Line- up
2. Thinking of the Past - 3:51
3. On Borrowed Time - 5:25
4. Run to the Light - 5:58
5. Peace of Mind - 3:01
6. Born in a Prison - 4:45
7. Tuesday's Child - 3:28
8. The Beginning - 5:22
A Electrode, formada por Phil Cope e Robert Hickmann nas guitarras, Rod Hawkes no baixo, Steve Kinsell na bateria e Dave Potter nos vocais, foi a primeira banda dos integrantes que viriam a compor o Witchfinder General. Chegaram apenas a realizar algumas apresentações. Com o rompimento da banda, Hickmann, Kinsell e Potter fundaram um novo conjunto, chamado Medway. Por sua vez Phil ingressaria na banda após tocar na The Jays. Em 1977, Phil Cope e Rod Hawkes tocaram juntos na Rabies, e futuramente tornariam a encontrar-se na Witchfinder General. Do reencontro de Phil com seu antigo colega de escola e roadie da Electrode, Zeeb Parkes, vieram as primeiras composições da banda, em 1979. A primeira formação da então Witchfinder General era Zeeb Parkes nos vocais, Phil Cope nas guitarras, Johnny Fisher no baixo e Steve Kinsell na bateria. Com este line up realizaram seu primeiro show no clube The Crown, em Dudley, de boa repercussão para a banda. Posteriormente, Johnny Fisher anuncia sua saída ainda em 1980. No ano seguinte, após audições com alguns outros baixistas, a banda volta a ter sua formação completa com Kevin McReady assumindo o baixo.
Witchfinder General (1979), The Crown, Dudley - Phil Cope, Zeeb Parkes, Steve Kinsell e Johnny Fisher
1981 foi o ano do lançamento do primeiro registro em estúdio do Witchfinder General, o single Burning A Sinner, nos dias atuais, um registro raríssimo, cobiçado por colecionadores e amantes do estilo. Com apenas duas composições, “Burning a Sinner” e “Satan's Children”, o registro é hoje considerado um lançamento primordial, dotado da essência do Proto-Doom, com uma sonoridade claramente influenciada pelo Black Sabbath e traz uma atmosfera sombria e densa, de canções simples, porém inovadoras. A temática lírica é medieval e remete até mesmo nas linhas vocais, à ambientação do filme que inspirou o nome da banda. Por volta dos últimos meses do mesmo ano, o Witchfinder General retorna ao estúdio Ginger para a gravação de mais um single, Soviet Invasion. Uma sonoridade mais direcionada ao Proto-Doom é o que encontramos neste registro, seguindo uma linha semelhante a de bandas como o Saint Vitus e em alguns pontos com o Vol.4 do Black Sabbath, com riffs pesados e vocais angustiantes, expressando um desespero profundo numa temática de posicionamento engajado a um apelo de paz aos países do Pacto de Varsóvia. Na área destinada ao line up, o baterista Steve Kinsell aparece sob o pseudônimo Kid Nimble.
Após algumas brigas entre Steve e Zeeb, o grupo tornou-se instável. Steve e Kevin passaram a mostrar desinteresse pelos trabalhos da banda e em 1982, deixam o Witchfinder General. Herdando o respeito póstumo comum a muitas das bandas que fundamentaram o estilo, o Witchfinder General deixou de lado as influências do Blues que permeavam seus ídolos para acrescentar a sua sonoridade peso e velocidade e assimilando os aspectos que caracterizam o Heavy Metal de bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin e Diamond Head, trabalhando uma sonoridade distinta.
Death Penalty (1982)
Um claro registro de uma sonoridade ainda em fase de consolidação, Death Penalty mostra um Proto-Doom influenciado pela década de setenta, com algumas semelhanças á sonoridade do Pentagram e um Heavy Metal ao estilo do que o Black Sabbath fazia até a saída de Ozzy, mas não soando como uma cópia, assimilando os elementos que fizeram do Witchfinder General pertencente à NWOBHM e com toques do que viria a ser o Doom Metal Tradicional. Definitivamente um registro simples quanto a complexidade de suas composições, mas dessa simplicidade, destaca-se como um álbum muito influente para Heavy Metal, Doom e Stoner.
Gravado às presas, o registro contou com Steve Kinsell na bateria, em seu registro final antes de desfalcar o line up, enquanto Phil Cope gravou as linhas de baixo, adotando o pseudônimo Woolfy Trope. A gravação do play levou dois dias apenas, e foi realizada no Metro Studio, em Mansburry. A polêmica capa de Death Penalty, fotografia de Crave Rockersmith, retrata uma mulher com os seios à mostra (interpretada pela modelo Joanne Latham), possivelmente acusada de bruxaria, sendo atacada por homens “de fé” num cemitério. No verso, a mesma mulher aparece morta, deitada sobre um túmulo. A publicidade subseqüente esteve presente nos tablóides britânicos, e o tema da capa permeia as composições do álbum, refletindo condenação, morte, violência e injúria.
Zeeb Parkes mostra uma linha vocal situada num timbre que assimila um pouco de Ozzy somado a Joey Ramone, Bobby Liebling, Robert Plant e Rob Halford, soando ainda de forma amadora e em busca de uma auto-firmação. Seu aspecto anasalado, e ocasionalmente agudo, não contribui muito para a manutenção de uma atmosfera mais sombria e misteriosa, ficando a dever em relação ao instrumental. As guitarras contribuem com passagens melancólicas de qualidade, ambientando as composições de forma adequada, e contando também com bons riffs, dotados da velocidade que marcou a NWOBHM e ainda com utilizações de fuzz, box tipicamente setentista. A bateria apenas faz seu papel sem muito destaque, e o baixo também não faz muito além do esperado, apesar de apresentar um timbre interessante e levemente distorcido. De certa forma, o registro parece soar menos coeso que o single Soviet Invasion e o debut também ficou devendo quanto ao peso, mas merece os devidos méritos por conseguir unir de forma satisfatória a agressividade da NWOBHM e os elementos que consolidaram o Black Sabbath como referência para as gerações futuras.
O play tem início com“Invisible Hate”, que possui um trabalho vocal não tão seguro, de versos líricos que lembram muito o timbre de Bobby Liebling, o que obviamente os torna cômicos às vezes, mas que se destaca em seu refrão grudento. Com riffs de grande potencial, trazidos à tona após um começo acústico suave, a faixa segue veloz e agressiva, quebrando em passagens mais cadenciadas. A distorção da guitarra e os vocais de Zeeb estabelecem uma sonoridade de forte carga emocional, diferentemente do que se poderia esperar, soando alegre e vibrante, evocando de forma nostálgica a década de setenta em seu ápice.
“Free Country” apresenta uma boa junção de Heavy Metal Tradicional e Proto-Doom, com ótimos riffs e um solo excelente, originando um dos melhores momentos do play. A canção tem elementos claros da sonoridade do Black Sabbath, tanto nos registros de Paranoid quanto em Heaven And Hell. A bateria tem maior destaque nesta composições, com toques de Vinnie Ápice. A música é como um ode ao lema “sexo, drogas e rock&roll”.
“Death Penalty” começa com um riff evidentemente influenciado pelo trabalho de Tony Iommi e uma impostação vocal de Zeeb que lembra muito as performances de Ozzy, não fosse pela disparidade de timbre. Com um andamento cadenciado, a composição propícia uma ambientação mórbida, com uma letra condenada. Nas passagens mais dinâmicas a faixa traz muito do Black Sabbath em Master Of Reality e Vol.4. Uma passagem acústica dá seguimento à música, culminando num solo que encerra em fade out.
“No Stayer” se assemelha a um Rock&Roll, com um interessante trabalho desenvolvido no baixo e um solo de guitarra com influências de Blues. A canção começa com um bom riff, porém segue arrastando-se de forma declinante ao fim. A composição tem uma introdução que em muito lembra a música “Rat Salad” do debut do Black Sabbath. “Witchfinder General” é o ponto alto do debut, com destaque para a performance de Phil Cope, com riffs agressivos e marcantes e o poderoso refrão cantado por Zeeb Parkes. Definitivamente um clássico da banda.
“Burning A Sinner”, mais uma canção anteriormente registrada, surge aprimorada, com um trabalho superior em relação à bateria, ainda mantendo seu aspecto sombrio, conduzido num ritmo que caminha penosamente ao longo da composição. “R.I.P” aparece levemente modificada em relação a versão original do segundo single da banda, com alguns harmônicos notoriamente comparáveis aos de Tony Iommi enquanto a canção é conduzida por um riff mais arrastado, muito sombrio e condenado. O cowbell utilizado na bateria, acrescenta à composição uma identidade, assim como os backing vocals e efeitos aplicados às palavras finais dos versos de Zeeb Parkes, que por mérito merece destaque na sua boa interpretação.
Death Penalty apresenta uma banda promissora, notavelmente ainda em busca de sua identidade, talvez pela linha tênue que separa sua sonoridade de um Hard Rock setentista do Proto-Doom praticado por bandas contemporâneas à sua época. Talvez na tentativa de preencher o vazio deixado com a mudança brusca na sonoridade do Black Sabbath após a saída de Ozzy, o Witchfinder General investiu num som “antigo”, mas ainda sombrio e condenado, inegavelmente influente para o Stoner/Doom. Ao lado de bandas como Saint Vitus, The Obssessed e Pagan Altar, o debut do Witchfinder General é também considerado um álbum clássico do estilo.
Ficha Técnica
Full-length, Heavy Metal Records
1982
Zeeb Parkes - Vocais
Phil Cope - Guitarras & Baixo
Steve "Kid Nimble" Kinsell – Bateria
Produzido por Paul Birch e Pete Hinton.
Lado A.
Invisible Hate - 6.05
Free Country - 3.10
Death Penalty - 5.35
No Stayer - 4.25
Lado B.
Witchfinder General - 3.51
Burning a Sinner - 3.28
R.I.P. - 4.04
Mythical and Magical, terceiro álbum do Pagan Altar, é de fato tão épico quanto seu titulo propõe. Mais uma vez, a banda mostra sua capacidade surpreendente de transcender os limites temporais e construir uma sonoridade única e “retrô”, transportando uma vez mais o ouvinte aos últimos anos da década de setenta, e como se não bastasse, mostrando ao cenário underground do metal um trabalho genial, sem nada dever à seus antecessores, pelo contrário, em Mythical and Magical, o Pagan Altar surpreende uma vez mais e chega ao seu ápice, fato este digno de aclamação e louvor, tendo em mente o brilhantismo e originalidade contidos no clássico The Lords Of Hypocrisy.
Todas as características que permearam os plays anteriores se fazem presentes neste álbum, porém ainda mais engrandecedoras, movendo a banda a um patamar adiante em sua classificação, no que muitos costumam chamar de Epic Doom Metal, aliado as influências setentistas do Hard Rock/Heavy Metal, da NWOBHM e como não poderia deixar de ser, o Doom Metal. Todas as composições deste disco exprimem uma sensação de condenação massiva e opressora, imposta de forma majestosa em evidencia obviamente às brilhantes performances dos irmãos Jones. Com seus andamentos cadenciados, as linhas vocais etéreas e alternadamente impetuosas encaixadas a uma sonoridade pesada, obscura e atmosférica, o Pagan Altar consolida-se como uma lenda viva do Doom Metal, conseguindo após três décadas manter sua linha de composição tão firme e criativa como em seus primeiros anos, erguendo-se diante de muitas outras bandas aclamadas, que com o tempo, viram no comodismo uma alternativa para um direcionamento mainstream e sacal. Diferentemente destas bandas, o legado do Pagan Altar mantém sua honra, imune a manchas e deslizes, fazendo jus ao peso que carregam como banda referência para muitas outras. Mythical and Magical não é tão pesado quanto The Lords Of Hypocrisy, mas soa ainda mais envolvente e pujante que este. O caráter lúgubre e soturno foi minimizado, dando lugar a uma sonoridade épica, vivaz, ritualística e espiritual.
O line up conta com os mesmos membros do álbum anterior, com Terry Jones nos vocais, Alan Jones nas guitarras, Mark Elliot na bateria e Trevor Portch no baixo. Mais uma vez, a produção manteve-se mais crua, não comprometendo a proposta da banda por preservar sua sonoridade setentista. Novamente vemos influências de Black Sabbath, do Hard Rock e Heavy Metal da década de setenta e do Blues Rock.
Como nos registros anteriores, baixo e bateria desempenham sua função sem grandes destaques. A atmosfera presente no álbum o torna tão original quanto seus antecessores, renovando a musicalidade do Pagan Altar de forma sutil, em momentos de peso, em passagens acústicas mais introspectivas e nos escapismos fantasiosos de verdadeiras obras-primas contidas no disco. Alan Jones definitivamente firma-se como um guitarrista genial em Mythical and Magical, mostrando inovação mesmo na sonoridade retrô da banda, com riffs pesados e encorpados, remetendo ao Heavy Metal Old School, seus solos celebram o brilhantismo da banda, ainda mais melódicos e bem construídos que tudo já feito pelo guitarrista, que tem neste álbum o máximo de seu potencial explorado até então. As linhas de guitarra mantêm a sincronia com os vocais, porém neste álbum, é óbvia sua função de atribuir unidade ás faixas, não permitindo que nada pareça deslocado. Outro ponto forte é a utilização de violões para produzir a base para os solos, reforçando o caráter folclórico de determinadas composições.
Terry Jones, com seu vocal anasalado, embora único, encaixa-se uma vez mais perfeitamente com a sonoridade estabelecida pelo restante da banda, transportando o ouvinte à década de setenta. A fórmula utilizada em The Lords Of Hypocrisy, que consistia na utilização de sintetizadores e vocais femininos foi mantida, embora se mostre menos freqüente, mas ainda assim perfeitamente bem encaixada, contribuindo uma vez mais para o engrandecimento da sonoridade do Pagan Altar. Em Mythical and Magical, temos 12 composições que datam dos primórdios da banda, e que uma vez mais mantém a originalidade e os aspectos típicos do Pagan Altar. Integram também este trabalho Valerie Watson e Rosanne Magge nos vocais e Louise Walter nos teclados. A temática lírica uma vez mais aborda elementos do paganismo e do ocultismo, desde práticas celtas, druidismo, bruxaria, magia e superstição. A ilustração na capa e de autoria de Henry Clarke e as fotos no encartem são do Castelo Dunluce, na Irlanda, que assim como outras locações registradas nos discos anteriores, possuí fama de mal- assombrado.
O álbum tem inicio com “Intro”, ao badalar de sinos e o soprar do vento, contrastando com sussurros quase inaudíveis ao fundo. Em seguida vem “Samhein”, que explora a versatilidade da banda, numa composição com base nas escalas árabes, rompe um pouco com o aspecto já consumado da banda por optar trabalhar com a música folclórica inglesa, com direcionamento mais voltado à musicalidade celta. Novamente constatamos o vocal inflamado de Terry Jones como peça chave para a ambientação das composições do Pagan Altar e como não poderia deixar de ser, Alan recebe os méritos pelo brilhantismo da faixa, com riffs e solos memoráveis, que chegam a parecerem infindáveis, envolvendo o ouvinte do começo ao fim. Os teclados ao fundo e os backing vocals de Valerie fortalecem a manutenção da atmosfera condenada e opressiva da música.
“The Cry Of The Banshee” mostra um Pagan Altar mais rápido e agressivo, com um direcionamento inédito à banda até então. Com uma levada mantida à cavalgadas e um direcionamento evidentemente relativo à NWOBHM, impõem-se após que o grito estridente que a anuncia. Uma faixa pulsante e marcada, onde os vocais de Valerie mais uma vez conferem originalidade, encaixados no ponto certo, abrilhantando a composição.
A sombria “The Crowman” começa com uma introdução acústica, seguindo por passagens mais soladas, à linha do que já havia sido visto nos álbuns anteriores. Com uma boa interação entre baixo e bateria, a composição desenvolve-se em mudanças de andamento propostas pelos solos eternizados de Alan Jones, calcados no blues e na musica folclórica inglesa, com bases executadas num violão acústico. A composição chega ao fim com um solo mais técnico, enfatizado pela mudança de andamento da música, que mesmo assumindo um caráter mais relativo à NWOBHM, não perde o encanto e magia de suas passagens acústicas. Destaque também para os duetos entre Terry Jones e Valerie Watson.
“Daemoni Na Noiche” é aterradora. Uma epopéia com o melhor da musicalidade do Pagan Altar, com um andamento mais acelerado, mudando adiante para tempos mais lentos, enfatizando a melodia das guitarras e um arranjo vocal que mais uma vez faz a diferença. “The Sorcerer” tem início com um belo arranjo vocal, propiciado por Valerie Watson e Rosanne Magee. A música constrói uma atmosfera única, me linhas de teclado e violão acústico, ofertando a Terry as bases perfeitas para a impostação de seus versos. De caráter contemplativo, a composição mostra-se como uma verdadeira epopéia, com uma ambientação que remete a um profundo envolvimento emocional e à condenação, a essência do Doom Metal capturada em definitivo.
“Flight Of The Witchqueen” mostra Terry Jones com uma impostação vocal distinta, mais projetada, numa atmosférica viajante, calcificada pelos sintetizadores ao fundo e os vocalizes de Valerie e Rosanne. Passada a introdução, a música toma um direcionamento mais dinâmico, chegando a um solo poderoso, virulento e inflamado, numa das mais brilhantes performances de Alan Jones. “Dance Of The Druids” tem início com riffs condenados, alternando seu andamento gradualmente, característica marcante à banda, assumindo passagens mais rápidas, com cavalgadas abrasivas, típicas da NWOBHM.
“The Erl King” nostalgicamente relembra os brilhantes momentos propiciados pelo dueto entre Valerie e Terry, na mesma atmosfera mística presente em The Lords Of Hyporicsy. De início com o som de cavalgadas, Terry assume o papel de pai, enquanto Valerie interpreta a filha, numa composição soturna e ambientada em cima de uma narrativa de esperança e bravura. Os teclados ao fundo e o solo de guitarra cadenciado criam um clima melancólico e reflexivo. “The Erl King” é uma verdadeira epopéia, em suas mudanças de andamento assumindo características da música celta, notoriamente marcantes pelos teclados e as vocalizações de Valerie com Rosanne nos backing vocals, com riffs distorcidos, que graças ao phaser conferem ao epílogo da composição uma ambiência viajante.
“The Witches Pathway” tem um caráter mais Hard Rock, mais veloz e dinâmica, melódica e vibrante. “Sharnie” desenvolve-se acústica, com mais da influência celta, atuando como introdução para a avassaladora canção que a sucede. “The Rising Of The Dark Lord” preserva uma característica em comum aos plays anteriores, trazer como desfecho uma composição indescritivelmente forte e marcante. Assim é “The Rising Of The Dark Lord”, com seu peso, os vocais fervorosos de Terry, guitarras abrasivas. Com um direcionamento inegavelmente épico, chegando ao fim com uma brilhante melodia, que evoca as tradições pagãs do povo inglês.
Mythical and Magical consagra o Pagan Altar como a lenda que realmente é. Uma obra-prima do século XX, forte e enigmático, detentor de um dinamismo, vitalidade e vigor que remetem à época áurea da NWOBHM e que não se perderam com o tempo.
Ficha Técnica
Full-lenght, Oracle Records
18 de Dezembro, 2006
Line up
Terry Jones - Vocais
Alan Jones - Guitarras
Trevor Portch - Baixo
Mark Elliot - Bateria
* Valerie Watson - Vocais e Backing vocals
* Rosanne Magee - Vocais e Backing vocals
* Louise Walter - Sintetizadores
* Dean Alexander – Bateria em "Cry of the Banshee” e “The Crowman”
Conclusões
Assim como muitas outras bandas de Doom Metal das décadas de setenta e oitenta, o Pagan Altar também passou quase que despercebido e seu reconhecimento como banda inovadora e seminal veio quase duas décadas depois de sua origem. O Pagan Altar manteve-se obscuro em meio à avalanche de bandas originadas na Inglaterra em decorrência da NWOBHM, que tencionava suas atenções à grupos mais similares às propostas do movimento em si, não apenas em relação à sonoridade mas também fortemente tendencioso em relação ao caráter estético. Assim como sobreviveram ao surgimento e ao declino da NWOBHM, a musicalidade da banda resistiu à passagem de décadas para ressurgir em seu caráter setentista e underground.
Pagan Altar - Roadburn - Alan Jones, Terry Jones e Diccon Harper (2010)
Lendas vivas do Doom Metal Tradicional, não apenas pelo que produziram, mas também pela mitificação de suas performances ao vivo, à atmosfera sinistra e o poder opressor que permeiam seus shows, desde a presença da banda em si, ao caráter teatral em figurinos e adornos que faziam dos palcos um verdadeiro cenário. Vistos como uma banda soturna e má, por várias vezes foram acusados de executar suas composições em honra ao diabo. Transcendentes para sua época, assim como foram as grandes lendas do Doom Metal, o Pagan Altar venceu as adversidades do tempo como uma banda verdadeiramente underground. Ao Pagan Altar, em relação a algumas contemporâneas suas do período da NWOBHM, a exemplos de Judas Priest, Saxon e Iron Maiden, faltou apenas um contrato com alguma gravadora ou selo. Permanecer no underground após a fragmentação do movimento condenou a banda ao esquecimento, ocasionando uma das grandes injustiças do Heavy Metal, e enquanto alguns nomes consolidados entraram em decadência na tentativa de inovar e revitalizar sua sonoridade, o Pagan Altar manteve-se fiel à sua proposta, sem desviar-se de seu caminho original, transcendendo o Heavy Metal, a NWOBHM e mesmo o próprio Doom Metal, como uma das mais significantes bandas já existentes, combinando a aura de lenda viva e a essência da verdadeira sonoridade condenada.
Em 2007 a banda lança o split Pagan Altar, com a banda Jex Thoth, e como era de se esperar, mantém sua sonoridade única com a faixa Walking In The Dark, registro original de 76, regravado com toda a majestade e competência dos visionários Pagan Altar. Com a saída de Mark Elliot e Trevor Porch, a banda passa por algumas reformulações, estabilizando-se com Terry Jones nos vocais, Alan Jones na guitarra solo, Luke Hunter na guitarra base, Deano Alexander na bateria e Rusell McGuire no baixo. A banda continua em atividade, embora ainda sem previsão para o lançamento de seu próximo álbum.
Músicas Recomendadas:
March Of The Dead, Armageddon, Pagan Altar, The Lords Of Hypocrisy, Sentinels Of Hate, Judgemente Of The Dead, The Black Mass, Cry Of The Banshee, The Rising Of The Dark Lord, Daemoni na Noiche.
Fontes
Pagan Altar Holding Page: paganaltar.co.uk
Enciclopaedia Metallum: The Metal Archives: metal-archives.com