A Electrode, formada por Phil Cope e Robert Hickmann nas guitarras, Rod Hawkes no baixo, Steve Kinsell na bateria e Dave Potter nos vocais, foi a primeira banda dos integrantes que viriam a compor o Witchfinder General. Chegaram apenas a realizar algumas apresentações. Com o rompimento da banda, Hickmann, Kinsell e Potter fundaram um novo conjunto, chamado Medway. Por sua vez Phil ingressaria na banda após tocar na The Jays. Em 1977, Phil Cope e Rod Hawkes tocaram juntos na Rabies, e futuramente tornariam a encontrar-se na Witchfinder General. Do reencontro de Phil com seu antigo colega de escola e roadie da Electrode, Zeeb Parkes, vieram as primeiras composições da banda, em 1979. A primeira formação da então Witchfinder General era Zeeb Parkes nos vocais, Phil Cope nas guitarras, Johnny Fisher no baixo e Steve Kinsell na bateria. Com este line up realizaram seu primeiro show no clube The Crown, em Dudley, de boa repercussão para a banda. Posteriormente, Johnny Fisher anuncia sua saída ainda em 1980. No ano seguinte, após audições com alguns outros baixistas, a banda volta a ter sua formação completa com Kevin McReady assumindo o baixo.
Witchfinder General (1979), The Crown, Dudley - Phil Cope, Zeeb Parkes, Steve Kinsell e Johnny Fisher
1981 foi o ano do lançamento do primeiro registro em estúdio do Witchfinder General, o single Burning A Sinner, nos dias atuais, um registro raríssimo, cobiçado por colecionadores e amantes do estilo. Com apenas duas composições, “Burning a Sinner” e “Satan's Children”, o registro é hoje considerado um lançamento primordial, dotado da essência do Proto-Doom, com uma sonoridade claramente influenciada pelo Black Sabbath e traz uma atmosfera sombria e densa, de canções simples, porém inovadoras. A temática lírica é medieval e remete até mesmo nas linhas vocais, à ambientação do filme que inspirou o nome da banda. Por volta dos últimos meses do mesmo ano, o Witchfinder General retorna ao estúdio Ginger para a gravação de mais um single, Soviet Invasion. Uma sonoridade mais direcionada ao Proto-Doom é o que encontramos neste registro, seguindo uma linha semelhante a de bandas como o Saint Vitus e em alguns pontos com o Vol.4 do Black Sabbath, com riffs pesados e vocais angustiantes, expressando um desespero profundo numa temática de posicionamento engajado a um apelo de paz aos países do Pacto de Varsóvia. Na área destinada ao line up, o baterista Steve Kinsell aparece sob o pseudônimo Kid Nimble.
Após algumas brigas entre Steve e Zeeb, o grupo tornou-se instável. Steve e Kevin passaram a mostrar desinteresse pelos trabalhos da banda e em 1982, deixam o Witchfinder General. Herdando o respeito póstumo comum a muitas das bandas que fundamentaram o estilo, o Witchfinder General deixou de lado as influências do Blues que permeavam seus ídolos para acrescentar a sua sonoridade peso e velocidade e assimilando os aspectos que caracterizam o Heavy Metal de bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin e Diamond Head, trabalhando uma sonoridade distinta.
Death Penalty (1982)
Um claro registro de uma sonoridade ainda em fase de consolidação, Death Penalty mostra um Proto-Doom influenciado pela década de setenta, com algumas semelhanças á sonoridade do Pentagram e um Heavy Metal ao estilo do que o Black Sabbath fazia até a saída de Ozzy, mas não soando como uma cópia, assimilando os elementos que fizeram do Witchfinder General pertencente à NWOBHM e com toques do que viria a ser o Doom Metal Tradicional. Definitivamente um registro simples quanto a complexidade de suas composições, mas dessa simplicidade, destaca-se como um álbum muito influente para Heavy Metal, Doom e Stoner.
Gravado às presas, o registro contou com Steve Kinsell na bateria, em seu registro final antes de desfalcar o line up, enquanto Phil Cope gravou as linhas de baixo, adotando o pseudônimo Woolfy Trope. A gravação do play levou dois dias apenas, e foi realizada no Metro Studio, em Mansburry. A polêmica capa de Death Penalty, fotografia de Crave Rockersmith, retrata uma mulher com os seios à mostra (interpretada pela modelo Joanne Latham), possivelmente acusada de bruxaria, sendo atacada por homens “de fé” num cemitério. No verso, a mesma mulher aparece morta, deitada sobre um túmulo. A publicidade subseqüente esteve presente nos tablóides britânicos, e o tema da capa permeia as composições do álbum, refletindo condenação, morte, violência e injúria.
Zeeb Parkes mostra uma linha vocal situada num timbre que assimila um pouco de Ozzy somado a Joey Ramone, Bobby Liebling, Robert Plant e Rob Halford, soando ainda de forma amadora e em busca de uma auto-firmação. Seu aspecto anasalado, e ocasionalmente agudo, não contribui muito para a manutenção de uma atmosfera mais sombria e misteriosa, ficando a dever em relação ao instrumental. As guitarras contribuem com passagens melancólicas de qualidade, ambientando as composições de forma adequada, e contando também com bons riffs, dotados da velocidade que marcou a NWOBHM e ainda com utilizações de fuzz, box tipicamente setentista. A bateria apenas faz seu papel sem muito destaque, e o baixo também não faz muito além do esperado, apesar de apresentar um timbre interessante e levemente distorcido. De certa forma, o registro parece soar menos coeso que o single Soviet Invasion e o debut também ficou devendo quanto ao peso, mas merece os devidos méritos por conseguir unir de forma satisfatória a agressividade da NWOBHM e os elementos que consolidaram o Black Sabbath como referência para as gerações futuras.
O play tem início com“Invisible Hate”, que possui um trabalho vocal não tão seguro, de versos líricos que lembram muito o timbre de Bobby Liebling, o que obviamente os torna cômicos às vezes, mas que se destaca em seu refrão grudento. Com riffs de grande potencial, trazidos à tona após um começo acústico suave, a faixa segue veloz e agressiva, quebrando em passagens mais cadenciadas. A distorção da guitarra e os vocais de Zeeb estabelecem uma sonoridade de forte carga emocional, diferentemente do que se poderia esperar, soando alegre e vibrante, evocando de forma nostálgica a década de setenta em seu ápice.
“Free Country” apresenta uma boa junção de Heavy Metal Tradicional e Proto-Doom, com ótimos riffs e um solo excelente, originando um dos melhores momentos do play. A canção tem elementos claros da sonoridade do Black Sabbath, tanto nos registros de Paranoid quanto em Heaven And Hell. A bateria tem maior destaque nesta composições, com toques de Vinnie Ápice. A música é como um ode ao lema “sexo, drogas e rock&roll”.
“Death Penalty” começa com um riff evidentemente influenciado pelo trabalho de Tony Iommi e uma impostação vocal de Zeeb que lembra muito as performances de Ozzy, não fosse pela disparidade de timbre. Com um andamento cadenciado, a composição propícia uma ambientação mórbida, com uma letra condenada. Nas passagens mais dinâmicas a faixa traz muito do Black Sabbath em Master Of Reality e Vol.4. Uma passagem acústica dá seguimento à música, culminando num solo que encerra em fade out.
“No Stayer” se assemelha a um Rock&Roll, com um interessante trabalho desenvolvido no baixo e um solo de guitarra com influências de Blues. A canção começa com um bom riff, porém segue arrastando-se de forma declinante ao fim. A composição tem uma introdução que em muito lembra a música “Rat Salad” do debut do Black Sabbath. “Witchfinder General” é o ponto alto do debut, com destaque para a performance de Phil Cope, com riffs agressivos e marcantes e o poderoso refrão cantado por Zeeb Parkes. Definitivamente um clássico da banda.
“Burning A Sinner”, mais uma canção anteriormente registrada, surge aprimorada, com um trabalho superior em relação à bateria, ainda mantendo seu aspecto sombrio, conduzido num ritmo que caminha penosamente ao longo da composição. “R.I.P” aparece levemente modificada em relação a versão original do segundo single da banda, com alguns harmônicos notoriamente comparáveis aos de Tony Iommi enquanto a canção é conduzida por um riff mais arrastado, muito sombrio e condenado. O cowbell utilizado na bateria, acrescenta à composição uma identidade, assim como os backing vocals e efeitos aplicados às palavras finais dos versos de Zeeb Parkes, que por mérito merece destaque na sua boa interpretação.
Death Penalty apresenta uma banda promissora, notavelmente ainda em busca de sua identidade, talvez pela linha tênue que separa sua sonoridade de um Hard Rock setentista do Proto-Doom praticado por bandas contemporâneas à sua época. Talvez na tentativa de preencher o vazio deixado com a mudança brusca na sonoridade do Black Sabbath após a saída de Ozzy, o Witchfinder General investiu num som “antigo”, mas ainda sombrio e condenado, inegavelmente influente para o Stoner/Doom. Ao lado de bandas como Saint Vitus, The Obssessed e Pagan Altar, o debut do Witchfinder General é também considerado um álbum clássico do estilo.
Ficha Técnica
Full-length, Heavy Metal Records
1982
Zeeb Parkes - Vocais
Phil Cope - Guitarras & Baixo
Steve "Kid Nimble" Kinsell – Bateria
Produzido por Paul Birch e Pete Hinton.
Lado A.
Invisible Hate - 6.05
Free Country - 3.10
Death Penalty - 5.35
No Stayer - 4.25
Lado B.
Witchfinder General - 3.51
Burning a Sinner - 3.28
R.I.P. - 4.04


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