quinta-feira, 30 de junho de 2011

Witchfinder General - Parte Final

Friends Of Hell (1983)



Em 1983, o Witchfinder General dá continuidade a sua produção, com uma nova formação, composta por Zeeb Parkes nos vocais, Phil Cope nas guitarras, Rod Hawkes no baixo e Graham Ditchfield na bateria. O intitulado Friends Of Hell trouxe não só um novo line up, mas também uma nova sonoridade em relação ao seu antecessor. Os elementos que fundamentaram o som da banda ainda se fazem presentes, porém o cunho mais sombrio de suas composições foi deixado um pouco de lado, o que de certo modo atribuiu ao Witchfinder General uma busca por uma identidade mais afirmada, tornando-o já não tão similar ao Black Sabbath dos primeiros anos da década de setenta. Definitivamente, o Stoner presente no material que antecedeu Death Penalty já não configura o novo direcionamento da banda. Há algo do Rock Psicodélico e é notório que a ambientação soturna e pesarosa cedeu espaço para um viés mais enérgico e vibrante.

Friends Of Hell é um álbum peculiar, grandioso por si só, mas de pontos negativos consideráveis. O conjunto da obra parece estranho e mal organizado. Suas composições têm muito do Vol. 4 do Black Sabbath, o que não significa que algo de excepcional possa ser encontrado no álbum. Na verdade, Friends Of Hell é um álbum fraco se comparado à discografia do Witchfinder General, e ainda mais fraco se posto diante dos discos de outras bandas seminais do Doom Metal Tradicional. Apesar dos pesares, o play traz um Witchfinder General mais coeso, com uma sonoridade mais amadurecida, embora ainda apresente traços de uma busca por sua própria identidade. O registro por vezes se perde de forma inexplicável, principalmente por composições mais experimentais em relação à Death Penalty, à exemplos da enfadonha “Music” e da balada “I Lost You”. As composições são menores se comparadas ao play anterior, o que num geral, também contribuí para que o disco seja inferior ao debut, chegando ao fim sem deixar muito claras suas intenções entre um novo direcionamento ou apenas algo similar a um experimento. A produção é bem melhor que a do debut, muito boa inclusive para sua época.

Os vocais de Zeeb Parkes soam menos ansalados e sofríveis que em Death Penalty, com um timbre mais limpo e de maior entendimento, méritos da produção do disco. Em contraponto, os versos líricos mais agressivos e irônicos foram deixados para trás. Zeeb Parkes mostra clara evolução em suas performances, embora ainda com um timbre que muito remeta à Ozzy e Bob Liebling. Em Friends Of Hell, o frontman mostra um direcionamento mais sucinto, com um impostamento singular e de funcionalidade própria em relação às guitarras, embora pareça repetir-se constantemente.

As guitarras de Phil Cope assumem uma certa pegada do Hard Rock e mostram uma evolução quanto aos métodos de composição, esbanjando profissionalismo. A produção do álbum, bem superior à Death Penalty, ressalta o instrumento como carro chefe do álbum, e não poderia ser diferente, Phil Cope tem em Friends Of Hell mais solidez e coesão, embora seus riffs e solos não sejam suficientes para conferir uma unidade ao disco, mas ainda assim, traduzem bem a proposta da banda, engajados numa linha entre o Heavy Metal da NWOBHM e o Doom Metal Tradicional. O timbre das guitarras ainda é pesado e ainda mais claro que em Death Penalty. O baixo está bem mais audível e tem destaque em boa parte das faixas, assim como bateria também mostra sinais de evolução, embora ainda se retenha ao básico.

A parte lírica passou por um processo significativo de evolução, mostrando letras bem superiores às do debut, o que não significa que tenhamos agora algo bom em definitivo. O mote Sexo, Drogas&Rock ‘n Roll foi deixado um pouco de lado pela banda, que agora varia desde letras mais saudosistas e engajadas às mais “deslocadas”, como a metalingüística “Music”. O caráter sombrio se mantém presente nas músicas de maior destaque do play, abordando ainda o ocultismo, a morte e as trevas. A interação entre Phil Cope e Zeeb Parkes é o que faz deste um bom álbum e esta dinâmica é justamente o que segura as pontas no play, já que sonoridade da banda sofreu alterações drásticas e estas por sua vez, não foram das melhores. Friends Of Hell é inegavelmente inferior ao brilhante Soviet Invasion e ao bom debut dos ingleses.

A capa, como não poderia deixar de ser, é mais uma vez responsável por gerar grande polêmica. Repetindo o feito de Death Penalty, mostra modelos sensuais no papel de feiticeiras, sendo perseguidas, pelos próprios integrantes da banda num cemitério, tendo uma igreja como plano de fundo. E claro, não poderiam faltar os seios à mostra. Até mesmo em sua arte de capa, Friends Of Hell deixa um pouco de lado a atmosfera de Death Penalty. O verso do disco mostra a desconstrução da cena anteriormente citada, com as modelos interagindo com os integrantes da banda, ressaltando uma viatura policial e uma ambulância, deixando expresso o direcionamento mais despojado do disco.
O álbum foi gravado em Março de 1983, no Horizon Studios em Coventry, e o processo de gravação durou duas semanas, com a produção de Robion George, tendo Dave Lester como engenheiro de som.

“Love On A Smack”, tipicamente setentista, começa com uma pegada mais Hard Rock, com um refrão interessante e um ótimo solo de guitarra que quebra o andamento da música em determinado ponto, resultando numa dinâmica que merece nota, partindo então para mais uma ótima execução de Phil Cope, enquanto Zeeb Parkes retoma o refrão. A música chega ao fim com os versos condenados do destino fadado de uma personagem que encontra na morte a melhor saída para sua vida de promiscuidade. Os backing vocals finais atribuíram certo brilho à composição. Um bom começo para o segundo álbum dos ingleses.

“Last Chance” soa como uma tentativa de repetir o brilhantismo contido em Death Penalty. A música é uma das faixas em potencial do álbum, porém lhe faltam tanto a pegada mais eufórica da NWOBHM quanto os aspectos mais sombrios herdados do Black Sabbath, resultando em mais de um Hard Rock setentista.

A enfadonha “Music” dá continuidade ao álbum, que começa a revelar sua instabilidade, com uma composição de direcionamento mainstream, que não traz nada que possa ser acrescentado positivamente, com um instrumental sacal e às vezes irritante, principalmente por conta do baixo, que assume um aspecto típico da Disco Music e uma linha vocal que parece ter sido construída exatamente em cima disto. Indubitavelmente, “Music” tem algo de tendencioso, parecendo realmente um apelo comercial, cheio de clichês que talvez, tencionem para um direcionamento a um público maior e consideravelmente distante dos verdadeiros fãs da banda.

Posicionar “Music” anteriormente à faixa-título a torna ainda menos expressiva. “Friends Of Hell” é sem dúvidas um dos clássicos do álbum, com riffs interessantes e um baixo bem expressivo, de direcionamento completamente diferente ao da faixa anterior, estabelecendo uma base solida para as frases melódicas de Phil Cope. A música chega ao fim numa breve passagem acústica.

“Requiem For Youth” começa agressiva, prenunciando um direcionamento mais voltado ao Heavy Metal Tradicional, valendo-se de riffs de guitarra poderosos. Em “Shadowed Image” os vocais de Zeeb assumem uma vez mais as características do timbre do Madman, embora soem mais embaraçosas que qualquer outra coisa. Com passagens acústicas breves, a música é um dos pontos altos do play, com um solo impressionante.

"I Lost You”, com sua letra de cunho evidentemente emotivo poderia passar despercebida em relação às demais. A faixa apresenta uma performance sofrível de Zeeb Parkes. Em seus versos líricos, inquestionavelmente deprimentes, o frontman consegue ofuscar o brilho do arranjo acústico, fazendo desta uma balada dispensável e mais uma faixa deslocada no álbum, soando tão mainstream quanto “Music”, mas de um resultado ainda pior.

“Quietus” resgata a pegada do Proto-Doom, tanto em seu riff inicial quanto à impostação vocal de Zeeb Parkes, lembrando em muito o saudoso Pentagram em seus três primeiros registros. Com suas mudanças de ambientação, com partes mais agressivas, passagens acústicas e mais um excelente solo de Phil Cope, a música é um clássico inquestionável do Witchfinder General e sem dúvidas, o ponto alto de Friends Of Hell. A curta “Reprise”, não mais que uma breve passagem em fade-in fecha o álbum.

A importância do Witchfinder General para a genealogia do Doom Metal jamais será deixada de lado e a grande prova disto é o culto dos apreciadores da vertente, que buscam com avidez pelos raríssimos registros em vinil da banda, verdadeiros itens de colecionador. Friends Of Hell tem toda uma carga histórica e um valor construído com o tempo, mas acima de tudo, marca a constatação do declínio da banda até sua cisão em 1984.

Ficha Técnica
Full-length, Heavy Metal Records
1983

Line Up

Zeeb Parkes - Vocais
Phil Cope - Guitarras
Rod Hawkes - Baixo
Graham Ditchfield - Bateria

Produzido por Robion George e mixado por Dave Lester

1. Love on Smack – 04:15
2. Last Chance – 03:53
3. Music – 03:08
4. Friends of Hell – 06:05
5. Requiem for Youth – 04:35
6. Shadowed Images – 04:20
7. I Lost You – 02:56
8. Quietus – 06:27
9. Reprise – 00:38


Ressurected (2008)



Após o lançamento do lendário Death Penalty e do controverso Friends Of Hell, o Witchfinder General encerraria suas atividades, mais precisamente no ano de 1983. Um longo hiatus de mais de duas décadas viria a colocar os ingleses num patamar de lenda, ao lado de bandas como Pagan Altar, Trouble, Saint Vitus e o próprio Black Sabbath, como precursora de um estilo já consolidado, o Doom Metal. O advento da internet foi sem dúvida alguma o grande responsável pelo reconhecimento tardio da banda e a difusão de sua música. Seus plays passaram a ser procurados com avidez pelos amantes do Heavy Metal e aos poucos, o Witchfinder General conseguia, após anos de sua origem, conquistar o reconhecimento devido. O repentino clamor por parte dos fãs, até então órfãos da banda, chamou atenção dos próprios integrantes, Phil Cope, remanescente da formação original, Dermot Redmond e Rod Hawkes, respectivamente baterista e baixista nos anos que antecederam a cisão do Witchfinder General e também da gravadora Nuclear War Now que acabou por abraçar a causa de revitalizar o agora então ícone do Doom Metal.

Foram lançados dois registros oficiais, Live ’83 em 2006 , um álbum ao vivo contendo gravações da última turnê da banda na década de oitenta e a compilação Buriest Among The Ruins de 2007. Como não poderia deixar de ser, a repercussão foi melhor que o esperado, encorajando a banda a retornar aos estúdios para enfim concluir um terceiro álbum de inéditas, que havia sido iniciado anos atrás, ainda na década de oitenta. Após frustradas tentativas de tirar Zeeb Parkes da aposentadoria e convencê-lo a reintegrar o line up do Witchfinder General, Phil Cope e seus companheiros acabaram por convidar Gary Martin para assumir os vocais e dá-se então o ponto chave na carreira do Witchfinder General.

Lançado em 30 de Agosto de 2008, Ressurected é sem dúvidas o trabalho mais coeso do quarteto de Stourbridge, porém as expectativas criadas em relação ao retorno da banda não foram cumpridas. Apesar do timbre débil e anasalado nos vocais de Zeeb Parkes, sua ausência foi determinante para que Ressurected fosse visto por muitos como uma grande decepção. Não se deve questionar a capacidade vocal do experiente Gary Martin, pelo contrário, sua voz casou bem com o que foi produzido pela banda, porém a identidade do Witchfinder General, aquela sonoridade que começava a se perder após Soviet Invasion acabou por sumir de vez. O sentimento nostálgico que embalou os fãs durante a década de noventa não mais existia. Não mais havia Zeeb e Phil, apenas um novo Witchfinder General, que em sua corajosa empreitada arriscava por em cheque o respaldo que haviam adquirido com o passar dos anos.

O Witchfinder General soa brilhante como conjunto neste álbum e não poderia ser diferente após um hiato tão grande. A banda teve mais tempo para compor, escrever e repensar as músicas remanescentes das décadas anteriores. A produção atinge um meio termo entre manter a sonoridade retrô da década de oitenta à um som mais definido, conseguindo conferir uma certa atmosfera nostálgica ao play. É inegável ainda que mesmo após anos, o Black Sabbath continue a ser apontada como principal referência para a banda, que ainda mostra muito desta influência em sua música. Ainda assim, em Ressurected tem-se uma nova banda, mantendo o Hard Rock o Heavy Metal Tradicional com repaginadas influências da NWOBHM, sem contar obviamente, a pegada mais arrastada e condenada do Doom Metal Tradicional. A parte lírica é de um direcionamento semelhante ao proposto nos álbuns anteriores e assim como a sonoridade, também se mostra bem resolvida. A capa do álbum, como de costume, faz referência aos cemitérios, mas desda vez, nada de seios e homens de fé. Uma cruz celta se projeta sobre o fundo sombrio da necrópole, uma imagem de cunho mais aterrador se comparada aos seus antecessores.

O trabalho de Phil Cope nas guitarras é magistral, desde o timbre utilizado à sua versatilidade nos dedilhados em violões bem encaixados durante as músicas. Os riffs cadenciados mostram muito da já citada influência do Black Sabbath, embora diferentemente dos plays anteriores, em Ressurected existam poucos solos, sendo estes breves e bem posicionados, ressaltando uma idéia maior de conjunto, diferentemente do que se tinha nos discos anteriores ao afirmar que o Witchfinder General era Zeeb Parkes e Phil Cope.
Após excursionar com a banda durante o período que antecedeu a longa pausa, Ressurected é o primeiro registro de Dermot Redmond com o Witchfinder General. As linhas de bateria são bem superiores à todas as outras presentes nos antigos plays, mostrando dinamicidade e desprendimento, cheias de detalhes bem encaixados que abrilhantam ainda mais a sonoridade da banda neste trabalho. O mesmo não se pode dizer de Rob Hawk, que continua sem conferir muito destaque ao baixo nas composições do Witchfinder General.

E o que dizer dos vocais? Gary Martin tem um timbre poderoso, agressivo e rasgado, diferentemente do direcionamento mais introspectivo e por vezes inseguro de Zeeb Parkes. Sua adição à banda contribuiu pra um direcionamento mais voltado claramente para o Hard Rock, assim como para um distanciamento dos álbuns anteriores. Gary e o Witchfinder General encontraram um ao outro e seu vocal arrojado é o grande diferencial de Ressurected.As lamúrias de Parkes cedem então lugar aos vocais quase guinchados do competente Martin.

“The Living Hell” começa o álbum de forma majestosa, com um coro que logo dá lugar a um órgão que a princípio apresenta um tritôno como intervalo, remetendo de imediato à faixa título do debut do Black Sabbath e ao mesmo tempo, criando uma atmosfera mística, típica do que faz o Pagan Altar. A composição segue com riffs distorcidos e cadenciados, progredindo para tempos médios até a entrada do vocal. Quando se espera o timbre sincero e peculiar de Zeeb Parkes, somos surpreendidos por um ainda acanhado Gary Martin e logo se abre espaço para as comparações com o debut e Friends Of Hell. Indubitavelmente “The Living Hell” é um dos grandes momentos do álbum e apenas podemos imaginar a que proporções chegaria se Zeeb ainda integrasse o line up da banda.

“The Gift Of Life” vem com uma pegada similar ao que o Black Sabbath apresentou em Master Of Reality, bem marcada, ainda mostrando uma performance acanhada de Gary Martin, embora um pouco mais despojado, chegando a remeter em determinados momentos que esta sem dúvidas, foi uma composição criada para os vocais de Zeeb Parkes, apesar de Gary não ficar devendo em ponto algum. Destaque para a contribuição genial do excelente Dermot Redmond.

“Final Justice” remete de imediato à “Electric Funeral”, composição presente no segundo disco do Black Sabbath, tanto por seus riffs quanto por sua atmosfera e ambientação mais setentista. Indo mais à fundo vemos claras influências do Pentagram em seus dois primeiros álbuns, resgatando as raízes do Doom Metal.

A instrumental “Brym-Y-Mor” é uma composição brilhante. De ambientação densa e escapista, cria um plano de fundo etéreo e vago, resgatando a melancolia e as perspectivas de fim com as melodias intercaladas dos violões e teclados, começando num dedilhado simples, sendo paulatinamente preenchida por outras pistas de instrumentos, chegando ao fim com o som das gaivotas cedendo lugar à arrancada do riff poderoso de “Brutal Existence”. A emblemática composição mostra um Gary Martin mais agressivo, casando seus versos líricos aos rffs abrasivos de Phil Cope, tal como costumava ser anteriormente com Zeeb Parkes, porém o novo front man consegue conferir à composição um caráter espantoso e vísceral. O trabalho de Phil Cope e Dermot mais uma vez merece destaque, mais um dos pontos altos do play.

“Euthanasia” tem inicio com a guitarra principal em phaser, algo até então inexplorado pela banda. Novamente, a agressividade de Gary Martin associada aos riffs cadenciados e a bateria Hard Rock de Dermot conferem uma atmosfera maldita e sentenciada. A alternância entre passagens pesadas ás acústicas e sucessivamente mais arrastadas é genial. Mais uma grande composição de Ressurected.

“A Night To Remenber” tem um direcionamento mais voltado para o Hard Rock, com traços setentistas, a começar por seus riffs, complementados por frases características de Phil Cope e a bateria inspirada de Dermot. Os vocais roucos e rasgados de Martin e os backing vocals enérgicos no refrão contribuem para a elaboração da atmosfera nostálgica do rock setentista.
The Funeral/Beyond The Grave apresenta uma vez mais um trítono como intervalo e também vibratos sombrios, numa das composições mais densas do Witchfinder General, soando como um Proto-Doom, muito semelhante ao Black Sabbath, embora com um direcionamento mais assombroso por conta dos versos narrados por Gary Martin, assumindo um timbre soturno e mau.

Em Ressurected, o Witchfinder General traz uma rebuscagem sucinta e eficiente da sonoridade das décadas de setenta e oitenta, num Hard Rock muito convincente e eficaz, superando muito do que se faz nos dias atuais. O fato da banda já não parecer com o ícone Doom cultuado ao longo da década de noventa em nada interfere no brilhantismo deste ótimo álbum, sem dúvidas, um divisor de águas na carreira do quarteto de Stourbridge.

Ficha Técnica
Full-length, Buried By Time And Dust
30 de Agosto de 2008

Line Up

Gary Martin - Vocais
Phil Cope - Guitarras
Rod Hawkes - Baixo
Dermot Redmond - Bateria

Produzido por Chris Smith

1. The Living Hell – 07:50
2. The Gift Of Life – 05:47
3. Final Justice – 04:20
4. Byrn - Y - Mor – 02:18
5. Brutal Existence – 05:15
6. Euthanasia – 05:25
7. A Night To Remenber – 04:28
8. The Funeral/Beyond The Grave – 06:57

Conclusões

O Witchfinder General trouxe uma abordagem tendenciosa ao Heavy Metal dos anos oitenta, glorificando o uso de drogas, sexo e ocultismo, revitalizando a proposta do Black Sabbath em seus primeiros álbuns, permeados de certa forma da ideologia hippie, trazendo em suas letras doses do psicodelismo e elementos do underground associados à contra-cultura, proposta esta, que foi se perdendo ao longo dos lançamentos da banda. Como um dos responsáveis pela definição do Doom Metal Tradicional na década de oitenta, durante a NWOBHM o Witchfinder General configura-se como uma das bandas menos apegada às propostas principais da sonoridade de sua época. Com uma discografia breve, de dois bons registros iniciais de certa forma frustrantes pelo que poderiam ter sido e não foram, além de um não tão bem visto terceiro álbum (o que considero uma grande injustiça). Após o lançamento de Soviet Invasion, a banda passou por mudanças discretas de sonoridade até perder-se um pouco em Friends Of Hell. Superestimados em seu período de hiato, o Witchfinder General arrisca-se ao lançar o polêmico Ressurected, que a julgar pelo título, propunha-se a trazer algo de volta do sepulcro.

Muitas das bandas que hoje são consideradas ícones do metal condenado passaram por períodos de dificuldade e desmotivação, conflagrando então num reconhecimento quase póstumo anos depois. Com o Witchfinder General não foi diferente e por conta da projeção que obtiveram com o advento da internet, retomaram atividades, porém com um novo front man, de vocal ímpio, poderoso e genuíno. O novo Witchfinder General difere da banda da década de oitenta em muitos aspectos, embora sua sonoridade atualmente esteja anos luz à frente de Friends Of Hell, a energia e o impulso abrasivo de seu debut, de fato, já não configuram como aspectos relativos à banda.

Ainda em atividade, com Gary Martin nos vocais, a banda parece para muitos ter se desvirtuado de sua proposta inicial. Fato não muito difícil de se explicar. Curiosamente, como já foi dito, o Witchfinder General atingiu o ápice de sua carreira enquanto encontrava-se em repouso e ao retornar era de se esperar que a banda ressurgisse com o vigor primordial da já aclamada dupla Zeeb e Phil. Porém não foi assim que aconteceu. Gary Martin é muito diferente, em todos os aspectos do front man da clássica formação e o resultado de sua adição à banda, aos olhos da crítica foi que a vibe nostálgica almejada pelos fãs mais novos não estava presente em Ressurected, exatamente por que uma das partes já não estava presente. Os mais saudosistas se decepcionaram com a nova roupagem do quarteto e o resultado não foi dos melhores para os caras.

Ainda é Witchfinder General, um novo Witchfinder General mais coeso de maior potencial. A coragem para arriscar trazer do túmulo uma banda clássica com uma nova voz é um feito louvável. Terá agora o quarteto de Stourbridge a capacidade de manter a linha de Ressurected e reconfigurar sua própria história?
Witchfinder General (2007) - Gary Martin, Phil Cope, Rob Hawks, Dermot Redmond

Músicas Recomendadas
Burning A Sinner, Brutal Existence, Death Penalty, Euthanasia, Final Justice, Free Country, Friends Of Hell, Quietus, The Funeral/Beyond The Grave, Witchfinder General.

Fontes
Welcome to No Stayer: Witchfinder General Offical Web Site: witchfindergeneral.net
Enciclopaedia Metallum: The Metal Archives: metal-archives.com

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