uma nova concepção musical. Por fim, acredito que o Proto-Doom não é Doom de fato, mas sim um subgênero em estado de fundamentação.