quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

The Obsessed - Parte Final

Lunar Womb (1991)


Lunar Womb, mais um registro lançado pela Hellhound Records em parceria com Wino, antecede a trágica morte de Danny Hood num acidente de motocicleta. Após a dissolução do antigo line up e a passagem do baterista Dale Corver pela banda, Greg Rogers e Danny Hood, respectivamente baterista e baixista do Acid Clown são convidados por Wino para gravar o segundo álbum do The Obsessed, porém o inoportuno incidente exigiu que um novo baixista fosse chamado para substituir Danny e então Scott Reader assumiu o posto de baixista na banda.

O impacto que este álbum causou foi tamanho que a Columbia Records logo demonstrou interesse pela banda, que acabou fechando contrato com a gravadora para a prensagem de seus futuros trabalhos. Lunar Womb é um álbum sufocante, que expressa um ódio crescente e se distância de certa forma da sonoridade do play anterior e mais singular aos álbuns que Wino gravou com o Saint Vitus, assumindo um caráter mais enérgico, embora ainda pessimista e maldito e obviamente pesado. Os elementos condenados que atribuíram à banda a notável fama de precursora do Doom Metal estão presentes nas passagens mais lentas e em sua geral ambientação, densa, carregada de incredulidade e negação.

Algumas das mais brilhantes composições da carreira de Wino estão contidas neste álbum, que é um clássico inquestionável do Doom Metal, conseguindo exceder as expectativas geradas por seu antecessor, numa mistura do Classic Rock com o Punk e às influências de Black Sabbath. A dinâmica entre Reeder, com suas linhas de baixo consideravelmente expressivas, embora simples, e a condução precisa de Roger complementou de forma magistral a profusão de riffs de Wino, categoricamente distorcidos e pesados, tornando Lunar Womb um trabalho indispensável na discografia da banda, direto, cru e visceral, construído para ser tão maldito quanto realmente é.

As guitarras soam originais, ainda arrastadas e graves, mostram também momentos de boa desenvoltura em solos bem construídos, numa pegada mais rock&roll e um timbre mais psicodélico, também com influências mais evidentes do punk e riffs consideravelmente impregnados pelas marcas do Blues, com efeitos de chorus que lhes atribuem características oitentistas. Ao contrário de muitos, Wino consegue neste álbum sobrepujar a influência de Tony Iommi num som dotado de identidade, não mais comparável às clássicas Pentagram e Black Sabbath, soando verdadeiramente próprio.

Os vocais de Wino apresentam-se de versatilidade incrível, de forma angustiante e ao mesmo tempo agressiva e por vezes opressiva, em mais uma entrega total de sua capacidade às composições. Seu impostamente vem do âmago, permeando o disco com sua personalidade. A bateria uma vez mais se mostra na função de marcação, enquanto Scott Reader confere mais peso e versatilidade com linhas de baixo presentes, acrescentando peso às composições. A parte lírica aborda uma temática pessimista e reflexiva, relativa à morte, tristeza, fim e condenação. A arte da capa é da pintura “Saturno devorando a um filho”, do espanhol Francisco Goya.

“Blue Brother Steel” inicia o álbum de forma opressora e intimidante, prenunciando um disco mais veloz e agressivo. Os vocais de Wino fluem junto com os riffs arrastados de guitarra, contrastando com um baixo pulsante e uma bateria marcada, numa ambientação selada e vigilante, partindo para um andamento veloz, poderoso e intenso, original como toda a obra da banda. Destaque também para as linhas de bateria com grooves bem encaixados e pedais precisos.

“Bard” revelas às fortes influências do Punk, com uma sonoridade singular aos trabalhos do Blag Flag, ressaltando um baixo pulsante e carregado de peso, com uma bateria veloz e uma impostação vocal de Wino bem mais agressiva que o convencional, numa letra condenada e tocada pelo ódio. “Hiding Mask” é um dos pontos altos do disco, uma composição intensa carregada de uma forte carga emocional. A música soa esmagadora, com guitarras simples, porém eficazes e diretas, favorecendo o brilhantismo do desempenho de Wino nos versos líricos. Uma atmosfera soturna é estabelecida em sua introdução, cedendo espaço à riffs distorcidos e um baixo pesado, esbanjando pessimismo em seu seguimento.

“Spew” revela o inquestionável talento de Wino como guitarrista, em solos prolongados e de excelente construção, em múltiplas progressões de diferentes andamentos. Pesada e rápida, a composição mantém influências do Stoner. com uma pegada mais voltada ao Hard Rock dos anos setenta, conservando a agressividade do Punk. Uma faixa instrumental perfeitamente encaixada. “Kachina” soa soturna e arrastada, com riffs mais viajantes e carregados de efeito, estabelecendo uma ambientação mais sombria e reflexiva e a sensação de demência típica do Sludge.

“Jaded” começa com um riff de guitarra que lembra a musicalidade característica do Southern Rock e consequentemente às influências da banda mais voltadas ao Sludge, num clima mais denso e arrastado, de ritmo mais lento e passagens abrasivas. “Back To Zero” começa pesada, com riffs cadenciados e vocais claramente mais voltados ao Punk, resumindo em definitivo os conceitos estéticos do Sludge, com uma letra de natureza pessimista.

“No Blame” é carregada pela influência do Punk/Hard Core, de seus riffs às progressões de bateria e seus vocais agressivos com backing vocals gritados. “No Mas”, com riffs de guitarra com toques de Blues, uma pegada retomando os referenciais do Stoner e um caráter lisérgico, torna a lembrar às influências da sonoridade do Black Sabbath sobre a banda.

“Endless Circles” é cadenciada e depressiva em sua essência, em versos líricos de contestação e tomados de sofrimento, seguindo de forma lenta e densa, num final ruidoso e insólito, caindo diretamente na incrível faixa-título. “Lunar Womb” mostra o porquê de o The Obsessed ser reverenciado como um dos ícones do Doom Metal. Uma composição genial, que resume toda a proposta do play, desde seus riffs mais marcantes aos momentos mais introspectivos. A entonação condenada de Wino, o timbre aplicado por Scott Reader, um solo bem construído e passagens de andamento mais rápido, e os resultados viajantes conseguidos com o uso do pedal wah wah são

algumas das características que resumem a música. O álbum chega ao fim com “Embryo”, dando continuidade a “Lunar Womb”, encerrando em fade out, sucedendo sons que parecem originados do âmago do qual o álbum foi gerado.

Lunar Womb é uma álbum extremamente recomendado aos que apreciam do Doom Metal Tradicional, numa faceta mais bem construída e de certo apelo comercial da banda, devido ao seu peso e velocidade. Um disco condenado e contemplativo, original e arrojado, ao melhor estilo do que Scott "Wino" Weinrich sabe compor, no ápice de toda sua genialidade. Lunar Womb não apenas sobrepuja seu antecessor como cria uma nova identidade á sonoridade do The Obsessed, um ponto fundamental na carreira da banda.

Ficha Técnica

Full-length, Hellhound Records

1991

Line up

Scott "Wino" Weinrich: Vocais e guitarras

Scott Reeder: Baixo

Greg Rogers: Bateria

1. Brother Blue Steel - 03:26

2. Bardo - 02:21

3. Hiding Mask - 03:53

4. Spew - 03:06

5. Kachina - 03:44

6. Jaded - 03:58

7. Back To Zero - 03:57

8. No Blame - 01:25

9. No Mas - 02:5

10. Endless Circles - 04:11

11. Lunar Womb - 06:22

12. Embryo - 01:47

The Church Within (1994)



The Church Within é o último álbum registrado pelo The Obsessed antes do rompimento da banda. O line up é formado por Wino, novamente nas guitarras e vocais, Greg Rogers na bateria e Guy Pinhas no baixo. As influências do Stoner e do Sludge estão evidentes, a pegada mais Punk também continua presente nas composições, assim como as características mais voltadas ao Hard Rock. Os riffs pesados e arrastados, os vocais pessimistas e as progressões bem construídas, muito influenciadas pelo Vol.4 do Black Sabbath. Sua parte lírica mantém-se focada em escapismos psicodélicos, condenação e pessimismo.

The Church Within é mais um álbum cru, porém sólido e de potencial, assim como foram os plays anteriores do The Obsessed, com grandes momentos á todos os instrumentistas, apesar do talento de Scott “Wino” como vocalista e guitarrista manter-se como ponto forte da banda. Sua produção é a melhor entre os três registros lançados pelo The Obsessed. Os vocais de Wino apresentam a mesma versatilidade vista em Lunar Womb, ainda mais opressivos, inconfundíveis nos versos líricos e destruidores nas faixas mais voltadas ao Sludge. Os solos de guitarras mais uma vez são bem elaborados, marcando presença nas músicas, como parte fundamental embora não se projetem exacerbadamente nas composições, soando agradáveis de bem encaixados. Os riffs mantêm o peso característico da banda, agora reforçado pelo excelente trabalho de Guy Pinhas no baixo. As linhas de bateria mostram-se bem mais elaboradas, e devido à qualidade da produção, bem mais límpidas. Num geral, seu instrumental conserva o pessimismo de The Obsessed e parte da agressividade de Lunar Womb, embora as composições de Church Within não sejam tão enérgicas no tocante a andamentos quanto seu antecessor, sem cultivar os aspectos mais comerciais que o mesmo ocultava.O play resultou em grande repercussão, de shows em festivais de respaldo e com bandas de grande porte, além de aparições em canais de televisão e um documentário sobre a banda.

“To Protect And To Serve” abre o álbum com uma pegada Stoner e a ambientação pessimista típica do The Obsessed. “Field Of Hours” começa com uma breve intro no baixo, com um aspecto geral muito similar às composições do debut, com riffs similares aos de “River Of Soul”, pesada, cadenciada e opressora, com traços fortes do Stoner e do Sludge e um excelente trabalho de Greg Rogers.

“Streamlined” é uma composição mais rápida, com influências do Hard Core e do Punk, em uma memorável performance de toda a banda, com um baixo pulsante, um ótima bateria e solos mais calcados no Heavy Metal do fim da década de oitenta. “Blind Lightning” é arrastada e pesada, ao melhor estilo do Proto-Doom executado pelo Pentagram na década de setenta. “Neatz Brigade”, de início marcado, cria uma atmosfera opressora, que ganha força com seus riffs pesados, calcificados pelo baixo presente de Guy Pinhas. A guitarra distorcida de Wino em conjunto com as progressões de Rogers faz desta uma composição de aspecto condenado e vil, reforçado pelos brilhantes arranjos vocais.

“A World Apart” anuncia-se evidentemente influenciada pelo Punk Rock logo á princípio, com uma marcação característica do estilo e os vocais gritados de Wino. “Skybone” começa com um baixo pesado e distorcido, com um aspecto inegável do Sludge, cadenciada e pessimista em sua letra condenada, com um excelente solo, bem encaixado à composição, sem fazê-la perder suas características mais intimistas.

“Streetside” começa pesada e cortante, com uma impostação vocal mais grave de Wino, lembrando bastante os trabalhos do debut. A composição segue a pegada cadenciada e repetitiva, de continuidade num solo arrastado e bom construído. O desempenho de Rogers nesta faixa merece ser citado. A forma como o baterista trabalha o uso dos pratos de ataque e china, dão à música marcações cortantes em acentuações magistrais, sobressaindo-se em sua simplicidade.

“Climate of Despair” é uma composição mais distorcida, com peso em passagens bem encaixadas. Cadenciada e também caracterizada por mudanças de andamento, além de um certo cunho experimental, evidencia o trabalho do The Obsessed dentro do Sludge, resgatando ainda certas influências psicodélicas e riffs típicos de Tony Iommi.

Mourning” é uma composição cadenciada e pessimista, com guitarras de riffs mais rápidos e abafados, complementados por um efeito de phaser, atribuindo uma sonoridade mais distorcida e enlameada à música. “Touch Of Everything” tem um início pesado, com riffs graves e um baixo presente, mantendo os aspectos que consagraram o The Obsessed em sua continuidade.

“Decimation” é mais agressiva, aos moldes de Lunar Womb, mas a performance de Greg Rogers mantém-se como nas composições anteriores de Church Within, mais dinâmicas, sem pedais duplos contínuos ou mesmo os d-beats do Hard Core, com eventuais influências de Blues. Já nas guitarras, são perceptíveis as influências do rock do sul dos EUA e do Roc Psicodélico.

A instrumental “Living Rain” fecha o álbum de forma grandiosa, compilando em partes a sonoridade do The Obsessed, entre variações típicas do Stoner, passagens mais atmosféricas, com influências psicodélicas, o peso e a distorção suja do Sludge e a relevante influência de Master Of Reality e Vol.4 sobre a banda.

The Church Within é visto por muitos como o melhor dos trabalhos do The Obsessed, resgatando uma sonoridade mais semelhante ao seu debut, porém sem perder a pegada mais agressiva de Lunar Womb. Por outro lado, não contém o apelo mais comercial de seu antecessor, sem esbanjar pedais duplos e demais influências da NWOBHM, o que leva muitos a vê-lo como retroativo. Qualquer das visões são irrelevantes quanto á qualidade óbvia deste play, que fecha o ciclo de full-lenghts da lendária The Obsessed.


Ficha Técnica

Full-lenght, Hellhound Records

1 de Março, 1994

Line up

Scott “Wino” Weinrich – Vocais e guitarras

Guy Pinhas – Baixo

Greg Rogers – Bateria

1. To Protect And To Serve - 03:05
2. Field of Hours - 05:39
3. Streamlined - 02:10
4. Blind Lightning - 03:39
5. Neatz Brigade - 06:50
6. A World Apart - 01:33
7. Skybone - 03:50
8. Streetside - 03:25
9. Climate of Despair - 03:04
10. Mourning - 04:05
11. Touch of Everything - 04:37
12. Decimation - 04:09
13. Living Rain - 02:25

Conclusões

Após o lançamento de Church Within, a Columbia encerra seu contrato com a banda, fazendo com que o The Obsessed retornasse ao underground, lançando o single Altamont Nation em 1996. Em seguida, a banda se dissolveria uma vez mais, com Wino originando a Shine (que mudaria de nome não muito tempo depois, passando a chamar-se Spirit Caravan), enquanto Guy e Rogers formariam a Goatsnake.

Scott "Wino" Weinrich

Scott “Wino” Weinrich é uma lenda, sem dúvidas, e poucos dentro da música underground são merecedores da influência creditada ao seu trabalho da mesma forma. Seu trajeto promissor teve início no The Obsessed e a sonoridade da banda gerou um rompimento aos padrões da construção convencional da musicalidade do Doom Metal para sua época, em maior discrepância em relação à efêmera NWOBHM, ao unir em sua música o Punk e o Metal, executando suas composições de forma sincera e cativante, com uma pegada Rock&roll, agressiva e revolucionária. Sua música, inicialmente de direcionamento mais voltado ao Stoner transformou-se após o lançamento de algumas demos, adotando um som mais característico ao Sludge, resgatando também parte da essência do Blues que havia sido deixada um pouco de lado com o surgimento da NWOBHM, e como se não bastasse, reinventou-se com seus registros posteriores, sem nunca perder em qualidade e originalidade.

O The Obsessed não apenas fez história como banda precursora e de vital importância ao metal como também revelou um grande número de músicos, futuros membros de bandas expoentes, de grande importância após o seu fim, a exemplo de Scott Reader e a lendária Kyuss, responsável pela popularização do Stoner. A força motriz por trás de uma nova perspectiva para o Doom Metal (e consideravelmente também para o Stoner e o Sludge) impulsiona todos os intentos musicais de Scott “Wino”, do próprio The Obsessed, ao Saint Vitus e projetos mais recentes, como Spirit Caravan, The Hidden Hand e Shrinebuilder, contribuindo sempre para definições mais concisas do Doom Metal contemporâneo.


Músicas Recomendadas:

River Of Soul, Hiding Mask, Lunar Womb, Inner Turmoil, Brother Blue Steel, Back To Zero, Touch Of Everything, Living Rain, Streetside, World Apart.

Fontes

The Obsessed (Documentário)

Enciclopaedia Metallum: The Metal Archives: metal-archives.com


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

The Obsessed - Parte I

Tida como uma banda de importância fundamental para o Doom Metal, o The Obsessed foi formado em 1976, na região de Potomac, Maryland, nos EUA. Idealizada por Scott “Wino” Weinrich e inicialmente como um quarteto, apresentava uma sonoridade semelhante a das demais bandas de Hard Rock/Proto-Metal americanas influenciadas pelo Black Sabbath.

Em 1977, a então chamada Warhorse integrava a cena Rock local, executando covers de bandas como The Beatles e Sex Pistols, já havendo realizado algumas apresentações. Sua formação contava com Scott "Wino" Weinrich e John Reese nas guitarras, Vance Bokis nos vocais, Mark "The Dark" Laue no baixo e Dave "The Slave" Williams na bateria. Com a saída de Vance e Reese, em 1980, ocorre a mudança de nome na banda, que passa então a chamar-se The Obsessed, de sonoridade voltada ao Stoner Rock. Neste mesmo ano, os integrantes do The Obsessed mudam-se para uma casa em Rockville, no norte de Maryland, onde lançam sua primeira demo, de forma independente, com Wino assumindo os vocais e guitarras, Mark no baixo e Ed Gulli na bateria.

Em 1982, a banda lança sua segunda demo, ainda de forma independente. Neste período, Dave Williams retorna a banda, e em 1983, é lançado o single Sodden Jackal, também com fortes tendências do Stoner Rock. Em 1985, mais uma demo é lançada, contendo versões diferentes para antigas composições e a inédita “Concrete Cancer” , incluída na compilação Metal Massacre VI, após a banda ter vencido a Batalha de Bandas do Baltimore’s Marble Bar. A compilação foi produzida pela gravadora Metal Blade Records. Em 1985, com Ed Gull substituindo Dave "The Slave", gravam seu disco homônimo, The Obsessed, já com uma influência bem mais Sludge e um pouco mais afastado do Stoner. A banda se desfaz em seguida, não chegando a lançar o debut, passando por um hiatus de aproximadamente cinco anos.

The Obsessed - Scott Reeder, Scott "Wino" Weinrich e Greg Rogers

Em 1986, Wino é convidado a integrar o line up do Saint Vitus, mudando-se então para a Califórnia. Com a banda, gravou os plays Born Too Late, de 1986,Mournful Cries, de 1988, V, de 1989 e de um álbum ao vivo em 1990, além do singleThirsty and Miserable, de 1987. Na época, a gravadora Hellhound Records (a mesma do Saint Vitus naquele período) mostrou interesse pelo material do The Obssesed, que estava em pose de Wino, lançando em 1990 o debut da banda, The Obsessed. O play teve ótima repercussão e grande aceitação por parte da crítica e do publico, o que motivou Wino a deixar o Saint Vitus e regressar ao The Obsessed, que retoma às atividades com Scott Reeder (baixo) e Greg Rogers (bateria) complementando o line up.


The Obsessed (1990)



Este play precede a entrada de Wino no lendário SaintVitus. Originalmente registrado em 1985, o debut do The Obsessed só é lançado cinco anos depois, pela alemã Hellhound Records, responsável pelo lançamento de considerável material relativo ao Doom Metal das bandas de Maryland, como Wretched, Internal Void, Iron Man entre outras. O debut do The Obsessed antes mesmo de ser lançado oficialmente, projetou Wino como vocalista, rendendo-lhe indicações para substituir Scott Reagers como frontman do Saint Vitus, em 1986. Mas a importância deste play não se retém ao trabalho de seu idealizador em outras bandas.

O visionário Scott "Wino" Weinrich assegura com este lançamento uma referência importantíssima ao Doom Metal, com sua sonoridade cadenciada e emocionalmente tensa e carregada e estendendo-se também ao Punk e Sludge. Assim como nos registros anteriores, The Obsessed já não apresenta características tão relevantes ao Stoner, soando mais Doom e com fortes influências do Hard Rock e doses pesadas do Punk setentista, buscando assimilar a sonoridade pesada do Black Sabbath com o cunho enérgico do The Dictators, a interpretação da personalidade de Wino em forma de música.

Os vocais de Wino fogem do convencional, não podendo ser comparados nem às linhas vocais desesperadas de Ozzy ou Bobby Liebling, e nem mesmo aos líricos épicos de seu contemporâneo Messiah Marcolin. Seu timbre diferenciado confere às composições um tratamento intimista e pessoal, soando de forma indireta se comparado às demais bandas do estilo.

“Tombstone Highway” começa cadenciada, após uma introdução na guitarra utilizando o pedal Wah wah, onde logo nos deparamos com os vocais poderosos de Wino. Após os dois minutos, um timbre agudo e peculiar é acrescentado à música, destacando-se nos contratempos e causando certo incomodo aos ouvidos mais sensíveis. Nesta composição, baixo e bateria desempenham a função de marcação, sem muito destaque.

“The Way She Fly” aborda o fim imprevisível de um relacionamento, de forma dolorosa, onde Wino busca em seus versos suprir a dor da perda e do abandono com álcool. A canção estabelece uma atmosfera densa e tenebrosa. Seus riffs lembram à época áurea do Pentagram, com passagens omniosas e apocalípticas, cadenciadas de forma excruciante.

“Forever Midnight” mantém o andamento cadenciado típico do debut, porém evoca às influências do Hard Rock da década de setenta, contrastando peso nas passagens em que o instrumental se destaca. Os versos de Wino seguem na mesma progressão das guitarras em mais uma composição de pura condenação.

“Ground Out” apresenta riffs agressivos e um andamento cadenciado, com solos simples e diretos, porém efetivos, que não permitem o rompimento da atmosfera apocalíptica estabelecida também pelos vocais soturnos e Wino e a complementação de notas mais agudas de guitarra como plano de fundo.

A instrumental “Fear Child” precede o redirecionamento do play, com a ligeiramente mais rápida “Freedom”, calcada no Punk, resgatando também elementos do Stoner e da música do Black Sabbath, evidenciando a diversidade de influências que o The Obsessed soube tão bem sintetizar.

“Red Disaster” traz muito dos elementos que fundamentaram a sonoridade de bandas clássicas como Cathedral, Saint Vitus e Candlemass, voltada por usa vez a um direcionamento mais infuluênciado pelo Sludge, com seu ritmo cadenciado, riffs pesados e uma atmosfera carregada de pessimismo. “Inner Turmoil” tem início arrastado e pesado, partindo para um andamento mais veloz, característico do Punk e do Hard Core da década de setenta, revelando mais uma vez a notável relevância do Sludge ao som do The Obsessed, também nos vocais de tom pesaroso e opressor que Wino assume nesta composição.

“River Of Soul” fecha o álbum, com uma bateria marcada e riffs distorcidos de guitarra, numa atmosfera melancólica e viajante, de natureza psicodélica e intimista. Uma composição grandiosa e envolvente, coroando The Obsessed como o verdadeiro clássico que é.

The Obsessed rompe com o conceito de que o Doom Metal tinha de ser apenas a renovação dos riffs criados por Tony Iommi, não deixando que a influência do Black Sabbath se sobressaísse ao seu som, incorporando de forma magistral os elementos do Punk e do Hard Core, de maneira descendente, numa sonoridade encorpada e abrasiva, marcante às bandas de Sludge.

Ficha Técnica

Full-length, Hellhound Records
1990

Line up

Scott "Wino" Weinrich: Vocais e guitarras
Mark Laue: Baixo
Ed Gull: Bateria

1. Tombstone Highway - 03:30
2. The Way She Fly - 02:22
3. Forever Midnight - 04:59
4. Ground Out - 03:17
5. Fear Child - 01:55
6. Freedom - 06:00
7. Red Disaster - 03:51
8. Inner Turmoil - 02:22
9. River of Soul - 04:20

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Doom Metal Tradicional

Como primeira corrente do subgênero a ser desenvolvida, o Doom Metal Tradicional originou-se da influência massiva dos primeiros álbuns do Black Sabbath sobre a sonoridade de determinadas bandas no fim da década de setenta e começo dos anos oitenta. A vertente se caracteriza basicamente por um direcionamento mais sombrio do Heavy Metal Tradicional, com a predominância de vocais limpos e uma musicalidade voltada para a criação de um som pesado, tanto em aspectos musicais quanto à densidade da atmosfera propiciada pelos mesmos.

Os elementos que tornaram Black Sabbath, Paranoid e Master Of Reality álbuns dotados de um rótulo maldito e condenado, já associados aos riffs graves e cadenciados do Stoner e ao Hard Rock inglês, de raízes no Blues-Rock dos anos sessenta, foram incorporados à sonoridade de algumas das mais sombrias bandas do cenário underground, à princípio retido às cenas da Inglaterra e aos EUA. O Doom Metal Tradicional conserva as características determinantes para a rotulação do Proto-Doom, a utilização de afinações graves, tempos lentos e médios, baixos pesados, riffs de guitarra soturnos e arrastados e uma temática lírica de abordagem referente a condição humana em seu aspecto mais intimista, seus sentimentos, destino e fim, numa ambientação carregada por ocultismo, presságios de morte e condenação.

Novos conceitos de musicalidade foram adicionados à cultura musical após o lançamento do debut do Black Sabbath, devido à revolução causada por tamanho peso, distorção e a adoção de uma temática lírica controversa à época. O Rock&roll, Blues-Rock, o Jazz, e o Rock Psicodélico foram as origens musicais de um estilo arrojado e promissor, intitulado Heavy Metal. Das criações mais soturnas do quarteto de Birmingham, extraíram-se os aspectos introspectivos, a melancolia, a loucura e a obsessão, conferindo às viagens psicodélicas e à linguagem do Acid Rock um caráter lúgubre e sinistro, propulsor de escapismos fantasiosos e de uma atmosfera densa, carregada de tensão, geradora de uma musicalidade pesada, não apenas em sua sonoridade, mas como um todo.

Dos aspectos negros contidos na sonoridade típica da música pesada da década de setenta, o Doom Metal dava sinais de uma existência em estado embrionário, em sua forma mais primitiva, que aos poucos ganharia um número maior de adeptos, conseguindo certa projeção no cenário underground, ainda que retida às sombras do que havia sido feito pelo Black Sabbath. Os riffs brilhantes de Tony Iommi, os vocais débeis de Ozzy e a harmonia perfeita entre Butler e Ward geraram uma tendência que foi exaustivamente seguida por inúmeras bandas durante as década de setenta e oitenta (convenhamos que ainda hoje continua a ser), sempre sobre uma roupagem diferente, no intuito de não revelar o óbvio, e quando as influências tornavam-se apenas parte de uma construção musical mais coesa, o underground presenciava o surgimento de verdadeiras lendas, que conseguiam se sobressair diante de tantas outras que se afogavam no esquecimento, retidas ao marasmo.

Das primordiais Bedemon e Death Row, o Pentagram ergueu-se como precursor de uma musicalidade evidentemente má e condenada, direcionada ao simples propósito de reavivar os aspectos mais sombrios da música do Black Sabbath, ressurgindo com um som retrô, quando os ícones da música pesada pareciam querer afastar-se de suas raízes fincadas no metal. 

O Proto-Doom tentado ao longo de uma década inteira pelo Pentagram, nas figuras essenciais de Victor Griffin, Randy Palmer e do excêntrico Bobby Liebling, ganhava uma forma autentica em 1985, com uma compilação de composições resultantes de árduo trabalho na cena underground, após muitas cisões e line ups, em onze composições marcadas de bemóis e sustenidos, escalas menores, timbres graves e obscuros e uma temática de culto ao terror e ocultismo. Em Fevereiro de 1985, o Pentagram finalmente lançava seu debut, no que viria a ser o Doom Metal Tradicional, já visto nas demos da Death Row e Bedemon.

Pentagram - Bobby Liebling e Joe Hasselvander


Quando o Pentagram firmava seu line-up ainda como Death Row, a cena Rock presenciava o crescimento de um movimento que tinha por objetivo, revitalizar o Heavy Metal, conhecido como NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal). O movimento, apesar do nome, desenvolveu-se por todo a Europa e atingiu uma enorme quantidade de bandas emergentes, com uma sonoridade influenciada pelo Hard Rock da década anterior, valendo-se do legado deixado por bandas como Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin, e Uriah Heep, impulsionando o Heavy Metal na década de oitenta.

Também como uma reação direta ao apelo comercial das bandas do emergente Punk Rock, os nomes que compunham a NWOBHM adotavam uma estética visual distante da temática Hippie e mais próxima de vestuário urbano, o que popularizou o uso do jeans, dos t-shirts de bandas e de um estereotipo de rebeldes sobre motocicletas. Musicalmente, a presença de power chords como base para frases agudas de uma outra guitarra, um andamento mais rápido propiciado por um uso constante de pedais duplos na bateria, vocais mais líricos e poderosos e uma experimentação mais abrangente quanto á timbres e distorções caracterizavam o movimento. Talvez por seu estardalhaço inicial, a NWOBHM não durou mais que meia década, tendo a maioria das bandas rotuladas como tal lançado apenas um single, enquanto as remanescentes tenderam para o Speed Metal ou círculos mais extremos (posteriormente, veríamos o surgimento do Thrash Metal). Exatamente no caminho contrário aos sobreviventes da efêmera NWOBHM, surgiam dois ícones do Doom Metal, o Pagan Altar e o Witchfinder General. 

Com fortes influências de Black Sabbath, o Witchfinder General tentou em seu breve período de atividade (1979 – 1983, praticamente o mesmo da NWOBHM) conciliar a sonoridade setentista com os parâmetros contemporâneos à sua época, soando brilhante em suas demos e arrastando-se de seu debut em diante. Em contraponto, o Pagan Altar desenvolvia sua sonoridade afastada do Heavy Metal mainstream até a década de oitenta, quando sua sonoridade projetou-se como algo distorcido, pesado e épico, de temática relativa ao ocultismo.

Witchfinder General - Zeeb Parks, Phil Cope, Zak Bajjon e Kid Nimble

Na mesma época, porém nos EUA, surgia o Trouble, com um Heavy Metal também fortemente influenciado pelo Black Sabbath, de andamentos lentos, com riffs pesados e cadenciados, porém voltados a uma temática religiosa dentro do imaginário cristão, algo tecnicamente inovador no subgênero, salvo ás tentativas omissas de redenção do Black Sabbath em Master Of Reality.

Ainda nos Estados Unidos, o The Obsessed surgia com sua música cadenciada, soturna e má, projetando o genial Scott "Wino" Weinrich a assumir os vocais de outra lendária banda, o Saint Vitus. Ambas incorporaram a sintetização da música setentista, com o Heavy Metal da década de oitenta, o Stoner e o Sludge, às reminiscências do Punk e do Hard Core, principalmente relativas à The Dictators, do não menos renomado Ross The Boss. Esse encaminhamento deveu-se notoriamente às intenções de Wino em relação ao som que queria executar nas bandas que integrava.

Scott "Wino" Weinrich


Voltando a Europa, em 1981, na Suécia, o Mercy surgia com uma sonoridade que aliava a velocidade dos pedais duplos aos riffs pesados e arrastados, com vocais de impostação aguda e poderosa, seguindo uma linha entre o Doom Metal Tradicional e o Speed Metal, com uma temática de morte, magia negra e satanismo, contando posteriormente com a adição de Messiah Marcolin ao line up, assumindo os vocais em 1984. Na mesma época, o Nemesis era fundado pelo baixista Lief Edling, com evidentes influências do Black Sabbath, num Heavy Metal arrastado, sombrio, pesado e distorcido. O projeto durou apenas dois anos, sendo encerrado em 1983, para dar origem à lenda Candlemass, que em 1987, com o antigo vocalista da Mercy, Messiah Marcolin, lança o álbum Nightfall, sucessor do seminal Epicus Doomicus Metallicus.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Pentagram - Parte Final

Show ‘Em How (2004)


Show ‘Em How marca a cisão de Bobby e Hasselvander, num retorno a uma formação completa, com um line up composto por Kelly Charmichael (guitarras) e Adam Heinzmann (baixo), ambos do Internal Void, além do veterano Mike Smail (ex-Cathedral, Penance e Dream Death) na bateria. Como de costume, o play é constituído de releituras de antigas composições adicionado de músicas criadas mais recentemente. As antigas faixas datam da década de setenta a trazem uma vez mais a sonoridade característica da banda, com influências de Hard Rock, Stoner, Heavy Metal e Rock Psicodélico, porém vemos no álbum uma identidade sonora distinta, mais voltada a bandas como Blue Cheer e Sir Lord Baltimore do que as habituais assimilações com o Black Sabbath.

Uma nova formação revitaliza a sonoridade da banda e mostra um Pentagram confiante, mas o som feito pelo “novo” Pentagram traz uma fórmula muito similar a que foi vista em Review Your Choices, e por falar em pontos em comum, a produção de Show ‘Em How também é inferior ao seu antecessor (mas não tão relaxada), talvez no intuito de tornar o álbum mais underground e cru, tentando buscar um som mais similar ao que existia na década de setenta, quando sete das dez composições do álbum foram concebidas. Ao longo do play, as composições parecem rastejar pesarosamente ao fim e as tais releituras parecem ter perdido a atmosfera condenada que retinham, de uma banda ao longo de três décadas em atividade. Em suma, o registro pode soar como uma regressão, a meu ver principalmente pelo resgate de um grande número de velhos clássicos em arranjos que ficam devendo à época áurea da banda, notoriamente despindo as composições do que as faziam “grandes”.

Tecnicamente, vemos mais uma performance angustiantemente excêntrica e sincera, mas não menos débil de Bobby Liebling. O front man parece ter se adequado as suas novas condições vocais, com um timbre estranho e melancólico. O instrumental do álbum é de capacidade inquestionável, unindo fundamentos setentistas com a sonoridade adotada pela banda na década de oitenta, com inclinação mais nostálgica em uma roupagem moderna e de cunho melancólico, embora o nível de execução e criatividade das guitarras continue a dever para os registros com o genial Victor Griffin. O álbum pode decepcionar os que esperavam ansiosamente por uma continuidade à sonoridade de Sub – Basement ou mesmo uma retomada às origens, mas Show ‘Em How não é nem um, nem outro. Smail e Heinzmann conferem um ritmo dinâmico e orgânico ao álbum, na tentativa de uma ambientação nostálgica, porém a genialidade do Pentagram clássico não acompanhou a mudança de décadas.

O álbum começa com “Wheel of Fortune”, com uma impostação vocal de Bobby Liebling intencionalmente crua, num clima setentista. Com um som pesado e coeso, de riffs em uníssono nas guitarras e baixo e o uso extensivo dos bumbos, calcada nas bases do Heavy Metal, a faixa abre o play de forma promissora.“Elektra Glide” é uma canção densa, pesada e cadenciada, um dos pontos altos do álbum, trazendo muito do que consagrou a banda em álbuns como Day Of Reckoning e Be Forewarned. O vocal de Liebling soa agressivo, embora seus espasmos em agudos não tão bem encaixados pareçam difíceis de engolir.

“Catwalk” é sem dúvidas, ao menos nesta nova versão, uma das músicas do Pentagram onde temos um baixo presente e determinante, encorpando sua sonoridade, dotada de peso e de um andamento arrastado, numa performance vocal de Liebling que remete em parte ás atmosferas soturnas nas composições da mesma época. Uma das melhores do álbum, e inevitavelmente a mais similar aos velhos tempos, embora ainda fique devendo à original. “Starlady” soa deslocada e estranha aos padrões da banda, num claro resgate do Hard Rock, Acid Rock e do Rock Psicodélico, parecendo algo estranhamente trazido de volta do passado e discrepante em relação à aos álbuns mais antigos da banda.

“Prayer For An Exit Before the Dead End” tem uma fórmula simples e direta, oscilando entre passagens marcadas e riffs, de andamento arrastado e mais das mesmas influências que permeiam o álbum e parecem torná-lo algo divergente ao que um dia foi o Pentagram. “Goddess” tem uma dinâmica interessante entre Smail e Heinzmann, enquanto Carmichael preenche o som com suas notas agudas e crescentes. A composição ganha força da metade para o fim, assumindo mais uma vez a impostação mais Hard Rock do álbum.“City Of Romance” começa com o baixo, soando logo a princípio bem diferente dos registros anteriores, onde do instrumento pouco se ouvia. Nesta faixa os vocais de Liebling mostram-se mais graves e potentes, embora os inconvenientes “gritinhos” ainda apareçam e soem definitivamente deslocados.

“If The Winds Would Change” é uma composição melancólica, com um baixo pulsante e com uma forte carga emocional conferida pelos vocais de Liebling, que ganham força em alguns versos. Com mais um solo cadenciado e com feeling a canção segue arrastando-se para fim. O play tem continuidade com a faixa título, uma composição frenética de passagens incomuns às vistas em álbuns anteriores, passando por um andamento mais cadenciado á diante e um solo arrastado. Num geral, a música mostra mais influência do Hard Rock da década de sessenta e consideravelmente também do Acid Rock.

“Last Days Here” perdeu os timbres “surf music” de sua versão original. O tratamento dado a esta releitura pode soar questionável aos mais ortodoxos, principalmente a impostação vocal de Liebling, que acrescenta versos líricos e tom bem mais agudo à música, conferindo uma roupagem totalmente diferente da grave e ominiosa versão orginal. Comparada à versão da década de setenta, “Last Days Here’’ soa como uma nova canção, nua de sua essência, fechando o álbum.

Show ‘Em How é em minha concepção, ao lado de Review Your Choices, um registro do Pentagram essencialmente indicado a fãs, não recomendado como primeira audição da banda, embora não desnecessário em sua discografia. O álbum é um grito distante em comparação aos três primeiros registros, parecendo algo “old school” numa roupagem contemporânea.

Ficha Técnica

Full-length, Black Window
Lançado em 2004

Line-up:

Bobby Liebling - Vocais

Kelly Carmichael - Guitarras

Adam S. Heinzmann - Baixo

Mike Smail – Bateria

1. Wheel Of Fortune - 3:47
2. Elektra Glide - 3:30
3. Starlady - 5:23
4. Catwalk - 3:48
5. Prayer For An Exit Before the Dead End - 5:50
6. Goddess - 3:07
7. City Romance - 4:36
8. If the Winds Would Change - 4:42
9. Show 'em How - 5:06

10. Last Days Here - 5:10


Quanto a Bedemon e a Death Row


Dois projetos lendários, sem dúvidas, seminais para a consolidação de uma sonoridade original ao Pentagram, Bedemon e Death Row foram bandas de suma importância para a construção do Doom Metal como o subgênero que é.


Formada em San Miguel, Califórnia, em 1973, o Bedemon foi um projeto do falecido guitarrista Randy Palmer, com o ideal de executar suas composições de forma livre e descomprometida. O line up da banda contou com Bobby Liebling nos vocais, Randy Palmer nas guitarras, Greg Mayne no baixo e Geof O'Keefe na bateria. A formação do projeto antecedeu a entrada de Randy no Pentagram. Das primeiras sessões de gravação, vieram clássicos como “Child of Darkness”, “Serpent Venom” e “Frozen Fear”. O material da banda foi registrado num K7. Quando Randy passou a integrar oficialmente o line up do Pentagram, em 1974, traz consigo composições como “Starlady”, “Touch The Sky” e a clássica “Drive Me To The Grave”.



Bedemon - Geof O'Keefe, Bobby Liebling, Randy Palmer e Greg Mayne


Em 1975, já fora do Pentagram, Randy dá origem aos registros Nightime killer” e “Time Bomb”, com a mesma formação dos anteriores, porém as divergências entre Liebling, Greg Mayne e Geof O'Keefe, resultaram na saída destes do Pentagram, e logo se uniram uma vez mais a Randy Palmer para dar continuidade ao projeto Bedemon, e em 1986 lançariam a demo Invocation Of Doom e em seguida a banda se dissolve.Uma tentativa de reunião ocorre em 2001, porém, é interrompida com a morte de Randy Palmer num acidente de carro em Agosto de 2002.


A sonoridade do Bedemon é um Proto Doom em construção (parece redundante não?!) e Randy não possuía a pretensão de registrar suas músicas para um lançamento oficial, embora isso tenha ocorrido com as composições cedidas ao Pentagram. O Bedemom teve sua importância indubitável pelo simples fato de executar canções dotadas de uma sonoridade muito mais sombria, pesada e maldita que tudo que o Pentagram tenha tentado fazer durante a década de setenta, com influências de The Stooges, Blue Cheer, Black Sabbath e Rock Psicodélico. As composições visionárias de Randy Palmer mudaram a concepção do Pentagram com seu som soturno, denso e cru, de letras sombrias e melancólicas, relativas também ao ocultismo e espiritualidade. A influência dos elementos associados ao Doom na sonoridade do Black Sabbath, é associada ao Pentagram exatamente na época em que Randy Palmer assume as guitarras. A banda continua em atividade, com Craig Junghandel nos vocais, Mike Matthews no baixo/guitarra e Geof O'Keefe na bateria/guitarra.


Death Row - Victor Griffin, Bobby Liebling, Martin Swaney e Joe Haselvander


Anos após a redução do Pentagram a seu front man apenas, Victor Griffin e Lee Abney originavam a Death Row, no começo da década de oitenta. A sonoridade da banda já se encaixava na proposta de Proto Doom, influenciados por Black Sabbath, The Obsessed, Trouble e Saint Vitus. Logo que Lee Abney deixa a banda, Martin Swaney assume o baixo e com o line up composto por Victor Griffin nas guitarras, Joe Hasselvander na bateria e Bobby Liebling nos vocais, consolidava-se a Death Row como expoente do Doom Metal. Após demos lançadas em 1982 e 1983, a formação passa a chamar-se Pentagram e o resultado disto foram os brilhantes Relenteless/Pentagram, Day Of Reckoning e Be Forewarned. A genialidade desta line up fez do Pentagram uma lenda absoluta do Doom Metal. Após idas e vindas, a banda retorna a ativa em a 2010, mantendo a formação clássica, porém não mais com Liebling nos vocais, tendo inclussive realizado um show com Eric Wagner (Trouble) em participação especial nos vocais.


Bedemon


Invocation To Doom - Demo,1986

Invocation To Doom: Child Of Darkness II 1971-1978 - Best Of/Compilation,2000

Child Of Darkness: From The Original Master Tapes - Full-length, 2005


Death Row


Through The Shadow - Vídeo/VHS,1982

All Your Sins - Demo,1982

Whore - Demo,1983

Death Row:Reunion 2000 - Split,2000

Death Is Alive: 1981-1985 - Best Of/Compilation,2000

Alive In Death - Best Of/Compilation,2009



Conclusões


Uma das bandas do chamado “cenário underground” com mais experiência e longevidade da história do metal, o Pentagram, encabeçado pelo socialmente volátil Bobby Liebling, trouxe contribuições cruciais para a música pesada, embora seu reconhecimento tenha se dado de forma tardia. O Pentagram testemunhou a ascensão do Black Sabbath, e com bases nos elementos inovadores propostos pelo quarteto inglês, formulou sua sonoridade, de um Hard Rock psicodélico a um Proto – Metal, sendo reconhecidos por fim, como uma das fundadoras de um subgênero que crescia rapidamente, posteriormente intitulado Doom Metal.

Embora promissora, a “cena Doom Metal” não recebia os devidos créditos e o trabalho da banda passou praticamente despercebido aos seus contemporâneos, salvo por grupos menores de bangers que se mantinham fiéis a uma musicalidade de proposta semelhante à do Pentagram. Os três primeiros álbuns da banda são sem dúvidas, registros seminais para a história do metal pesado, de muitas formas, semelhante ao que encontramos nos plays do Black Sabbath. Afinações mais graves, riffs memoráveis, melodias inesquecíveis, o timbre peculiar de Liebling e a genialidade de Victor Griffin, tal qual Ozzy e Iommi. Porém, ao contrário do Sabbath, o Pentagram nunca emplacou clássicos como “Paranoid” ou “War Pigs”, mas de potencial igualmente notório, foram os pioneiros em assimilar o que havia na sonoridade dos primeiros álbuns do Black Sabbath, para de forma consciente, tocar o que de fato conhecemos por Doom Metal.

Divergências à parte, os músicos egressos do Pentagram integraram o line up de empreitadas de peso no cenário Metal em suas idas e vindas, mais precisamente ao Doom e Stoner, a título de Place of Skulls, Raven, Penance, Internal Void, Solace, Cathedral, The Obssessed, CounterShaft entre outras, sem contar as lendárias Bedemon e Death Row.


Pentagram (2010) - Greg Turley, Victor Griffin e Bobby Liebling

A atual formação da banda conta com Liebling nos vocais, Greg Turley no baixo, Gary Isom na bateria e Victor Griffin, reassumindo as guitarras, trazendo a esperança de um álbum promissor para 2011, já de contrato fechado para lançamento pela Metal Blade Records, intitulado Last Rites. Tendo em mente que nem tudo foi excepcionalmente louvável após os três primeiros registros, o Pentagram tem um significado único pra cada verdadeiro admirador do Doom Metal, e a meu ver, é a eles concebido o título de pais do subgênero.

Músicas recomendadas:

Broken Vows, Be Forewarned, Death Row, Blood Lust, Tidal Waves, The Sign Of The Wolf, Wolf's Blood, The Ghoul, Last Days Here, Drive Me To The Grave.

Fontes

Joe Hasselvender's Blog of Doom: joehasselvander.blogspot.com

Enciclopaedia Metallum: The Metal Archives: metal-archives.com

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Pentagram - Parte III

Review Your Choices (1999)




Cinco anos após Be Forewarned, seguido do lançamento de duas demos e uma compilação não autorizada pelo frontman, um novo Pentagram mostra ao mundo Review Your Choices. A formação dos três álbuns anteriores manteve-se até 1996, desfazendo-se com a saída de Swaney e Griffin, reduzindo o Pentagram a um duo, com Liebling nos vocais e Hasselvender como multi - instrumentista. No fim da década de 90 o Pentagram mantém sua sonoridade setentista. A produção do álbum vem em retrocesso em comparação aos registros anteriores, mostrando-se turva e surpreendentemente underground. A bateria soa por vezes distante, amortecida e sobrepujada, decepcionante em comparação ao progresso que os trabalhos no instrumento demonstraram no álbum anterior, assim como o baixo, que parece inaudível em comparação às guitarras e aos vocais de Liebling, que assumem um timbre notoriamente diferente do que lhe era característico. O peso ainda está presente, porém, a atmosfera marcante que fez do Pentagram uma lenda, parece destituída neste álbum, cedendo lugar a composições mais vibrantes. Assim como nos discos anteriores, Review Your Choices possuí versões re-registradas de faixas antigas, mas estas parecem ter “perdido” algo após duas décadas.


Apesar de manterem a fórmula de riffs repetitivos, cadenciados e repletos de peso, a ausência da genialidade de Victor Griffin faz com que uma impressão estranha seja sentida ao longo de Review Your Choices, principalmente em seus solos. Não de todo mal, mas a discrepância entre as linhas de guitarra deste álbum em comparação aos anteriores e a estranhíssima imposição tomada pelo timbre de Liebling é gritante, e embora em total entrega, os vocais soam estranhos e fazem pensar que este Pentagram não é aquele que costumava ser. A impressão que este álbum traz é a de um trabalho cru, despretensioso de forma proposital, quase que um projeto, porém uma tentativa de retorno às origens e ao Proto-Doom, ocasionalmente também Stoner e com toques psicodélicos. Review Your Choices traz um som pesado e nebuloso, sem dúvidas, único na discografia da banda.


O álbum abre com a boa “Burning Rays”, que ganha uma versão de estúdio após duas décadas engavetada, soando estridente e poderosa em sua nova versão. “Change Of Heart” é uma composição de riffs esmagadores, previamente registrada na música “The Whore”, presente numa das demos da Death Row, lançada em 1983, incorporando também as letras de “Earth Flight”, que integrava o repertório da banda na década de setenta. “Living in a Ram's Head”, resultante do vinil de 1979, soa opressiva, numa das mais nítidas entonações de Liebling no play e uma ótima performance instrumental de Hasselvander.

“Gorgon Slave”, com claras influências do Black Sabbath traz bons momentos em seus riffs soturnos e cadenciados e os vocais distorcidos e nebulosos de Liebling, resgatando uma atmosfera melancólica de certo modo perdida neste play. A composição explode numa passagem rápida que mesmo em sua produção desajustada incita momentos nostálgicos com pedais duplos e um solo mesmo que contido, de certa forma.

“Review Your Choices” é mais um dos bons momentos do álbum, cadenciada dos riffs ao solo, mostra influências de jazz e blues e muito do debut do Black Sabbath. “The Diver” tem início numa levada de guitarra mais rápida, com boas passagens e riffs pretensiosamente melódicos em contraste a uma base mais pesada estabelecida pela guitarra e um baixo oprimido. “The Bees” é uma das faixas onde presenciamos uma entrega total de Liebling à sua função, em vocais carregados, expressando ódio e indignação em seu timbre. “I Am Vegeance”, pesada e arrastada, caracteriza-se por mais uma inspirada performance de Liebling, impregnada da mesma raiva que permeia o play, num breve escapismo atmosférico, anterior ao seu desfecho.

“Forever My Queen” mostra que mesmo um clássico consolidado resiste às dificuldades de uma produção descuidada, mantendo em parte sua essência. Embora parte da atmosfera original da composição tenha se perdido, os riffs e o solo conservaram muito de sua fórmula inicial. Os novos arranjos na bateria enriqueceram a composição, assim como a nova imposição de Liebling. “Mow You Down” começa pesada, com um riff que lembra muito “Relenteless” e um direcionamento que remete aos trabalhos posteriores ao debut, mais enérgica e vibrante. “Downhill Slope” tem um andamento mais lento e passagens soturnas, simulando vozes de timbres sombrios e com guitarras atmosféricas. Nesta faixa em especial, os vocais de Liebling parecem retomar a força e o timbre de Day Of Reckoning e Be Forewarned, numa de suas mais inspiradas performances no álbum.

A épica “Megalania” é um dos grandes momentos do play, mas uma vez trazendo á tona a influência do Black Sabbath sobre a banda. O álbum chega ao fim com “Gilla?”, de forma inusitada... Digamos.

A performance débil de Liebling, de voz deteriorada, é compensada por sua dedicação frenética em tornar o álbum dotado de uma ira surpreendente e a dedicação de Hasselvander em executar todos os instrumentos conferem ao disco seus momentos de brilho, embora prejudicados pela produção precária. Review Your Choices pode soar de certa forma até mesmo “grotesco” para alguns, ou mesmo como o pior disco da carreira do Pentagram. Porém, sua audição é indispensável aos fãs da banda, embora transitável aos que desconhecem a época áurea, mas ainda assim, inegavelmente soa como um álbum maldito e angustiante, imperfeito talvez, porém não “comum” na discografia de uma experiente banda que incessantemente tenta se reconstruir apoiada em seu passado.

Ficha Técnica

Full-length, Black Window
Lançado em 19 de Julho de 1999

Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Joe Hasselvander- Todos os instrumentos


1. Burning Rays - 02:35

2. Change of Heart - 05:28

3. Living in a Ram's Head - 02:37

4. Gorgon's Slave - 06:35

5. Review Your Choices - 03:21

6. The Diver - 02:53

7. The Bees - 02:28

8. I am Vengeance - 05:24

9. Forever My Queen - 02:38

10. Mow You Down - 03:12

11. Downhill Slope - 03:58

12. Megalania - 07:08

13. Gilla? - 00:49



Sub-Basement (2001)




Pouco mais de dois anos depois do lançamento de Review Your Choices, Liebling e Hasselvander lançam sua segunda empreitada como um duo. O álbum tem uma produção indiscutivelmente melhor que seu antecessor, porém aposta numa nova roupagem da mesma fórmula de Review Your Choices. A sonoridade é mais clara e objetiva, conservando o peso e os elementos condenados que fizeram do Pentagram uma grande banda. As guitarras retomam a manutenção de uma atmosfera maldita e sombria, porém numa abrangência de timbres não retida apenas aos efeitos do fuzz box e em notória evolução mediante o que foi visto no álbum anterior. O baixo está mais audível, porém, sem grandes momentos de destaque, num geral acrescentando plenitude ao som e enfatizando as partes de maior peso. A bateria volta a mostrar grandes empregos e execução impecável. O instrumental soa frenético e vibrante num geral e atmosférico nas músicas mais cadenciadas, mostrando um Pentagram mais semelhante ao que costumava ser antes de Review Your Choices e um desempenho superior de Hasselvander. Os vocais de Liebling não soam como anteriormente, mas seu timbre continua característico e agora, mas do que nunca, dotado de uma identidade sua, já não permitindo comparações intermitentes com Ozzy ou Dickie Peterson. Seu desempenho é deveras melhor que em Review Your Choices, mostrando um vocalista experiente e em busca de sua forma plena.


O álbum, como é de praxe do Pentagram, traz antigas composições rearranjadas e faixas inéditas, numa variedade notável e que contribui para que o álbum seja dinâmico em todos os seus momentos. Assim como em seu predecessor, as antigas faixas soam como novas, com arranjos mais adequados á sonoridade contemporânea ao momento da banda. A sonoridade setentista ainda está presente, porém em escala bem menor. Joe e Bobby parecem adotar uma visão mais contemporânea sobre o direcionamento de Sub-Basement, ajustando-se talvez a um meio de tornar a banda não tão underground após quase três décadas em atividade. Um fato curioso é a data de lançamento do play, 25 de Dezembro.

O álbum começa com a veloz “Blood Lust”, em riffs pesados e sinistros com trabalhos de backing vocals bem encaixados e um refrão grudento onde o título da faixa é gritado. A composição traz as típicas guitarras em dual, recurso utilizado por Victor Griffin em Day Of Reckoning e Be Forewarned, construindo um ótimo solo, contrastando ainda com uma terceira guitarra que repete o riff principal da música. Com uma bateria marcada e dinâmica nas passagens, um baixo que calcifica o peso e como não poderia deixar de ser, o vocal de Liebling, evidentemente diferente de sua impostação vocal no play anterior, ainda soando desdenhoso como em Review Your Choices, numa letra que expressa ódio e de certa forma, superação, seguindo temática e ambientação assimiláveis ao mesmo. “Buzzsaw” tem um começo não muito digerível com sons estranhos até a entrada do riff principal. As passagens vocais soam débeis, tanto no timbre de Liebling, quanto aos demais arranjos vocais. A composição segue de forma semelhante à anterior, tendo como destaques as guitarras e a bateria.

seguindo uma temrma, superaçvo Review Your Choicesaçra uma potbem encaixados e um refrA clássica “Drive Me To The Grave”, presente em material da Death Row e Bedemon ganha uma nova versão, com uma breve introdução na bateria e um rápido andamento, que lembram a época de Day Of Reckoning, resgatando os excelentes trabalhos de bateria de Hasselvander, que no álbum anterior acabaram sendo deixadas de lado. Com riffs pesados e repetitivos e os versos sombrios cantados por Liebling, “Drive Me To The Grave” é sem dúvidas um dos grandes momentos do play.

A atmosférica “Sub-Intro” traz o badalar de sinos, sons de correntes numa tempestade e barulhos insólitos. Uma composição tensa e ruidosa, com uma guitarra distorcida ao fundo, conferindo uma ambientação sombria e maldita, prenunciando a esmagadora “Sub-Basement”. Com guitarras cadenciadas e pesadas, de timbre distorcido e caracteristicamente soturno e sussurros tenebrosos em sua continuidade, estabelece uma sensação de condenação e fim, característica marcante dos álbuns anteriores à Review Your Choices e fundamental na sonoridade do Pentagram.

“Go In Circles” é uma canção pesada e arrastada, com vocais agonizantes de Liebling e passagens mais rápidas no refrão, que resgatam o espírito Proto-Doom da década de 70. “Mad Dog” quebra uma continuidade de composições cadenciadas para um andamento mais veloz, com riffs e alavancadas memoráveis, com elementos do Hard Rock e Stoner das décadas de 60 e 70, trazendo à tona mais uma das marcas registradas da banda, a sonoridade setentista.

“After The Last”, cadenciada no começo e com riffs pesados e marcados, ambienta uma atmosfera opressiva, seguindo por frases mais rápidas e melódicas na guitarra, ganhando força do meio para o fim, resgatando em parte a sonoridade do Black Sabbath. A letra parece descrever o percurso de Liebling no Pentagram, harmonizando em trechos estratégicos os títulos do material lançado da década de 70 até o momento, soando ao meu ver como nítidas intenções de reaver tudo que a banda havia sido em sua clássica formação, e em particular, seu problema com as drogas.

“Tidal Wave” começa com o som de ondas do mar, partindo para riffs marcados e com peso, em mais uma performance inspirada de Liebling nos vocais, atribuindo determinação e força aos seus versos, em mais uma composição puramente condenada. “Out Of Luck” soa desdenhosa e má no começo, passando por riffs com mais do Hard Rock e do Stoner das décadas de 60 e 70, com um solo melódico com influências atípicas a época áurea da banda, porém, facilmente assimilável á sonoridade de Review Your Choices. O vocal de Liebling mostra-se mais uma vez de fundamental importância para a identidade da banda, num trecho quase à capela que conduz a um final selado, tal qual o do homem que definha, aguardando seu momento final.

“Target”, original da década de setenta, traz a principio uma sonoridade singular à época, porém mudando de andamento para trechos mais rápidos e pesados, marcados pelo pedal duplo da bateria, acompanhada de uma base com guitarras abafadas e pelo baixo, numa levada mais voltada ao metal, enquanto notas mais agudas são executadas por outra guitarra, atribuindo um clima frenético e enérgico, fechando de forma grandiosa mais um excelente trabalho da banda americana.

Sub-Basement mantém os elementos Doom e é indiscutivelmente o mais pesado álbum da banda, com riffs memoráveis, uma bateria tão brilhante quanto em Be Forewarned, vocais dementes e uma atmosfera profunda, que oscila ora entre o melancólico e lúgubre ao vibrante e destrutivo. Em minha opinião o melhor registro após a cisão da formação clássica do Pentagram, mais pesado e soturno que seus antecessores, portador de verdadeira escuridão e condenação, mais uma vez fortificando a influência que é o Pentagram para bandas de Doom Metal e Stoner.

Ficha Técnica

Full-length, Black Window
Lançado em 25 de Dezembro de 2001

Line-up:
Bobby Liebling - Vocais
Joe Hasselvander - Todos os instrumentos

1. Bloodlust - 2:30
2. Buzzsaw - 2:29
3. Drive Me to the Grave - 4:30
4. Sub-Intro - 4:00
5. Sub-Basement - 6:00
6. Go in Circles (Reachin' for an End) - 5:16
7. Mad Dog - 2:17
8. After the Last - 3:43
9. Tidal Wave - 4:40
10. Out of Luck - 3:54
11. Target - 5:10