Black Sabbath - Geezer Butler (baixo), Tony Iommi (guitarras), Bill Ward (bateria) e Ozzy Osbourne (vocais)
Muitos foram os projetos que antecederam o Black Sabbath, a contar The Rest, Music Machine, Mythology, Rare Breed, Polka Tulk Blues Band (posteriormente Polka Tulk) e Earth, num período de aproximadamente quatro anos (1966 a 1970). Com um som inicialmente calcado no rock&roll, jazz e num blues mais pesado, executavam covers de bandas como Jimmy Hendrix, Blue Cheer, Cream e The Beatles, buscando por uma sonoridade única que não tardaria a surgir, aliando suas influências ás guitarras distorcidas, com um peso nunca visto até então.
Criadores de tendência, Black Sabbath (1970), Paranoid (1970) e Master Of Reality (1971) trazem às bases da música pesada e elementos construtores que conceituam o que hoje conhecemos por Doom Metal.
Black Sabbath (1970)
Numa sexta-feira 13, em Fevereiro de 1970, o Black Sabbath lançava seu primeiro álbum, de título homônimo. O debut contém as características primordiais do estilo que posteriormente viria a ser conhecido como Heavy Metal. O álbum revolucionário trazia um peso absurdo para a época, com guitarras distorcidas e influências claras de blues, jazz e rock&roll.
Apostando numa atmosfera musical mais sombria e temas ocultistas, em grande parte por conta do fascínio de Geezer pelo sobrenatural e em contraponto a uma juventude que ansiava por modos de vida e de pensamentos alternativos aos rígidos padrões morais e éticos conservadores, o Black Sabbath conseguiu propiciar com este álbum uma das maiores revoluções musicais ocorridas na história do rock. O timbre "peculiar" de Ozzy originava linhas vocais selvagens e tomadas de desespero, remetendo a uma angústia extrema, que muito contribuía para o clima soturno que permeava o play. A sintonia entre Geezer e Ward somadas aos riffs inovadores de Iommi fizeram de Black Sabbath um álbum arrojado e original, um clássico, influência clara para muito do que foi produzido no rock/metal posteriormente.
O álbum foi gravado com uma mesa de som de quatro canais e produzido por Roger Bain, registrado em 12 horas e mixado em três dias pela quantia de 600 libras esterlinas. Acredita-se que já nesta época Iommi utilizava uma afinação mais grave para sua guitarra (C#), devido ao problema em seus dedos, que exigia com que ele tocasse com cordas mais frouxas que o convencional, gerando uma sonoridade mais pesada, de timbre característico. Esta mesma afinação tem sido adotada por muitas bandas de Doom, e a utilização de afinações mais graves tornou-se uma das características da vertente.
A introdução da clássica "Black Sabbath" tem início com o som de chuva e badaladas de sinos. A atmosfera tempestuosa mistura-se á guitarra distorcida de Iommi, originando um clima tenso e sombrio, intencionalmente trabalhado por meio do trítono, no intervalo entre G e C#, valendo-se de trilos e vibratos, calcificando o peso da música. A levada cadenciada e o vocal de Ozzy transmitem ao ouvinte uma sensação de angústia e tormento, reforçada por uma letra tenebrosa com desfecho apocalíptico. Com uma mudança de tempo na metade da música, que se torna rápida e ainda mais pesada, o Black Sabbath mostra um cenário de destruição total do mundo como conhecemos. Nesta primeira faixa, a banda anuncia a que veio, preparando o espectador para o que estaria adiante. "Black Sabbath" traz elementos determinantes para o Doom. O andamento lento, as passagens cadenciadas, o clima sombrio criado por tons menores e pesados, a constante angústia do interprete, uma idéia de fim eminente e ainda a longa duração da composição.
Os riffs pesados e a gaita marcante dão continuidade ao play com "The Wizard", apresentando elementos assimiláveis para o que viria a ser o Proto-Doom, com riffs pausados, marcados pelo peso, seguindo a linha do Hard Rock dos anos 60, influenciado pelo blues e combinando características do jazz, com toques psicodélicos e andamento ligeiramente maior.
"Behind The Wall Of Sleep", baseada na novela gótica de H.P. Lovecraft "Beyond the Wall of Sleep" (1919), traz uma profusão de riffs, gerando uma atmosfera musical surpreendente, com linhas de baixo bem construídas e uma das mais inspiradas performances vocais de Ozzy. O clássico "N.I.B." tem início com um solo de baixo magistral, seguido de mais dos riffs únicos de Iommi, que executa um de seus mais marcantes solos. Composição louvável, com destaque mais uma vez para a interpretação de Ozzy. A letra segue a proposta soturna do álbum, abordando um romance entre Satã e uma mulher humana.
"Evil Woman", cover da banda Crow, mostra um Hard Rock aos moldes sessentistas, seguida da acústica "Sleeping Village", que tem como introdução uma composição brilhante. Lúgubre e atmosférica, propicia uma sensação de angústia e a impressão de fim presente em "Black Sabbath" torna a vir à tona, originando um clima emocional forte e intimista, graças ao vocal de Ozzy e os dedilhados precisos de Iommi. "Sleeping Village", com suas passagens acústicas introspectivas, trouxe elementos determinantes para muitas bandas de Doom.
Na épica "Warning", o Black Sabbath esbanja competência com riffs precisos de Iommi e um trabalho excepcional de Butler e Ward, somados aos vocais inquietantes de Ozzy. Uma viagem musical, cover de Ansley Dunbar’s Retaliation. A versão americana conta com a faixa "Wicked World" no lugar de "Evil Woman", devido a problemas autorais. "Wicked World" é marcada pelos riffs de Iommi e ótimas viradas de Ward, além de um vocal inspirado de Ozzy. O play chega ao fim deixando traços óbvios do que se podia esperar de seu sucessor.
Ficha Técnica
Full-length, Warner / Vertigo
Lançado em 13 de Fevereiro de 1970
Line-up:
Ozzy Osbourne - Vocais,Gaita
Tony Iommi - Guitarras
Terrance "Geezer" Butler - Baixo
Bill Ward - Bateria
Produzido por Rodger Bain para Tony Hall Enterprises.
Arranjos de Tom Allom e Barry Sheffield.
Edição UK
Lado 1
1. Black Sabbath – 6:16
2. The Wizard – 4:24
3. Behind the Wall of Sleep – 3:38
4. N.I.B. – 6:06
Lado 2
1. Evil Woman (Don't Play Your Game With Me) (Dave Wagner, Dick Weigand, Larry Weigand – Crow) – 3:25
2. Sleeping Village – 3:46
3. Warning (Aynsley Dunbar, John Moorshead, Alex Dmochowski, Victor Hickling – Ansley Dunbar’s Retaliation ) – 10:32
*Wicked World – 4:47
*A introdução de "Behind the Wall of Sleep" se chama "Wasp"
**A introdução de "N.I.B." se chama "Bassically"
***A introdução de "Sleeping Village" se chama "Bit of Finger"


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