Os álbuns que sucederam Master Of Reality mostram alterações relevantes à sonoridade da banda, a começar pela influência do rock progressivo em Vol.4 (1972) e consolidação desta nova visão de forma ainda mais nítida em Sabbath Bloody Sabbath (1973). Daí em diante o Black Sabbath passou a experimentar vários elementos que viessem a acrescentar em sua sonoridade, desviando-se cada vez mais de suas raízes, e deste modo não vejo como necessário incluir álbuns posteriores a 1971 nas resenhas.
Indiscutivelmente, o Black Sabbath, ao lado de bandas como Deep Purple, Led Zeppelin, UFO e Rainbow, criaram as bases para o Heavy Metal, atribuindo novos conceitos ao que se podia considerar como “música pesada”. Em minha visão pessoal, considero o Black Sabbath imprescindível para o surgimento do Doom Metal, porém, creio que considerá-los pais do Doom é algo questionável.
Nos álbuns resenhados, vemos que muito do que foi feito no período entre 1970 e 1971, foi assimilado por bandas dos mais diversos subgêneros, em especial o Proto-Doom e o Stoner, porém, assim como o Venom, com Black Metal (1982) e Bethlehem, com Dark Metal (1994), Black Sabbath (1970), foi um álbum visionário, que apresentou ao mundo novos referenciais.
Em 1982, o Venom trazia um debut que propunha o terror, uma música satânica, de criticas religiosas com posicionamento inquestionavelmente herético. Porém, tratando de sonoridade, o que o Venom mostrou em Welcome To Hell (1981), Black Metal (1982) e At War With Satan (1983), foi um Thrash Metal, ou com argumentos mais embasados, talvez até um rock&roll com uma temática ainda mais sombria e ímpia que o Black Sabbath. Black Metal (1982) proporcionou novas visões e tornou-se um marco da música pesada, porém, toda a polêmica gerada em torno do cenário norueguês no fim da década de 80 e início de 90, pôs em questionamento muito do que se acreditava ser “Black Metal”, em relação tanto à ideologias quanto sonoridade, estética e comportamento.
Por sua vez, o Bethlehem, em Dark Metal (1994) construía um som singular, ora tenso e soturno, ora esquizofrênico e brutal e por vezes suave, originando uma tendência que viria a ser seguida por bandas de sonoridade igualmente peculiar, fundamentando um dos rótulos mais confusos do metal.
Black Sabbath
Com “Hand Of Doom”, segundo muitos, o Black Sabbath daria nome a um estilo, porém, a tendência gerada pela banda ainda era limitada à definição de “Heavy Metal”. Black Sabbath (1971), Paranoid (1970) e Master Of Reality (1971) foram determinantes, de fato, porém a função de rotular, assim como nos casos citados anteriormente, se fez mais adequada. A meu ver, o Proto-Doom surge em 1971, com o Pentagram, valendo-se dos riffs pesados e frases repetitivas, harmonias sombrias, andamentos cadenciados e uma atmosfera melancólica, igualmente importante em termos conceituais, porém não tão “evidente” quanto o Black Sabbath. Ambas mostram diversas características em comum, apostando num som mais cadenciado, voltado para o bues e o rock&roll, mas que na época era tido simplesmente como Heavy Metal. O Pentagram foi a primeira banda a associar os elementos do Black Sabbath tidos como “Doom” de forma a originar conscientemente algo à parte. Todos os méritos ao quarteto de Birmingham, mas o título de “pais do Doom Metal” não lhes cabe de forma precisa.
Músicas recomendadas:
Black Sabbath, Paranoid, War Pigs, Hand Of Doom, Sweet Leaf, N.I.B., Children Of The Grave, Sleeping Village, The Wizard, After Forever.
Fontes:
Whiplash! Rock e Heavy Metal: whiplash.net
Enciclopaedia Metallum: The Metal Archives: metal-archives.com
Black Sabbath: Doom Let Loose - Martin Popoff

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